Tecnologia

Algoritmos da riqueza

Startup argentina de inteligência artificial cria solução para a indústria de gestão de fortunas e entra de cabeça no mercado brasileiro.

Crédito: Divulgação

"Quem não entender o seu cliente, vai perder para a concorrência” Carlos Naupari, CEO da Fligoo no Brasil. (Crédito: Divulgação)

Quantas vezes você já se deparou com a dificuldade de escolher um presente para um familiar? É uma situação corriqueira. No Natal de 2012, o argentino Marcos Martínez esteve diante do desafio. Na hora de escolher o regalo da sogra, usou seus conhecimentos como engenheiro de computação para criar um algoritmo capaz de fazer cruzamentos de dados da navegação pela internet da mãe de sua namorada. Visitas a sites, curtidas, comentários e compartilhamentos em redes sociais foram analisados até chegar ao produto mais adequado: um perfume Lancôme. Na mosca! Ela gostou e, de quebra, passou a incentivar o casamento com sua filha, o que aconteceu um pouco mais tarde. Martínez contou sua história aos amigos Juan Cruz Garzón e Lucas Olmedo.

Com visão mais apurada de negócios, viram que estavam diante de uma oportunidade. E juntos criaram a Fligoo, empresa de inteligência artificial que possui framework proprietário de mais de 4 mil algoritmos que ajudam outras empresas a usar dados para incrementar vendas, reter clientes e otimizar processos. Agora, oito anos depois de achar o presente ideal para a sogra, partir para o Vale do Silício e ampliar sua atuação pelo mundo, Martínez lidera a equipe que acabou de fechar parceria com a fintech americana Broadridge Financial Solutions para o desenvolvimento de soluções focadas no mercado de wealth management, que permite análise preditiva para a indústria de gestão de fortunas, com personalização das ofertas e o consequente aumento da satisfação dos clientes.

Carlos Naupari, CEO da Fligoo no Brasil, diz que a empresa potencializa a capacidade das pessoas. “Para serem mais eficientes, com decisões mais acertadas e recomendações de ações específicas para cada cliente.” A startup começou a operar no País em janeiro de 2020 com escritório em São Paulo, possui cinco grandes clientes e está em expansão após receber aporte de R$ 40 milhões em setembro do ano passado, liderado por family offices americanas e brasileiras. A solução usada pela Broadridge é a Fligoo Sharp AI Enterprise Suite, criada para a nova parceira. É usada para analisar dados a fim de reter clientes. “Conseguimos prever com 93% de certeza se um cliente vai deixar a corretora”, disse Naupari.

Inteligência artificial da startup definiu regiões onde seria lançada a Topo Chico, a Hard Seltzer da Coca-Cola. (Crédito:Divulgação)

A solução é decisiva num mercado altamente voraz. Facilita, por exemplo, o trabalho de um corretor que possui centenas de clientes em sua carteira. Um investidor que fazia trading todos os meses e passou a aplicar valores menores em maior espaço de tempo vai ter esse comportamento captado pelo algoritmo. Além disso, o sistema pode indicar a oferta de ações do ramo imobiliário que ele já conhece por ter obtido rendimentos no passado. “Fizemos um piloto desse produto nos Estados Unidos entre abril e maio de 2020, período de grande volatividade no mercado. Com recomendações a uma grande casa financeira, conseguimos reter US$ 300 milhões de ativos”, disse o executivo, empolgado com a possibilidade de fechar negócios no setor financeiro brasileiro, diante do aumento do interesse por investimentos em bolsa de valores e a especialização de corretoras.

PÕE GÁS Entre os clientes globais da Fligoo estão Coca-Cola, Mastercard e Walmart. Para a gigante de bebidas, a startup fez análise de dados baseada no histórico de vendas, comportamento de consumidores e informações demográficas nos Estados Unidos, definindo as regiões onde seriam lançadas inicialmente a Topo Chico, água com gás alcoólica saborizada (hard Seltzer). No Brasil, a Fligoo tem investido em contratações para incrementar o time de 15 colaboradores.

Naupari toca a operação nacional ao lado de Priscilla Salles, VP de Business Development. Entre os cinco clientes locais estão B2W, Itaú e MAG Seguros. “Estamos em prospecção de novos negócios”, disse Carlos Naupari, um peruano apaixonado pelo Brasil e pelo futebol. É flamenguista de coração. O CEO está animado com a projeção para este ano, depois de bater recordes em 2020. “Quem não entender seu cliente, vai perder para a concorrência.” Como dar um presente errado para a sogra poderia acabar com um relacionamento.

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