Tecnologia

A revelação da Kodak

Com spin-off alaris, empresa amplia foco para digitalização e softwares inteligentes em nuvem.

Crédito: Divulgação

OLHO NO FUTURO A diretora-geral da Alaris na América Latina, Vanilda Grando, afirma que a empresa tem investido e vem crescendo em inovação. (Crédito: Divulgação)

Existe uma máxima no mercado corporativo para definir as empresas que sucumbem à revolução digital: trata-se do “efeito Kodak”. O termo surgiu na primeira década dos anos 2000, quando a empresa de filmes e câmeras fotográficas degringolou diante da forte digitalização do setor. A centenária companhia americana, que na década de 1970 detinha 90% de market share de películas e quase 80% de equipamentos nos Estados Unidos, perdeu o fôlego depois de uma série de análises e ações equivocadas. Uma delas foi a previsão de que a qualidade das imagens digitais demoraria a avançar, assim como o preço das câmeras digitais continuaria nas alturas.

Os enganos custaram caro. A empresa entrou com pedido de concordata em 2012. No ano seguinte, os investidores do fundo britânico KPP2, que assumiram as dívidas, fizeram um spin-off da divisão de scanners e inteligência na captura de imagens. Era criada a Kodak Alaris, com três pilares. A Kodak Moments ficaria com os produtos e serviços fotográficos para varejistas, como quiosques em shoppings para revelação de fotos e um aplicativo com ferramentas de tratamento de imagens. A Kodak Alaris, divisão com o mesmo nome da empresa, teria o foco na venda de 21 modelos de scanners profissionais, softwares e serviços. E a Kodak PPF (Paper, Photochemicals and Film) manteria a tradicional atuação em filmes profissionais, papéis e mídia. Esta última divisão foi vendida recentemente para a chinesa Sino Promise Holdings.

CORE BUSINESS A operação ficou então centralizada nos dois principais setores de receita, Moments e Alaris, responsáveis por 76% do faturamento de US$ 628 milhões em 2020, encerrado em março. O investimento agora é na solução de digitalização inteligente denominada INfuse (grafia da empresa). Disponível há menos de um ano, é a estrela da Alaris e a mais nova revelação da Kodak. Para a diretora-geral da Alaris na América Latina, Vanilda Grando, a aposta é um olhar para o futuro. “Vamos nos manter em nosso core business. Estamos investindo e crescendo em inovação”, afirmou à DINHEIRO a executiova que comanda a operação de Rochester, EUA.

SCANNER INTELIGENTE Com a ajuda de software de processamento de imagem, tecnologia converte documentos e faz checagem de informações em tempo real. (Crédito:Divulgação)

O software é baseado em nuvem. Oferece captura de documentos conectada a redes integradas. Entre os diferenciais estão a averiguação, em tempo real no momento da digitalização, de falta de assinaturas em formulários, confirmação de quantidades, valores e datas (no caso de faturas de varejistas) e certificação de entrega de mercadorias. No caso de hospitais, informações sobre pacientes e os exames realizados são cruzadas e garantem a entrega sem erros. Além da vertente de saúde, outra segmento em crescimento é a educacional, com o cadastro de estudantes em universidades. A cópia inteligente dos documentos forma um banco de dados que é transmitido a várias unidades dos clientes e pode ser acessado em buscas rápidas internas. A monetização da solução é feita por aluguel, com pagamento por página digitalizada.

A KMWorld, uma publicação popular de negócios e tecnologia focada em gerenciamento de documentos, conteúdo e conhecimento, inseriu a solução INfuse da Kodak Alaris em sua lista de Produtos de Tendência de 2020. Vários ISVs (fornecedores independentes de software, em tradução livre) e provedores de soluções estão fazendo parceria com a Alaris para fornecer a solução aos usuários finais. Junto da Xenith, empresa de impressão e gerenciamento de documentos, criou a solução Scan@Home configurada para funcionários remotos, baseada no INfuse.

A pandemia de Covid-19, que acelerou o processo de digitalização das empresas, gerou oportunidade na captura inteligente de imagens. Porém, o maior volume de documentos digitalizados não deve refletir em maior faturamento nas contas da divisão Alaris. Isso porque os contratos atuais para fornecimento de scanners e serviços não foram ampliados. “A venda de dispositivos não cresceu, mas a receita está equilibrada, pois houve maior uso desses equipamentos. Por isso devemos fechar 2021 (o ano fiscal encerrará em março) no mesmo patamar de 2020. No Brasil, esperamos ter alguma evolução”, disse Vanilda Grando.

A receita da Alaris no último período foi de US$ 212 milhões. A maior fatia (36%) desse valor é oriundo da região Emea (Europa, Oriente Médio e África). A América Latina foi responsável por 8% das vendas. A empresa é líder em scanners na região, com 27% de fatia de mercado. No Brasil, onde são comercializados 50 mil equipamentos por ano, os principais clientes são o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal, além de setores do Poder Judiciário. A solução de digitalização inteligente INfuse tem a missão de alavancar esses números e equilibrar as contas, que têm fechado no vermelho. Para que o termo “efeito Kodak” passe a ser usado a partir dessa tecnologia como vanguarda digital.

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