AS MELHORES DA DINHEIRO 2021

A retomada do crescimento

Indicadores financeiros mostram que as companhias abertas brasileiras têm boas perspectivas.

Crédito: Claudio Gatti

Fernando Exel fundador e presidente da Economatica. (Crédito: Claudio Gatti )

As companhias abertas brasileiras conseguiram superar os desafios da pandemia eseus resultados foram melhores que os dos seus pares na América Latina e até mesmo nos Estados Unidos. Essa conclusão decorre de um levantamento realizado com informações obtidas no sistema Economatica. O estudo considerou os dados das empresas abertas em sete países: Brasil, Estados Unidos, Argentina, Chile, Colômbia, Peru e México.

Para analisarmos como foi o impacto da pandemia sobre os resultados das companhias abertas, avaliamos as medianas de três indicadores corporativos. O primeiro é a variação da receita anual. O segundo, a variação da margem líquida. E, finalmente, a relação entre os investimentos medidos pelo Capex e as despesas de depreciação.

As variações da receita e da margem nos permitem observar como variaram as atividades das companhias brasileiras. E nesse aspecto elas apresentaram um desempenho muito acima da média. Em 2020 as receitas cresceram cerca de 5% em relação a 2019, enquanto nos demais países da amostra houve quedas de até 20%, caso da Argentina. Em países como Peru e Colômbia a queda foi superior a 10%. Todos esses números foram considerados descontando-se a inflação, então tivemos um crescimento real.

Em 2021, se consideramos aqui o período de 12 meses encerrado em junho, o faturamento das empresas brasileiras cresceu 10% em relação a 2020, o que foi de longe o melhor desempenho entre os países analisados. Os Estados Unidos ficaram em segundo lugar, com um avanço de 5%.

Podemos dizer que o faturamento das grandes empresas brasileiras é um parente distante do Produto Interno Bruto (PIB). Quando o desempenho das empresas é positivo, é possível concluir que o desempenho da economia será bom. Assim, é um fato que, durante a pandemia, as grandes empresas brasileiras foram bem e tiveram um desempenho melhor do que os seus pares na América Latina e nos Estados Unidos.

O aumento da receita conta apenas uma parte da história. Apesar de terem faturado mais, as empresas poderiam ter lucrado menos devido aos desafios impostos pela pandemia. Porém, ocorreu justamente o contrário. A mediana da margem líquida das empresas brasileiras já havia sido a melhor em 2020, e apresentou um crescimento ainda mais expressivo em 2021.

Esse resultado foi inesperado. Apesar da alta do faturamento, era de se imaginar que as medidas de restrição afetassem os resultados finais. Porém, muitas empresas aproveitaram a oportunidade para aprofundar os processos de trabalho remoto já em 2020, e essas iniciativas se consolidaram em 2021. Muitas companhias aproveitaram a oportunidade para cortar custos fixos, especialmente com a locação. Outras, especialmente as localizadas nos grandes centros, serviram-se da disseminação do trabalho remoto para contratar profissionais de outras cidades, onde os salários são menores.

Essas mudanças permitem prever uma melhoria da estrutura de custos das empresas. Com isso, se no acumulado de 2021 confirmar-se a elevação das receitas, é provável que haja um significativo aumento dos lucros devido à tendência de melhora de margens que já se desenhava em 2020.

Finalmente, vamos analisar a relação entre gastos de capital (Capex) e despesas de depreciação. Essa relação mostra a capacidade de expansão da empresa. Quando essa relação é de 100%, isso indica que o Capex é igual aos gastos com depreciação. Ou seja, a empresa está investindo apenas o suficiente para compensar o desgaste de suas instalações. Em 2020, essa relação ficou um pouco abaixo de 100%, mostrando que as empresas investiram pouco. No entanto, o desempenho melhorou em 2021.

Quais as conclusões? As companhias abertas brasileiras têm perspectivas melhores para os próximos exercícios contábeis devido ao aumento do faturamento, à melhora das margens e ao crescimento dos investimentos, que passaram a ser maiores que os gastos com a depreciação.

Artigo por Fernando Exel