Economia

Ajuda às aéreas não decola

Socorro de R$ 6 bilhões prometido pelo BNDES não sai do papel por impasse sobre a utilização do empréstimo. O nó coloca em risco a sustentabilidade das empresas do setor.

Crédito: Suamy Beydoun

POUSO FORÇADO Aéreas precisaram rever operação e avaliar os prejuízos trazidos pela pandemia. (Crédito: Suamy Beydoun)

Sancionado no começo de agosto pelo presidente Jair Bolsonaro, o pacote de ajuda às companhias aéreas não passou, até agora, de mais uma fantasiosa peça publicitária do governo federal. Os R$ 6 bilhões que seriam liberados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) possuem tantas regras de uso que, na visão das empresas, podem causar mais dor de cabeça do que virar solução. “É como um trabalhador pegar um empréstimo que não pode ser usado para aquisição de carro, casa, (compras no) supermercado, curso de férias, viagens e nem quitação de dívidas”, afirmou um alto executivo da Latam, que pediu para não ter o nome revelado. Pouco antes da pandemia, a Latam havia entrado em recuperação judicial nos Estados Unidos, decisão que tem ajudado a companhia a atravessar a tempestade da crise deste ano. “A impressão é que as regras foram criadas para inviabilizar os empréstimos”, disse a fonte.

Entre as exigências, a mais controversa é que os recursos não podem ser utilizados para pagamento de dívidas ou comprar aviões, dois dos maiores pesos sobre as contas das companhias. Sem ver a cor do dinheiro há quase seis meses, a Gol e a Azul buscaram uma solução interna para preservar o caixa e não depender dos empréstimos – com uso de recursos próprios e, especialmente, forte ajuste de custos. A Gol fez cortes de até 50% nos salários. No caso da Azul, havia dinheiro suficiente para aguentar 12 meses de operação, segundo a direção da empresa. Cada aérea brasileira, pela proposta do BNDES, receberia R$ 2 bilhões. Do total, 60% dos recursos viriam do banco estatal. Os bancos comerciais entrariam com 10%. Os 30% restantes seriam injetados por investidores do mercado, como fundos de investimento, que receberiam debêntures das empresas que aderirem à proposta.

CINTOS E MÁSCARAS Cuidados com a saúde de passageiros e tripulação são essenciais para as companhias atrairem os clientes de volta. (Crédito:Benedek)

O impasse envolvendo as companhias aéreas reflete, de certo modo, o drama e a incerteza que pairam sobre grande parte das empresas brasileiras. Para o economista Luís Alberto de Paiva, presidente da Corporate Consulting, falta estratégia por parte do governo. “Sem ferramentas efetivas e com pouco planejamento do governo, o futuro dos negócios e das empresas segue imprevisível”, disse Paiva, que enxerga dias difíceis pela frente, com reflexos importantes no mercado de trabalho. A alta da produtividade no modelo home office aliada a um mercado desaquecido pode acelerar o crescimento do desemprego, principalmente no setor de serviços. “As empresas estão precisando de menos pessoas para atingir o mesmo nível de entrega pré-pandemia”, afirmou o executivo, que já atuou como CFO e CEO de empresas como Grupo Accor, Lloyds Bank, Opportunity e Transbrasil.

Pelos cálculos da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), a Gol liderava o mercado de voos domésticos em agosto deste ano, com 38,5% de participação. Logo depois aparecem a Latam, com 30,9%, e a Azul, com 30,2%. A Gol anunciou para outubro oferta de 400 voos diários, com planos de alcançar 500 voos até o fim do mês. Assim, a companhia vai alcançar 60% do que era no ano passado e deve encerrar o ano com 70% a 80% da oferta que tinha no final de 2019.



Embora o impasse pareça sem solução, nos bastidores as negociações entre as aéreas e o BNDES estão ativas, mas sem muita expectativa. Em recente entrevista à DINHEIRO, o CEO da Azul, John Rodgerson, afirmou que a recuperação leva tempo e que, por meses, a empresa voou para cobrir custos de combustíveis. “Vamos demorar uns 18 meses para estar com 100% de novo”, disse o executivo americano.

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