Giro

Alimentos com excesso de açúcar devem ter impostos altos, defende relatora da ONU

Mesmo com a existência de múltiplas opções de alimentos, a baixa qualidade e o excesso de açúcares, gorduras saturadas e sal na comida são responsáveis por uma “epidemia” de pessoas má alimentadas ao redor do planeta. Estimativas da Organização das Nações Unidas (ONU) indicam que haja 2 bilhões de indivíduos com obesidade ou sobrepeso, ao mesmo tempo em que 820 milhões estão em situação de insegurança alimentar.

Relatório divulgado nesta semana pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco, na sigla em inglês) evidencia uma tendência global de crescimento de problemas nutricionais, mais graves em quem está no início da vida. Uma em cada três crianças com menos de 5 anos enfrenta subnutrição ou sobrepeso, em número que chega a 200 milhões.

Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, a relatora especial da ONU sobre o direito à alimentação, a turca Hilal Elver, defende o aumento dos impostos sobre os alimentos com excesso de açúcar, para que as pessoas “pensem duas vezes” antes de comprar o produto, e faz comparação com a tributação do tabaco.

“A maneira mais eficaz pela qual os governos em todo o mundo restringiram o uso de cigarros é tributando-os em níveis muito altos”, afirmou. “Acredito que seja totalmente apropriado fazer o mesmo.”

Hilal destaca ainda a importância da educação na promoção de dietas de qualidade e das políticas governamentais para incentivar o consumo de alimentos mais saudáveis. Na prática, a função da relatora da ONU é analisar, de maneira independente, questões relacionadas a alimentos e direitos humanos em todo o mundo.

Ela diz, por exemplo, que a combinação de más dietas, a falta de tempo para cozinhar e táticas de marketing “agressivas” da indústria alimentícia contribuem para o aumento do sobrepeso. E entende que os governos ao redor do mundo não estão atuando com a seriedade que deveriam.

“Com as mudanças climáticas e a obesidade causando sérias ameaças à saúde humana em todo o mundo, seria de esperar que os governos estivessem se movendo com um maior senso de urgência. Infelizmente, não estão”, afirmou.