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AI denuncia uso de programa espião para reprimir ativistas

AI denuncia uso de programa espião para reprimir ativistas

(Arquivo) A sede do grupo israelense de NSO em Herzliya, perto de Tel Aviv - AFP/Arquivos

A Anistia Internacional (AI) denunciou nesta quinta-feira o uso de um programa de computador espião da empresa israelense NSO para reprimir os defensores dos direitos humanos, tomando como exemplo o caso de dois militantes marroquinos.

“As investigações da Anistia Internacional revelaram novos elementos aterrorizantes que mostram mais uma vez como o software do Grupo NSO facilita a repressão dos defensores dos direitos humanos apoiados pelo Estado”, disse Danna Ingleton, vice-diretora da Anistia Internacional em um comunicado.

A ONG, com sede em Londres, detalha o caso de duas personalidades marroquinas. Maati Monjib, um intelectual atualmente em processo judicial, e Abdesadak El Buchataui, advogado de direitos humanos que defendeu os manifestantes de Hirak, um movimento de protesto ocorrido no Rif (norte) em 2016-2017, que são vítimas de tais programas.

“Os dois foram submetidos a ataques repetidos desde 2017” usando o programa spyware, diz a Anistia Internacional, que afirma “temer que os serviços de segurança marroquinos estejam por trás dessa vigilância” no quadro de uma repressão “mais ampla contra os defensores dos direitos humanos no país”.

Com sede em Israel, o grupo NSO é conhecido por este programa de espionagem, o Pegasus, que permite acessar dados de um smartphone e controlar a câmera ou o microfone do aparelho.

A NSO tem uma reputação desprezível e é acusada de ajudar governos, do Oriente Médio ao México, a espionar ativistas e jornalistas.

Em resposta à Anistia, o grupo indicou que iniciaria uma investigação e acrescentou levará a sério as acusações de Anistia.

“A NSO entrou em contato com a AFP e fez um discurso semelhante. Em comunicado, a empresa reiterou que seus produtos eles pretendiam “investigar crimes e contraterrorismo” e não eram “ferramentas para monitorar dissidentes e ativistas de direitos humanos”.

A Anistia, por sua vez, disse que, em maio, apoiou uma ação legal contra o Ministério da Defesa de Israel para cancelar a licença de exportação da NSO.

Segundo a ONG, em 2018 o Pegasus foi usado para atacar um de seus membros e uma pessoa que defendiam os direitos humanos na Arábia Saudita.

A NSO diz que não usa o programa e apenas o vende aos governos.

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