Tecnologia

Airbnb luta para não encolher

Depois de queda de 70% em suas reservas em mercados como Ásia e Europa, plataforma registra crescimento da procura por estadias de longo prazo de quem busca isolamento.

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BRIAN CHESKY CEO e cofundador do Airbnb aposta no desejo das pessoas de ter experiências pelo mundo como bússola para a empresa enfrentar a crise do coronavírus e sair mais forte. (Crédito: Divulgação)

Foi a partir de uma crise que o Airbnb nasceu. No colapso financeiro global de 2008, os proprietários de imóveis colocaram seus quartos, suas casas ou seus apartamentos para alugar e assim obter uma renda extra. Os viajantes, que queriam pagar menos pelas estadias, gostaram e assim a plataforma que juntou as duas pontas e deu segurança financeira às transações decolou. E se tornou sinônimo de hospedagem e experiências de viagem. São 7 milhões de opções de endereços, em mais de 50 mil cidades de 200 países. Agora, no entanto, outra crise ameaça a operação: o coronavírus, que praticamente estrangulou o trânsito de pessoas na maior parte do planeta. Os primeiros setores afetados foram o de aviação, hotelaria e turismo. A empresa sentiu o golpe. Com a Covid-19, o número de reservas caiu mais de 70% em mercados como Ásia e Europa, segundo a consultoria AirDNA, que coleta dados sobre a plataforma.

Para quem nasceu numa crise, a saída estará obrigatoriamente em outra crise. A companhia observou, no Brasil, principalmente nos centros urbanos, uma mudança no perfil das estadias. Houve aumento de 24% (na comparação entre março de 2019 e o mesmo mês deste ano) na demanda por hospedagens mais longas (acima de 28 dias), nos mesmos municípios em que os interessados moram. A avaliação da empresa é de que o objetivo desses clientes é preservar a saúde das pessoas que fazem parte do grupo de maior risco para a Covid-19.

TURISTAS A DISTÂNCIA: Queda na procura por destinos como a Europa (na foto, a Suíça), chega a 70% por causa da Covid-19. Ainda assim, empresa recebe aporte de U$ 1 bilhão de dois fundos de investimento.

De acordo com a plataforma, também foram observadas reduções de valor por anfitriões para reservas nesse perfil. No mundo todo, cerca de 80% das pessoas que oferecem espaços para locação na plataforma estão aceitando receber menos pelas reservas. E metade das acomodações do Airbnb agora tem descontos para períodos de permanência de um mês ou mais. Entre os perfis de hóspedes, predominam idosos, famílias em busca de mais espaço para que as crianças possam fazer suas tarefas enquanto os pais trabalham de casa e estudantes universitários que precisam se acomodar enquanto escolas estão fechadas. Se essa tendência for mantida após a quarentena, o Airbnb tende a fazer mais investimentos nesse modelo, que é mais parecido com o de imobiliária virtual.

Com uma diferença. Sem burocracias de comprovantes, fiadores e contratos para as permanências das pessoas nos imóveis dos anfitriões. Uma briga que a plataforma deve encarar com o mercado imobiliário, depois de se desentender com o setor hoteleiro, que a acusa de concorrência desleal e desproporcional. “A ampliação dos segmentos de atuação da empresa é um processo natural, em um mercado que está em clara transformação”, afirma a economista Ana Paula Campello, especialista em mercado imobiliário da Universidade Federal Fluminense.

Mesmo diante de um cenário de incertezas, o Airbnb acaba de captar US$ 1 bilhão em investimento dos fundos Silver Lake e Sixth Street Partners. A rodada é um desafogo importante para a empresa socorrer a comunidade de anfitriões, muitos dependentes da receita gerada pela plataforma. O CEO e cofundador do Airbnb, Brian Chesky, disse em comunicado que o desejo de explorar, conectar, ter novas experiências e um lugar confortável para chamar de lar é universal e duradouro. “E nosso compromisso de criar um senso maior de pertencimento, para todos, em qualquer lugar, nunca vai mudar”, afirmou, em comunicado. O executivo não tem concedido entrevistas, assim como o presidente do Airbnb no Brasil, Leo Tristão. A estratégia de comunicação global da empresa é se pronunciar apenas por notas oficiais.

FUNDOS DE AJUDA Parte dos recursos investidos pelo Silver Lake e pelo Sixth Street Partners, US$ 5 milhões, será destinada pelo Airbnb como aporte adicional ao fundo de ajuda aos chamados superhosts, anfitriões mais experientes e bem avaliados da plataforma. Esse montante chega agora a US$ 17 milhões. Outra parte, de US$ 250 milhões, vai ser disponibilizada para ajudar os anfitriões a cobrir custos dos cancelamentos relacionados à pandemia contemplados na Política de Causas de Força Maior – a companhia deixou de cobrar as taxas de serviço em cancelamentos. O dinheiro dos dois fundos vem na hora certa, ainda mais se for levado em conta que o check-in do coronavírus nos negócios do Airbnb também contaminou a intenção da companhia de estrear no mercado de ações em 2020. O plano de abrir o capital (IPO) só deve voltar à pauta em 2021, avaliam especialistas. De acordo com estimativas do mercado, a companhia tinha valor de US$ 31 bilhões no ano passado.

Outra medida tomada pela plataforma para minimizar as consequên-cias da pandemia é a vertente de Experiências On-line, que permite que hóspedes viajem sem sair de casa e, dessa forma, mantenham a renda extra no fim do mês dos anfitriões. É possível, por exemplo, reunir on-line amigos para acompanhar um concerto de Tango com indicados ao Grammy Latino (Buenos Aires, Argentina), fazer meditação guiada com ovelhas sonolentas (Loch Lomond, Reino Unido), ter aulas de café com um juiz certificado pelo Judge Certification (Cidade do México, México) ou aprender culinária com uma família marroquina (Marraquexe, Marrocos), entre outras atrações. As atividades ocorrem por meio do aplicativo de videoconferência Zoom, com acesso oferecido gratuitamente aos anfitriões. Aos clientes, os preços variam entre US$ 1 e US$ 40.

“A conexão humana está na nossa essência”, disse Catherine Powell, chefe global de experiências do Airbnb, em nota. “Com tantas pessoas precisando ficar dentro de casa, queremos oferecer uma oportunidade de anfitriões e hóspedes se conectarem da única maneira possível neste momento: on-line.”

RESILIÊNCIA Nesta fase, estão disponíveis mais de 50 opções de experiências e, segundo a startup, milhares de outras serão incluídas nos próximos meses. Porém, ainda não há nenhuma atividade do Brasil que faça parte do roteiro virtual. Apesar das tentativas de manter vivo seu ecossistema neste momento delicado, o Airbnb admite que haverá consequências no segmento de viagens e turismo globalmente.

Os dados mais recentes mostram que, só no Brasil, a empresa gerou um impacto econômico de R$ 7,7 bilhões em 2018, considerando toda a cadeia que envolve o turismo, como restaurantes e comércio locais, não apenas hospedagem. No mundo, uma equação similar eleva a conta a superar U$ 100 bilhões. A plataforma aposta em seu segmento. De toda forma, a retomada só acontecerá quando o hóspede indesejado fizer seu checkout. E isso não tem data para ocorrer. Mas o Airbnb segue otimista: “O desejo de viajar e ter novas experiências é permanente. E isso faz dessa indústria uma das maiores e mais resilientes do mundo.”

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