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Como a pandemia pode afetar a segurança corporativa

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Carlos Guimar é especialista em segurança pública e privada e diretor associado de segurança empresarial na ICTS Security, consultoria e gerenciamento de operações em segurança, de origem israelense. (Crédito: Divulgação)

A saúde física e mental de todas as pessoas é sem nenhum questionamento a prioridade neste momento. Todavia, é também de grande importância ter diretrizes focadas na continuidade empresarial. Nesta linha de pensamento e, em tempo de proliferação do novo coronavírus, é fundamental a presença da segurança corporativa nos negócios, tanto no engajamento com a estratégia momentânea, quanto a do futuro próximo da empresa.

Dentro de uma realidade em que as ruas estão cada vez mais vazias devido ao isolamento social, a segurança pública vem sendo chamada para manter a integridade da sociedade frente à uma série de medidas restritivas para evitar o surto epidêmico do Covid-19.

A Polícia Militar de alguns Estados, como a do Rio de Janeiro, por exemplo, já atua no bloqueio de estradas estaduais e no controle do acesso a estações de trem e de metrô. Em paralelo, policiais civis se adequam ao momento, que, por sinal, dificulta sua função investigativa, e guardas municipais também seguem focados em manter vazias praças dentre outros locais públicos.

O que não é novo, mas importante lembrar, é que as estruturas destes órgãos de segurança, que já não eram adequadas, receberam novas funções e a rotina de violência não dá trégua mesmo em tempos de coronavírus.  Vale aqui citar que na linha da construção do aumento do risco externo, muitos presidiários estão em liberdade temporária e sabemos que nestes momentos alguns voltam ao crime.

Olhando para os riscos internos, sob prisma dos negócios, os impactos do coronavírus são sentidos em escritórios vazios que estão adotando o modelo de home office e em turnos diminuídos, com algumas empresas até dispensando turnos inteiros. Indo mais nos meandros das companhias, em especial as varejistas, é forte a possibilidade do aumento de estoques dentro de centros de distribuição e demais centrais operacionais logísticas em função da diminuição das vendas.

Vale lembrar que os parques logísticos, pela concentração de negócios, ficam ainda mais vulneráveis e com maior exposição, tornando o ambiente de todos os citados atrativo para roubos e invasões. Sem contar os shopping centers e outros centros comerciais com estoques valiosos e na maioria dos casos com caixas eletrônicos.

Um capítulo à parte, quando falamos em estoques valiosos e em estado de risco iminente, cabe citar os hospitais como alvos potenciais. Isso porque são locais de armazenagem de máscaras, luvas, essenciais para o atual cenário de prevenção ou com fins comerciais por assaltantes.

Não distante, e que também deve ser considerado, está o transporte de cargas, que já apresenta nestes últimos dias um percentual de aumento no roubo, em torno de 30% segundo alguns gerenciadores de riscos.

Por isso, é fundamental que todos os círculos de segurança das empresas sejam revisitados, avaliados e monitorados em tempo integral. As empresas que já possuem sistemas mais robustos e inteligentes com certeza levarão vantagem por estarem num estágio de maturidade mais avançado, espécie de segurança exponencial, que é a junção de um raciocínio competitivo com sistemas tecnológicos de segurança integrados e com plena inteligência para minimizar a interferência humana.

Em relação às rotinas dos profissionais de segurança, que passam a ganhar uma relevância ainda maior, pois na maioria dos empreendimentos apenas estes que estão presentes fisicamente, é importante que as empresas avaliem a cobertura de postos pela falta de colaboradores por questões de deslocamentos devido à diminuição do transporte público, além de estimarem como será administrar o afastamento de um colaborador que apresentar sintomas da doença durante o serviço.

Por último, mas não menos importante, estão os cuidados com o ambiente ventilado, a distribuição e correta utilização de todo o equipamento de proteção individual previsto em norma regulamentadora, o acesso a banheiros contendo água e sabão, o fornecimento de álcool específico e não esquecer de higienizar com frequência guaritas e outros ambientes onde ficarão estes colaboradores.

Dado o cenário, cabe ao Estado e às empresas somarem esforços, dentro de suas realidades e expectativas, em relação às medidas protetivas para conter os impactos do coronavírus nos âmbitos da segurança pública e privada. A tarefa não fácil frente aos inúmeros outros impactos trazidos pela infestação do Covid 19, porém necessária para manter estabilizado neste momento e para retomar rapidamente a vida ativa da sociedade e dos negócios.

*Carlos Guimar é especialista em segurança pública e privada e diretor associado de segurança empresarial na ICTS Security, consultoria e gerenciamento de operações em segurança, de origem israelense.

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