Edição nº 1095 09.11 Ver ediçõs anteriores

Agora vai? Tudo indica que sim!

Estimulado pelos resultados das eleições, o mercado reage de forma positiva, criando a expectativa de aceleração de investimentos e de transações de F&A

Agora vai? Tudo indica que sim!

Há pouco mais de uma semana chegava ao fim uma das eleições mais desgastantes e tensas da história do Brasil, com a eleição de Jair Bolsonaro para Presidente da República e uma renovação histórica na câmara dos deputados, senado e governos estaduais, mostrando que o brasileiro quer algo diferente para o futuro.

E esse “algo diferente” realmente deve acontecer… pelo menos no que tange a investimentos no Brasil, já que a incerteza política que o Brasil viveu durante todo este ano tem sido apontada como o principal fator que vinha “espantando” os investidores estrangeiros e postergando várias transações de F&A (fusões e aquisições) no Brasil.

No que tange ao Investimento Direto no País (IDP), as notícias são positivas mesmo antes do término das eleições. Segundo dados do Banco Central, o volume de IDP no Brasil, que no primeiro semestre de 2018 fora de US$ 29.9 bilhões (18% menor que o mesmo período de 2017), registrou um crescimento de 40% no terceiro trimestre do ano, gerando um volume acumulado de janeiro a setembro 2018 de US$ 52.2 bilhões, que é praticamente igual ao do mesmo período de 2017. Segundo projeções atualizadas do Banco Central, o IDP em 2018 deve ser passar os US$ 72.0 bilhões (superior aos US$ 70.7 bilhões de 2017).

Já no mercado de Fusões & Aquisições, o cenário é um pouco diferente pois, segundo relatório da TTR (Transactional Track Record), no acumulado de janeiro a setembro de 2018, há uma queda de 8,0% na quantidade de transações e de 11,3% no volume gerado por elas quando comparado ao mesmo período de 2017. Muito pela extremamente baixa atividade no terceiro trimestre, que registrou queda de 18,0% no número de transações e 52,7% no volume por elas gerado em comparação ao mesmo período de 2017, mostrando que muitas transações foram refreadas até a decisão das urnas.

Esse cenário de “espera” no mercado de F&A era previsto, conforme O Estado de São Paulo noticiou em setembro “Tensão pré-eleição faz fundos (de Private Equity) elevarem capital ‘represado’ no País em R$ 36 bilhões”. Porém, conforme notícia do Valor em 30 de outubro, “Fim da eleição destrava cerca de US$ 33 bilhões em transações”, há uma expectativa, segundo a estimativa feita pela equipe de análise de mercado da Bloomberg, que a eleição de Bolsonaro destrave um volume de R$ 122 bilhões em transações no Brasil, incluindo oferta de ações (IPO e Follow-Ons) e operações de fusões & aquisições. A melhor perspectiva em quase uma década.

Soma-se a isto a entrevista de Alexandre Ibrahim, responsável pela área internacional da Bolsa de Valores de Nova York (NYSE), publicada em 29 de outubro pela Folha de São Paulo com o título “Dinheiro está voltando para o Brasil, diz executivo da Bolsa de Nova York”, os anúncios de investimentos no Brasil feitos recentemente por várias empresas (ver a matéria “Eleição de Bolsonaro detona onda de investimento” do O Antagonista em 03 de novembro) e a recente decisão do Governo Brasileiro de aprovar o investimento estrangeiro em FinTechs (Empresas que usam tecnologia como base para prestação de serviços financeiros), dentre várias outras boas notícias divulgadas desde o fim das eleições, as perspectivas futuras do mercado não poderiam ser melhores. Tanto que o Bovespa vem operando em alta, quebrando recordes e já muito próximo dos 90 mil pontos.

Com isso, é esperado que o volume de transações de F&A nos últimos dias do ano seja bem elevado e que 2019 seja o melhor ano do mercado de Fusões & Aquisições no Brasil, com especial destaque para projetos de consolidação em setores como saúde, educação e tecnologia. Os ativos brasileiros ainda estão baratos (após anos de recessão e crise), e em especial para o capital estrangeiro diante da cotação do Real (se você está avaliando uma transação de F&A, é melhor correr, pois esta “janela” não fica aberta para sempre).

Claro que toda esta euforia está fundamentada nas expectativas geradas na campanha do novo Presidente da República, inclusive de aprovação (urgente) de reformas estruturais, como a da previdência e a tributária. Tarefa árdua em um País “dividido” no pós-eleição e que irá requerer muita habilidade política do nosso novo presidente (e sua equipe de governo) e muita responsabilidade e seriedade de nossos deputados e senadores.

Mas, apesar destes desafios, há de se convir que podemos acreditar que agora vai! É só fazer acontecer.

P.S: Corroborando com o texto, logo após finalizar este artigo, recebi ligação de um amigo, CEO de uma grande Empresa estrangeira de tecnologia, querendo orientação e ajuda para estabelecer a Empresa no Brasil. Boa!


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