Investidores

A saída está lá fora

Comprar papéis do exterior pode ser opção para enfrentar efeitos devastadores da pandemia no altamente volátil mercado brasileiro.

Crédito: Istock

Motivos para olhar o exterior não faltam. Especialmente financeiros. A equação é formada por uma taxa referencial Selic, em 3,75% ao ano e viés de queda – o que indica rendimentos baixos na renda fixa –, e as ações cotadas na B3 acumulando perdas consideráveis – até terça-feira 29, baixa de 29,68% no ano, o pior resultados dentre os principais índices do mundo. Com esses números, considerar o cenário externo é quase obrigatório e gestoras apontam que o interesse por outros mercados está em momento de amplo crescimento, mas na prática ainda é menor do que poderia ser. Muito por causa da própria cultura do brasileiro.

Segundo Fabiano Cintra, especialista em fundos da XP Investimentos, 99% dos investidores brasileiros têm viés doméstico. Para ele isso é natural, mas ressalta que diversificar é importante porque melhora a relação entre risco e retorno. “Os papéis do Brasil representam apenas 1% das ações globais e o nosso PIB não chega a 3% do produzido no mundo”, diz. “Investir em ações estrangeiras significa acessar melhores oportunidades.”

Marcus Vinícius Gonçalves, diretor-presidente da Franklin Templeton, acredita que o valor do dólar afasta alguns interessados, mas o câmbio não pode ser a única variável a ser considerada. “Uma vacina contra o coronavírus será criada por uma empresa estrangeira”, afirma. “Há oportunidades do ponto de vista da economia real, principalmente em empresas de tecnologia e na indústria farmacêutica, que podem lucrar mais rapidamente com o fim da crise.”

A plataforma de investimentos XP já possui opções para quem deseja investir em fundos no exterior. Em março, a empresa passou a dar acesso a investimentos em parceria com a gestora americana Wellington Management, batizado de Wellington Ventura Advisory. São dois fundos abertos a investidores brasileiros, um com proteção cambial (em reais) e outro com exposição à variação do dólar. O investimento mínimo é de R$ 5 mil. É cobrada taxa de 1% aqui e mais 1,04% fora. Não há taxa de performance. Desde que os fundos foram abertos já captaram R$ 200 milhões. Entre 13 de março e 23 de abril, a versão com proteção cambial rendeu 6,17% e a versão com exposição mais que o dobro: 15%. Para efeito de comparação, nesse mesmo período o CDI rendeu 0,39% e o Ibovespa caiu 3,63%.

Investir no exterior não é, no entanto, garantia de rendimentos. Em especial com os mercados globais impactados pela crise da Covid-19. Assim como a XP, a Franklin Templeton também tem opções de apostas no exterior. Em março deste ano, o Franklin K2 Alternative Strategies Fund, que aloca a maior parte de seus recursos em ativos nos Estados Unidos, apresentou desempenho negativo de 6,24%, mas muito menor do que a queda de 12,51% do índice S&P 500, que acompanha a bolsa de Nova York. Já o Franklin K2 Alternative Strategies FIC FIM IE, que tem 100% do patrimônio líquido alocado em um fundo em Luxemburgo, teve retração de 6,33%, contra queda de 29,9% do Ibovespa em março, por exemplo.

“Investir em ações do exterior pode significar acesso a melhores oportunidades” Fabiano Cintra XP Investimentos. (Crédito:Matt Writtle)

PREOCUPAÇÃO Uma das preocupações de investidores, muito lembrada por corretoras e gestoras do Brasil, é com relação ao grande volume de recursos financeiros despejados pelos governos para apoiar empresas e cidadãos prejudicados pela pandemia da Covid-19. Em especial, a ajuda multitrilionária americana. O receio é que um aumento gigantesco de moeda em circulação possa gerar, no futuro, uma onda inflacionária com impacto sobre o câmbio e também sobre o valor das ações. Para Gustavo Aranha, sócio da Geo Capital, historicamente “ser acionista de empresas capitalizadas e saudáveis protege o investidor de uma nuvem inflacionária”. Para os especialistas, apostar somente no mercado brasileiro é colocar os ovos na mesma cesta. Todas as empresas, independentemente do setor, estão sob o mesmo guarda-chuva macroeconômico.

Na carteira da Geo o fundo Empresas Globais com ou sem proteção cambial tem papéis como os de The Walt Disney Company e Comcast, entre outras. Segundo a gestora, o fundo, na versão sem proteção cambial, rendeu 49,04% em 24 meses contra -11,86% do Ibovespa no mesmo período. “Olhem para a possibilidade de diversificação geográfica”, diz Aranha, ressaltando que as boas companhias globais tendem a se recuperar mais rapidamente que as brasileiras. É comum os mercados sofrerem quedas e recuperações em períodos distintos, o que possibilita estratégias de proteção do capital investido. Mesmo com a Covid-19 nivelando os países, a diferença de tempo da retomada pode encurtar, mas existirá. E ganhar alguns meses de rendimento melhor faz muita diferença em tempos como o atual.

Veja também

+ Grave acidente do “Cake Boss” é tema de reportagem especial

+ Ivete Sangalo salva menino de afogamento: “Foi tudo muito rápido”

+ Bandidos armados assaltam restaurante na zona norte do RJ
+ Mulher é empurrada para fora de ônibus após cuspir em homem
+ Caixa substitui pausa no financiamento imobiliário por redução de até 50% na parcela
+ Teve o auxílio emergencial negado? Siga 3 passos para contestar no Dataprev
+ iPhone 12: Apple anuncia quatro modelos com preço a partir de US$ 699 nos EUA
+ Veja mudanças após decisão do STF sobre IPVA
+ T-Cross ganha nova versão PCD; veja preço e fotos
+MasterChef: competidora lava louça durante prova do 12º episódio’
+As 10 picapes diesel mais econômicas do Brasil
+ Cozinheira desiste do Top Chef no 3º episódio e choca jurados
+ Governo estuda estender socorro até o fim de 2020
+ Pragas, pestes, epidemias e pandemias na arte contemporânea
+ Tubarão-martelo morde foil de Michel Bourez no Tahiti. VÍDEO

+ Arrotar muito pode ser algum problema de saúde?