Economia

Alemanha se despede de sua ‘década dourada’ de crescimento

Alemanha se despede de sua ‘década dourada’ de crescimento

Indústria alemã foi afetada por inúmeros fatores, como guerras comerciais e Brexit - AFP

O crescimento da economia alemã desacelerou em 2019 – informou um órgão oficial nesta quarta-feira (15), o que alimentou o debate sobre como usar os superávits fiscais para estimular o Produto Interno Bruto (PIB).

A primeira economia da União Europeia (UE) cresceu 0,6% em 2019, um número que contrasta com o 1,5% registrado em 2018 e 2,5% em 2017, disse o Departamento Federal de Estatística, o Destatis.

“O momento de crescimento diminuiu significativamente no ano passado”, afirmou o especialista do Destatis, Albert Braakmann, em entrevista coletiva em Berlim.

A instituição observou, porém, que os dez anos sucessivos de crescimento representaram, para a Alemanha, sua maior expansão desde a reunificação do país, em 1990.

Agora, porém, “a década de ouro a que a Alemanha assistiu em termos de crescimento está gradualmente chegando ao fim”, disse Holder Schmieding, do Barenberg Bank.

Guerras comerciais, contratempos políticos como o Brexit, crescimento global mais lento e uma variação quase incomum no setor automotivo acabaram afetando a indústria alemã nos últimos anos.

“O complicado ambiente de negócios no exterior causa estresse permanente na indústria alemã”, disse Fritzi Koehler-Geib, economista-chefe do banco público de investimentos KfW.

Graças aos baixos índices de desemprego e a um setor terciário mais resistente, “a forte demanda doméstica salvou a economia de uma recessão no ano passado”, acrescentou.

No nível internacional, dois elementos podem quebrar os fabricantes orientados para a exportação: a assinatura, prevista para esta quarta-feira, da “primeira fase” de um acordo comercial entre China e Estados Unidos; e a recente votação favorável ao Brexit obtida pelo primeiro-ministro britânico, Boris Johnson.

Na terça-feira, porém, a agência de classificação de risco Moody’s alertou para uma “deterioração do ambiente global que dificultará o crescimento da economia dos países-membros da UE” em 2020.

O Banco Central alemão, Bundesbank, está apostando em que o crescimento da economia este ano será semelhante ao de 2019, mas algumas consultorias e analistas apontam que pode ser um pouco maior, em torno de 1%.

O Destatis informou que o PIB cresceu levemente no quarto trimestre de 2019, embora não tenha fornecido números.

Isso representa “um dado moderadamente positivo para o início de 2020”, tuitou o analista Oliver Rakau, da Oxford Economics.

– Mais gastos-

De acordo com uma primeira estimativa do Destatis, o país registrou em 2019 um superávit de 49,8 bilhões de euros em suas contas públicas, ou seja, 1,5% de seu PIB, uma queda em relação ao recorde histórico de 62,4 bilhões euros do ano anterior.

Um crescimento permanentemente anêmico e vários desafios estruturais – de uma população cada vez mais envelhecida a uma infraestrutura deteriorada, em meio à transição para a produção de carros elétricos – fizeram Berlim gastar mais, tanto dentro quanto fora do país.

Seus críticos denunciam que os sucessivos governos da chanceler Angela Merkel insistiram em se apegar ao dogma da política orçamentária para evitar déficits, ou dívidas, conhecidas como “zero negro”.

Nos últimos anos, os bilhões de euros em superávits orçamentários não foram usados para estimular o crescimento. “Não são necessários estímulos de curto prazo”, disse Carsten Brzeski, economista do ING.

“Em vez disso, o excedente deve ser usado para reforçar investimentos em setores conhecidos: digitalização, infraestrutura e educação”, acrescentou.

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