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A seleção entra em campo

Analistas se inspiram na estratégia da Seleção Brasileira para montar e avaliar um time de investimentos apto para enfrentar este período turbulento do mercado

A seleção entra em campo

Na quinta-feira 16, a bola começou a rolar nos gramados russos. É tempo de Copa do Mundo, principal evento esportivo do planeta. Dias antes do apito do árbitro ressoar em Moscou, o técnico Tite testava um novo esquema tático para a Seleção Brasileira, mais defensivo que o original. Mudar de ideia tão de repente é arriscado, mas o treinador quer ter alternativas para enfrentar situações adversas. E o investidor em bolsa deve seguir o exemplo de Tite. O analista Filipe Villegas, da Genial Investimentos, escalou 11 ações para quem quer levantar a taça da rentabilidade. Villegas optou por um esquema tático clássico, o 4-4-2, reforçando a defesa para enfrentar os contra-ataques do mercado.

Os jogos começaram nos gramados russos em um momento no qual o principal índice da Bolsa brasileira acumula queda de 6,5% no ano, devido às incertezas com relação à eleição e à alta de juros nos Estados Unidos, que vem estimulando a saída de investidores estrangeiros do País. “Montei esse time como uma brincadeira séria”, diz Villegas. “É uma maneira didática de mostrar que é possível organizar uma carteira estratégica e obter um bom resultado mesmo neste momento de incerteza”, afirma.

Villegas escolheu um grupo de papéis para o curto prazo, considerando o tempo de duração da Copa, que acaba em 15 de julho. DINHEIRO ouviu também outros analistas, que avaliam os fundamentos das empresas considerando um período mais longo, até o fim do ano. A alta potencial de cada ação foi calculada a partir de um relatório da Ágora Investimentos, que indica o preço-alvo previsto para dezembro de 2018. No gol, a Ambev brilha. Patrocinadora da seleção brasileira por meio do Guaraná Antártica, a empresa é uma das mais resistentes às intempéries da economia. E tem mais pontos ao seu favor.

“Historicamente, a companhia se beneficia do aumento das vendas de cerveja na época da Copa”, diz Betina Roxo, analista da XP Investimentos, que espera resultados positivos nos próximos trimestres. Quem lidera a zaga é a resseguradora IRB Brasil. Ela deve se beneficiar da manutenção da taxa de juros Selic pelo Banco Central (BC) em 6,5% ao ano. Ao seu lado, Telefônica Vivo complementa a atuação. “A companhia de telefonia se mostra capaz de enfrentar a crise, mantendo o ritmo da receita”, diz Pedro Paulo da Silveira, analista da Nova Futura Investimentos.

Chegando ao meio de campo, o capitão do time é a Vale. Além de contar com uma administração que visa a redução de custos operacionais e a diminuição do endividamento, a mineradora se beneficia da alta do preço do minério de ferro, cotado entre US$ 65 e US$ 75 a tonelada. “A companhia deve continuar aumentando o pagamento de dividendos”, diz Rafael Passos, analista da Guide Investimentos.

Na lateral direita, a administradora de shopping centers Multiplan ajuda tanto na defesa quanto no ataque da carteira. Com um portfólio de 19 shoppings, entre eles o Morumbi em São Paulo e o BarraShopping no Rio, a companhia deve driblar o desempenho fraco da economia, avalia Gustavo Cambauva, analista do BTG Pactual, que recomendou a compra do papel em um relatório do início de junho. “A ação tem potencial de rentabilidade 20% superior a de seus pares”, escreveu ele.