Finanças

Ações para ficar em alta

Aprovação do uso recreativo da maconha no Canadá atrai investidores para um negócio que pode movimentar R$ 22,8 bilhões por ano

Ações para ficar em alta

A partir de outubro, o Canadá será o primeiro país do G7 a legalizar o uso recreativo da maconha. A decisão, aprovada pelo Senado no fim de junho, já era esperada pelos investidores e fez disparar os preços das ações. Os papéis da Canopy Growth, maior empresa canadense de maconha medicinal, subiram 381% em 12 meses, elevando o seu valor de mercado a R$ 22,7 bilhões. Porém, a companhia, que tem sete unidades de produção, faturou apenas R$ 88,6 milhões no último trimestre, alta de 5% em relação ao período anterior.

O setor de maconha legalizada inclui centenas de empresas, desde as que cultivam a erva para uso medicinal ou recreativo, até as que pesquisam medicamentos. Cerca de 50 delas têm ações listadas em bolsa. “Elas podem se beneficiar muito à medida que mais países e Estados americanos legalizarem a venda e a posse da erva”, diz Matthew Paulson, analista independente.

Os bancos já se interessaram pelo potencial desse mercado. Na semana passada, o Banco de Montreal emprestou R$ 594 milhões para a Aurora Cannabis, segunda maior produtora canadense de maconha medicinal. Foi o maior empréstimo até agora para uma companhia do setor, cujo valor de mercado é de R$ 11,8 bilhões. A garantia são as instalações da empresa, sediada em Edmonton, capital da província de Alberta, no Oeste do Canadá. Com o dinheiro, a empresa espera dobrar sua produção, para 100 toneladas anuais.

De acordo com a consultoria New Frontier, uma das maiores da indústria, o mercado doméstico no Canadá deve movimentar R$ 5,04 bilhões em 2018. Essa cifra pode avançar para R$ 22,8 bilhões em 2025, sem considerar as exportações. “Combinados, os usos médico e recreativo vão gerar um mercado comparável ao da Califórnia”, diz Giadha Aguirre, fundadora da consultoria. O Estado americano legalizou o uso recreativo no início deste ano e gerou um mercado de R$ 14,3 bilhões, ou 19% dos
R$ 74,8 bilhões gastos com cerveja pelos californianos em 2017.

A expectativa de aumento do consumo de cannabis e a demanda estagnada por álcool fez o setor ser movimentado por aquisições. No fim de 2017, a Constallation Brands, que distribui a cerveja Corona nos Estados Unidos, comprou por R$ 742 milhões uma participação de 9,9% na Canopy e uma opção de dobrar a sua participação nos próximos anos.