Negócios

A reinvenção dos seguros

Covid-19 cria assimetria entre as diferentes modalidades de cobertura oferecida pelas seguradoras. Queda nas receitas estimula empresas a adotar novas tecnologias e a oferecer produtos mais adequados às novas demandas.

Crédito: Istock

O setor de seguros foi impactado de maneiras distintas pela Covid-19. Em maio, as receitas totalizaram R$ 17,35 bilhões, queda de 23,2% em relação ao mesmo mês do ano passado. No acumulado do ano, a baixa foi de 6,7% ante o mesmo período de 2019. A queda de receita, porém, foi largamente compensada pela redução nas despesas com pagamento de indenizações, sobretudo no setor de automóveis, já que a quarentena tirou de circulação milhões de carros em todo o País. Dados das secretarias de Segurança Pública dos estados confirmam diminuição tanto no número de acidentes quanto de veículos roubados. Segundo a Superintendência de Seguros Privados (Susep), autarquia federal que regula o setor, o índice de sinistralidade do segmento auto, que vinha oscilando em torno de 60% nos últimos dois anos, caiu para 44% em abril e maio (gráfico à esquerda).

Embora sem números oficiais, outro segmento, o de fiança locatícia, teve comportamento oposto, com aumento de despesas devido ao pagamento de indenizações para proprietários que deixaram de receber o aluguel, sobretudo de estabelecimentos comerciais. Com seus pontos fechados desde o início da quarentena, donos de bares, restaurantes, salões de beleza e academias viram-se sem caixa para honrar os pagamentos, obrigando as seguradoras a cobrir os valores, como faz um fiador tradicional. Agora, as empresas estão executando os devedores — o que pode levar muitos deles à falência. Segundo especialistas, essa assimetria deveria ser compensada pelo órgão regulador por meio da criação de um fundo para auxiliar os empresários que estão sem renda e já com o nome sujo. Aliviar o bolso dos segurados pode ser bom para o setor no longo prazo, evitando que mais pessoas saiam do sistema.

Por enquanto, o que as seguradoras têm feito é readequar a oferta de produtos e serviços às novas demandas. A Bradesco Seguros transformou rapidamente a operação de vistoria nos segmentos de automóveis, residencial e empresarial. “Intensificamos o modelo de autovistoria. Percebemos que essa maior agilidade e segurança na prestação do serviço aumentou a satisfação dos nossos segurados”, afirma Rodrigo Herzog, superintendente executivo da Bradesco Auto e Ramos Elementares do Grupo Bradesco Seguros. Implementada pela BRQ Digital Solutions, a autovistoria entre os clientes do Bradesco saltou de 2,5 mil em janeiro para 50 mil em junho.



Presidente da Suhai Seguradora, Fernando Soares afirma ter sentido queda de 30% nas vendas em abril. A empresa, que atua nos segmentos de motos, automóveis e caminhões, percebeu uma grande mudança no contato com os clientes. “A procura se ampliou muito pelos meios digitais”, diz Soares. “Como a nossa venda é feita por corretores, muitos deles autônomos, a seguradora os ajudou a digitalizar o atendimento usando ferramentas como o WhatsApp e vídeos para redes sociais”. Para a superintendente da Susep, Solange Vieira, inovar é o caminho para o setor. “Buscamos estimular a inovação no mercado por meio de oportunidades como o edital do Sandbox, que acaba de ser lançado e flexibiliza as normas para a entrada de novos players, produtos e serviços”, afirma.

SEGURO-COVID Na visão de Jorge Sant’Anna, presidente da BMG Seguros, a pandemia ajudou a antecipar tendências que levariam mais tempo para chegar ao Brasil. Uma delas é a do seguro intermitente. Regulamentada no ano passado, a modalidade deve ganhar força no mercado agora. “Quem tem carro hoje está pagando seguro sem usá-lo. Com o seguro ‘pay per use’, o valor a ser pago é calculado de acordo com a utilização”, disse Sant’Anna. Segundo ele, na Europa até decisões judiciais sobre acidentes de trânsito já são tomadas com base nos dados dos seguros dessa modalidade, pois é possível acompanhar a velocidade do veículo e o comportamento do motorista por meio de telemetria.

A pandemia trouxe também o “Seguro-Covid”, modalidade para empresas médias apoiarem funcionários que foram acometidos pela doença e que não tiveram cobertura adequada do plano de saúde. Entre os benefícios há exames e terapias. Embora no Brasil não seja possível receber em dinheiro o valor do bônus que o cliente ganha das seguradoras quando não há sinistros, a startup Lemonade, de Nova York, já aponta um caminho. Ela devolve o bônus em cashback ou doando o valor a instituições de caridade escolhidas pelo cliente. “São tendências que ainda devem demorar um pouco para chegar ao País”, avalia Sant’Anna.

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“Quem tem carro hoje está pagando seguro sem usá-lo. Com o ‘pay per use’, o valor é calculado de acordo com o uso” Jorge Sant’Anna, presidente da BMG Seguros.

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