A soma de forças que é uma ótima notícia para o futuro do vinho brasileiro

Parceria entre a Vinícola Família Davo e o Grupo Vitacea Brasil prevê dobrar o atual volume de produção de mudas clonadas para a viticultura em dois anos, além de criar e-commerce e soluções logísticas para distribuição dos produtos

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Murillo de Albuquerque Regina (à esquerda) e José Afonso Davo, que agora são sócios também no Grupo Vitácea Brasil. Produção da safra 2022 deverá saltar de 80 mil para 200 mil garrafas (Crédito: Divulgação)



Erguer a taça e fazer um brinde é um gesto carregado de simbologias. Pressupõe celebrar, reforçar votos de sucesso (principalmente saúde) e estreitar os laços afetivos entre as pessoas que se irmanam pelo vinho. Não foi diferente na ocasião da foto acima, em que o consagrado agrônomo e desenvolvedor dos vinhos de inverno Murillo de Albuquerque Regina (à esquerda) aparece brindando com o empresário José Afonso Davo, investidor do agronegócio e de empresas de transportes e logística.

O principal motivo do “tintim” foi a aquisição, por parte de Davo, de uma participação de quotas no Grupo Vitacea Brasil, até então controlado por Murillo Regina. O Grupo é líder nacional de viveiros vitícolas e maior produtor brasileiro de mudas de videiras, com 80% de market share e clientes em todo o território nacional.

Ambos já eram sócios na Albuquerque & Davo, empresa localizada em São Gonçalo do Sapucaí, no Sul de Minas Gerais. “Muito mais importante que o aporte de capital realizado é a oportunidade de trazer para o Grupo toda a experiência do Afonso como empresário, com sua energia e visão de negócio para o futuro do vinho brasileiro”, afirmou Albuquerque Regina. Além de agrônomo e pesquisador, ele é também enólogo e produtor de vinhos de qualidade, entre eles o espumante Carvalho Branco e a linha Primeira Estrada, da qual é sócio.

Segundo ele, os recursos da transação serão investidos para impulsionar suas diversas frentes de atuação, especialmente a produção de mudas clonadas, que deverão saltar das atuais 1,5 milhão por anos para 2,5 milhões em dois anos e avançar para 3 milhões em seguida. Os recursos também serão utilizados para elevar a capacidade de vinificação do Grupo. A previsão é que, das 80 mil garrafas produzidas na safra de 2021, o volume salte para 200 mil já na safra 2022.




“Trabalharemos ainda mais juntos em favor do desenvolvimento dos vinhos de inverno e da viticultura nacional de uma forma geral”, disse José Afonso Davo. “É uma honra estar ao lado do Murillo e junto do Grupo Vitacea”. Proprietário de um empreendimento voltado para o enoturismo em Ribeirão Branco, no Sul do Estado de São Paulo, próximo da fronteira com o Paraná, Davo possui na região 32 hectares de vinhedos que produzem suco e vinhos finos, entre espumantes, brancos e tintos.

Outro fruto importante dessa associação de conhecimentos é um marketplace de vinho, que irá comercializar a produção, valendo-se da expertise comercial, de gestão e de logística de José Afonso Davo para agilizar e escalar as operações do grupo. “Unimos as duas empresas, dando ainda mais robustez ao Grupo Vitacea para ampliar a produção de mudas, a área cultivada com vinhedos e a capacidade de vinificação”, afirmou Albuquerque Regina, ex-pesquisador da Epamig (Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais) e atual presidente da Anprovin (Associação Nacional dos Produtores de Vinho de Inverno). Como consultor, participou de cerca de 30 projetos vitivinícolas em todos o País.

Entre suas inúmeras realizações para a evolução do vinho nacional merece destaque o pioneirismo, no início dos anos 2000, da técnica da dupla poda. Trata-se de uma inversão do ciclo da videira para permitir a colheita durante o inverno, quando o clima seco e a maior amplitude térmica (diferença de temperatura entre o dia e a noite) contribuem para a perfeita maturação das uvas. O resultado foi uma melhora significativa na qualidade da matéria-prima e dos vinhos finos no Brasil. “Este ano conseguimos junto à Associação Brasileira de Enologia criar uma categoria especial de vinhos de inverno para a Avaliação Nacional da Safra, que antes era restrita aos vinhos de verão”, afirmou Albuquerque Regina. Já em 2022 serão avaliados pelos especialistas os vinhos de inverno de 2021, naquela que é a maior prova de vinhos de uma só safra no mundo, com mais de 1 mil participantes e 16 jurados.


“Agora, o que nós pretendemos é designar, a partir de pesquisas científicas, as Indicações Geográficas e criar Denominações de Origem para o vinho brasileiro de inverno”, disse Albuquerque. Atualmente, o Brasil possui apenas uma Denominação de Origem, a DO Vale dos Vinhedos, no Rio Grande do Sul. Além de assegurar a procedência e a qualidade dos vinhos, a DO agrega valor ao produto e amplia o apelo para penetração em mercados internacionais, que tendem a ser mais exigentes. Essa é a próxima fronteira do vinho brasileiro de inverno, e a julgar pelo entusiasmo de Davo e Regina, conquistar apreciadores também no exterior é só uma questão de tempo.







Sobre o autor

Celso Masson, 53, é jornalista, diretor de núcleo da Editora Três, winemaker e palestrante de vinhos. Nos últimos dez anos, vem estudando e acompanhando a produção, os negócios e os prazeres do mundo da enologia. Se formou winemaker após integrar um exigente programa oferecido pela Escola do Vinho Miolo. Já tem três rótulos produzidos em parceria com a inovadora vinícola brasileira.


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