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Alta comissária da ONU aceita reunião com chanceler da Venezuela

Alta comissária da ONU aceita reunião com chanceler da Venezuela

Bachelet participa em Genebra do primeiro dia do Conselho de Direitos Humanos da ONU - AFP

A alta comissária dos Direitos Humanos da ONU, a ex-presidente chilena Michelle Bachelet, aceitou reunir-se com o chanceler da Venezuela, Jorge Arreaza, que deve discursar nesta terça-feira em Genebra.

“A Venezuela pediu uma reunião com Bachelet e a Alta Comissária se reunirá com o ministro das Relações Exteriores”, afirmou à AFP a porta-voz de seu gabinete, Ravina Shamdasani.

Em setembro de 2017, o então Alto Comissário, o jordaniano Zeid Ra’ad Al Hussein, pediu sem sucesso uma investigação internacional sobre o uso excessivo da força pelas autoridades da Venezuela, considerando que poderiam representar crimes contra a humanidade.

Bachelet fez nesta segunda-feira seu primeiro discurso à frente do Conselho dos Direitos Humanos, que celebra sua 39ª sessão entre 10 e 28 de setembro.

O discurso, que teve uma cópia distribuída à imprensa com antecedência, continha trechos sobre Venezuela, mas que Bachelet não pronunciou diante dos diplomatas.

“Quando se abre esta sessão, o crescente número de pessoas que fogem da Venezuela e da Nicarágua demonstra mais uma vez a necessidade de defender constantemente os direitos humanos”, indica o texto do discurso.

“É urgente ajudar os Estados de acolhida a resolver os numerosos problemas que provocam estes movimentos”, completa.

“Mas também é fundamental abordar as razões pelas quais as pessoas deixam o país”, indicava o texto, com um pedido para que o Conselho tome “todas as medidas disponíveis para enfrentar as graves violações dos direitos humanos” na Venezuela e Nicarágua.

No texto, Bachelet indica ainda que desde a publicação em junho do relatório do Alto Comissariado, a instância “continuou recebendo informações sobre violações dos direitos econômicos e sociais, como os casos de mortes relacionadas com a desnutrição ou doenças que podem ser evitadas, assim como as violações dos direitos civis e políticos”.

Também enfatiza que o governo venezuelano “não deu provas de abertura” para colocar em prática “medidas autênticas”, com o objetivo de julgar os responsáveis pela violência durante as manifestações em 2017.

A Venezuela enfrenta uma grave crise política e econômica. A reeleição do presidente Nicolás Maduro foi criticada no exterior.

De acordo com a ONU, 2,3 milhões de pessoas abandonara o país desde 2014.