Internacional

A ressaca da segunda onda

Países que flexibilizaram a quarentena antes da hora vivem nova fase de contágio que ameaça as empresas, os empregos e a economia. Experiências podem ajudar o Brasil a não repetir os mesmos erros.

Crédito: Johannes Eisele

HISTÓRIA QUE SE REPETE Países asiáticos e europeus retomam práticas de isolamento e controle da pandemia após iniciar projetos de reabertura da atividade econômica. (Crédito: Johannes Eisele)

A alegria durou pouco. Foram apenas duas semanas de trégua para Israel, Singapura, Albânia, partes da China e dos Estados Unidos – além da Coreia do Sul, considerada modelo no combate à Covid-19. Vários dos países que flexibilizaram a quarentena antes da hora hoje vivem uma nova onda de contágio, com fechamento do comércio, restrição à circulação de pessoas e paralisação de atividades industriais. Na Austrália, desde o sábado (4), a população teve de retornar ao confinamento em suas casas. A decisão do governo vale até 29 de julho, mas deve ser renovada porque o país registrou uma disparada de 280% no número de novos casos diários desde o afrouxamento. Medida semelhante foi adotada por Argentina e Panamá. A preocupação é que os novos casos provoquem um colapso do sistema de saúde. Por isso, voltaram atrás. Os impactos podem afetar toda a economia, que vinha se preparando para a abertura. Não virá tão cedo.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) tem declarado sua preocupação com a segunda onda de contágio em várias partes do mundo. Até mesmo na Europa, onde o combate ao vírus recebeu status de guerra, com fechamento de fronteiras e exército nas ruas, o número de casos voltou a subir na semana passada. Após a flexibilização progressiva às regras de isolamento, adotada por boa parte dos países do continente, a preocupação com uma segunda onda da doença e o impacto nos sistemas de saúde dos países foram motivo de alerta da organização. “Nos últimos dias, a Europa registrou um aumento importante no número de casos semanais pela primeira vez em meses. Em 11 países, a transmissão acelerada levou a um ressurgimento muito significativo que, se não for controlado, levará os sistemas de saúde europeus ao limite de novo”, afirmou, em nota, o diretor da OMS para a Europa, Hans Kluge. De acordo com a organização, a Europa está registrando diariamente quase 20 mil novas ocorrências e 700 mortes por coronavírus. Até a pequena Macedônia do Norte, nação dos Bálcãs com 2,5 milhões de habitantes (equivalente à população de Belo Horizonte) e com quase 40% dos cidadãos em áreas rurais, se tornou palco do repique da epidemia na região. O relaxamento das medidas de quarentena, em junho, levou o país a registrar um recorde de 254 casos em 24 horas. Resultado: tudo fechado, mais uma vez.

Ahn Young-joon

O que o Brasil tem a ver com isso? Segundo especialistas, esse movimento poderá ser replicado por aqui, em proporções continentais, se a retomada da economia for politizada ou mal planejada pelas autoridades. A professora-adjunta do departamento de medicina preventiva e social e coordenadora do curso de epidemiologia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Aline Dayrell afirma que “o Brasil tem uma dinâmica própria”, dada a extensão territorial e a demografia. “Sem cautela, teremos uma terceira e uma quarta onda de contágio. Temos de nos preparar para isso.”

20 MILnovos casos de covid-19 são confirmados todos os dias na Europa na segunda fase do vírus.

Apesar das notícias desoladoras vindas de muitos países, há também bons exemplos que poderiam ser seguidos. Hans Kluge, da OMS, elogia a reação rápida observada na Espanha, Polônia e Alemanha frente ao avanço da doença nas últimas semanas. “Quando apareceram novos casos, foram controlados graças a uma intervenção ágil e bem dirigida.”

Johannes Eisele

Carlos Fortaleza, infectologista do Departamento de Doenças Tropicais da Faculdade de Medicina da Universidade Estadual Paulista (Unesp), afirma que a segunda onda de contágio é um enredo previsível em qualquer doença epidêmica transmissível, desde que a população não esteja imunizada contra ela, como é o caso da Covid-19. “A segunda onda é real e a gente fala muito nela com base no histórico de outras epidemias”, afirma Fortaleza. “A segunda onda de gripe espanhola, a partir de outubro de 1918, foi mais mortífera do que a primeira.” Em tempos de pandemia, tal resgate histórico se torna importante para cidadãos, autoridades e empresas.

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