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Adeus, preço médio

Novo produto da B3, o RLP promete revolucionar a forma como o investidor pessoa física opera no mercado

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Vitor Baldi, da CM Capital Markets: “Foi a medida mais importante para beneficiar o investidor pessoa física dos últimos dez anos” (Crédito: Divulgação)

Os brasileiros acorreram à bolsa atrás de rentabilidade devido aos juros baixos. Para que esse movimento não se limite à renda variável, a B3 busca facilitar a vida dos investidores dispostos a arriscar nos mercados mais voláteis dos minicontratos futuros de dólar e de Índice Bovespa. O provedor de liquidez ao varejo, que foi lançado com a denominação em inglês Retail Liquidity Provider, ou RLP, vai mudar a forma de fazer transações. Ele garante que o investidor poderá vender grandes quantidades desses ativos por um único preço. Até então, a baixa liquidez vinha obrigando os vendedores a fechar negócios por preços diferentes. Com o novo sistema, as corretoras passarão a atuar como contrapartes das operações, evitando a necessidade de dividir os lotes à venda.

Funciona assim: o investidor que quer vender lotes grandes de contratos tem, em geral, de buscar mais de um comprador e investidores diferentes pagam valores diferentes. Isso obriga o vendedor a fazer um preço médio. Por exemplo, ao vender 10 mil contratos a R$ 0,99 cada, o investidor talvez consiga vender só metade por esse valor, tendo de se desfazer dos restantes por R$ 0,98, aumentando a dificuldade na hora de calcular o preço médio e o eventual imposto a pagar.

MUDANÇA NO VAREJO Os profissionais do mercado acreditam que o lançamento vai mudar a forma do investidor de varejo operar. “Foi a medida mais importante para beneficiar o investidor pessoa física dos últimos dez anos”, afirma Vitor Baldi, diretor da corretora CM Capital Markets. “A corretora vai assegurar ao cliente a venda do lote total pelo melhor preço que estiver sendo oferecido naquele momento”, afirma.

Baldi diz que, em uma semana, 85% da base de clientes da CM Capital Markets havia migrado para o RLP e as negociações na corretora aumentaram cerca de 30%. “A liquidez deixou de ser um entrave”, diz o diretor. “O investidor que não operava no mercado por medo de não conseguir vender o lote a um preço adequado não terá mais esse problema.”

A B3 assumiu todos os custos do projeto. “Pela primeira vez, o cliente pessoa física foi beneficiado sem nenhum custo adicional”, afirma Baldi. A quantidade de ativos no RLP será ampliada conforme os investidores forem se familiarizando. “O objetivo com o produto é aperfeiçoar a regulamentação do mercado de capitais e incentivar o crescimento do investidor pessoa física”, diz Felipe Paiva, diretor de relacionamento com clientes da B3.