Negócios

Acordos à jato

Duas semanas após criar uma joint venture com a americana Boeing, a brasileira Embraer fecha a venda de 300 jatos, que podem render US$ 15 bilhões à empresa. Quanto esse acordo contribuiu para os negócios?

Crédito: Ricardo Beccari

Alçando voo: o maior acordo pode garantir a venda de 200 aeronaves para a americana Republic (Crédito: Ricardo Beccari)

Duas semanas após anunciar a criação de uma joint venture na área de aviões comerciais de médio porte com americana Boeing, a brasileira Embraer viveu dias agitados na feira britânica de aviação de Farnborough Air Show, uma das principais do setor no mundo, que acontece anualmente no sudoeste de Londres. Em menos de 48 horas, a companhia presidida por Paulo Cesar de Souza e Silva reforçou sua carteira de pedidos com cerca de 300 novas encomendas e intenções de compra de sua família de jatos comerciais E-Jet, além da nova linha E2. São acordos com potencial de reforçar a carteira de pedidos da fabricante brasileira em US$ 15 bilhões.

Chamou a atenção o fato de as maiores encomendas para a Embraer terem sido feitas por companhias americanas. Na maior delas, são cerca de 100 jatos E175 pedidos pela americana Republic Airways, que opera voos para as três maiores companhias dos Estados Unidos e é o maior cliente da Embraer no país. A United Airlines encomendou 25 aviões do mesmo modelo, num contrato de US$ 1,1 bilhão, com a primeira entrega prevista para o ano que vem. Apesar de a joint venture entre Boeing e Embraer indicar uma maior facilidade para o ingresso dos jatos de aviação regional da brasileira nos EUA, especialistas ouvidos pela DINHEIRO dizem que é prematuro afirmar que os negócios não teriam sido realizados antes do memorando de entendimento para a combinação entre Boeing e Embraer.

“As duas empresas atuaram de forma separada na feira, com equipes comerciais e estratégias independentes”, diz Alexandre Barros, especialista em aviação e diretor do portal Aviação Brasil. “É diferente de como fez a Airbus e a Bombardier, que já concluíram o negócio entre si.” Os contratos fechados pela Embraer na Inglaterra ajudam a afastar outras preocupações. A brasileira Azul fez um pedido de 30 unidades do E195-E2, o que mantém a confiança da companhia de que o empresário David Neeleman vai se manter fiel à empresa em detrimento da linha C Series, da rival Bombardier, tanto para a JetBlue como para a nova companhia que pretende criar, ainda sem nome.

Em outro desdobramento dessa parceria, o mercado da aviação comenta que avançaram as conversas para que Embraer e Boeing criem a segunda joint venture, agora no segmento de defesa, para vender o avião cargueiro brasileiro KC-390. A expectativa é ter o modelo pronto até outubro, ainda no governo de Michel Temer. O avião interessa a Boeing, que poderia utilizar a sua força comercial junto a militares de governos pelo mundo para ajudar as vendas a decolarem, o que não aconteceu com KC-390 até agora. Mas há nuvens escuras no horizonte. O presidenciável Ciro Gomes declarou, na quarta-feira 18, ter enviado uma carta à Boeing para paralisar a união do negócio de jatos comerciais da Embraer, alegando que seria um “acordo clandestino”.