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Alexa, o que vem agora?

Assistente de voz da Amazon ganha nova versão e aprimora seus recursos de reconhecimento facial e de comandos. Robô se tornou “amiga” dos clientes na pandemia.

Crédito: Gabriel Reis

UMA NOVA COMPANHEIRA A executiva Talita Taliberti. que comanda a Alexa no Brasil, diz que as tecnologia do dispositivo vão evoluir no ritmo do crescimento das interações. (Crédito: Gabriel Reis )

Alexa, imite a Aracy da Top Therm”. “Alexa, solte um pum”. “Alexa, sextou”. Pode parecer estranho, mas são essas algumas das frases e pedidos mais repetidos pelos brasileiros à Alexa, assistente de voz da Amazon, durante a pandemia. De novembro de 2020 a novembro de 2021, o dispositivo recebeu mais de 320 milhões de ordens para apagar e acender a luz, 38 milhões de bom dia e inúmeras outras interações – triviais e inusitadas – com os brasileiros. Tanto é que a gigante do Vale do Silício decidiu lançar, na quarta-feira (11), a mais nova versão do aparelho, o Echo Show 15, por R$ 1.900, seis meses depois do mercado americano. O objetivo é consolidar a Alexa como um hub de entretenimento e automação em um momento em que, mesmo com o provável fim da pandemia, as pessoas estão mais habituadas a passar mais tempo dentro de casa.

Mais tropicalizada do que nunca, o sistema de machine learning da Alexa está calibrada para reconhecer com mais precisão a biometria facial dos usuários e, principalmente, reconhecer sotaques, expressões e gírias dos brasileiros, segundo Talita Taliberti, country manager da Alexa no Brasil. “Percebemos que muita gente encontrou na Alexa uma companhia durante o isolamento social, uma melhor amiga”, disse a executiva. “Quanto mais a interação cresce, mais a Alexa aprende.”

A empresa não revela números e cifras de vendas no mercado local, mas garante que o País se tornou um motor de crescimento do device no mundo e uma imensa fábrica de skills (habilidades do sistema). A primeira versão da Alexa, lançada nos Estados Unidos e só em outubro de 2019 no Brasil, possuía apenas 300 skills. O modelo mais recente sai da caixa com mais de 2 mil skills e capacidade de atualização constante. “Nosso objetivo é ter cada vez mais recursos plugados na Alexa, com ferramentas de lazer e entretenimento até funções mais complexas, de assistência pessoal”, afirmou Talita. Embora a empresa prefira o silêncio quando trata de números de mercado da Alexa, um recente levantamento do portal de tecnologia Canaltech constatou que a robô da Amazon é top of mind em comando de voz para 70% dos brasileiros.

O potencial de amadurecimento da Alexa e suas rivais, como Google Assistente, é imenso. Segundo um estudo da Visa, as tecnologias baseadas em voz devem movimentar mais de US$ 40 bilhões em todo o mundo até o final deste ano. Além disso, até 2025, 300 milhões de pessoas passarão a utilizar algum tipo de speaker inteligente. Já no mercado brasileiro, de acordo com estimativas da Associação Brasileira de Automação Residencial e Predial (Aureside), o número de residências no Brasil com algum tipo de automatizado passou de 300 mil, em 2016, para 2 milhões, em 2020. Até 2025, o chamado Smart Home deve crescer 22% ao ano, com receita de R$ 16 bilhões.

Assim como a Alexa aprende mais com os brasileiros, as empresas de tecnologia se aprimoram no ritmo de novos lançamentos em eletrodomésticos conectados. Gigantes globais como Samsung, Philips e Midea, ou mesmo as nacionais Positivo, Intelbras, Steck e Smarteck, oferecem recursos de controle da casa por voz ou por apps no smartphone. “O smart home é uma revolução tanto para as empresas do setor quanto nos hábitos das famílias”, disse João Paulo Nuno Veira, consultor de tecnologia e especialista em assistentes de voz.

RECURSOS Além de maior, a Echo Show 15 se propõe a compor a decoração do ambiente, como um quadro na parece. Este é o primeiro Echo Show projetado para ser pendurado, permitindo que usuários possam não apenas enfeitar a sala ou quarto com um slide de fotografias favoritas que mudam em alguns segundos, como também possam controlar toda a casa inteligente, realizar pedidos e assistir vídeos pelo dispositivo. O modelo possui tela de 15,6 polegadas com resolução Full HD e câmera para chamadas de vídeo.

Enquanto os brasileiros aprendem a falar com a Alexa, e a Alexa aprende com os brasileiros, a Amazon vai se consolidando em um segmento novo e em intensa evolução. Alexa, qual é a próxima novidade?