“A reforma tributária vai aumentar a arrecadação”

Serafim de Abreu Júnior, vice-presidente da IBM América Latina

“A reforma tributária vai aumentar a arrecadação”

“Foi ingênuo acreditar que um governo novo, desarticulado, conseguiria fazer tudo num período muito curto, em menos de seis meses”

Entrevista

O executivo Serafim de Abreu Júnior construiu, nos últimos anos, uma sólida trajetória na americana IBM nas áreas de finanças, operações e serviços, até chegar a vice-presidente da companhia na América Latina. Formado em gestão empresarial pela Fundação Dom Cabral e em educação executiva em Harvard, ele foi recentemente nomeado presidente da diretoria executiva do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças de São Paulo (Ibef-SP). Nesta entrevista à DINHEIRO, ele avalia o atual momento da economia.

Com a reforma aprovada, o Brasil vai voltar a crescer?
Acredito que sim. A reforma vai destravar um monte de coisa que está represada. A reforma da previdência é importante, mas não é tudo. Teremos de dar sequência na reforma administrativa, na tributária e acelerar as privatizações. A aprovação, sem dúvida, é um marco, existem outras questões importantes pela frente.

Em quanto tempo a reforma será sentida?
O efeito não acontece agora, vai ser mais para frente, nos próximos anos. Mas, de imediato, traz um ganho para o segundo semestre. Do ponto de vista da confiança, traz um ganho real para a economia.

A reforma tributária será possível ainda neste ano, mesmo com a crise fiscal dos Estados?
A reforma tributária está pronta para ser colocada em pauta. O que está na mesa são propostas bastante razoáveis. É possível democratizar mais os impostos e simplificar. No momento que simplificar, a reforma tributária vai aumentar a arrecadação do governo e dos estados. Os maiores problemas hoje são o “custo Brasil” e a falta de competitividade. Quando se consegue trazer uma estrutura fiscal mais simples e organizada, consegue-se também ter uma distribuição melhor da arrecadação. Isso ajuda a resolver a crise fiscal.

O ambiente de negócios está melhorando?
Sim. Há setores que estão caminhando melhor do que outros, como o setor de tecnologia. Isso porque as empresas estão fazendo o dever de casa. Agora, indústria e serviços estão sofrendo mais porque dependem de uma questão econômica mais estrutural.

Mas havia uma expectativa maior no desempenho da economia…
É verdade, mas existia uma euforia exagerada, por conta da mudança de governo. Foi ingênuo acreditar que um governo novo, desarticulado, conseguiria fazer tudo que tinha de fazer num período muito curto, em menos de seis meses. Agora, há um otimismo mais saudável e maduro. A retomada certamente virá no momento que destravar essas reformas que são fundamentais para o País. Agora temos dados efetivos.

Os executivos da matriz da IBM compartilham dessa mesma visão?
Estive nos últimos três anos como CFO da IBM do Brasil, e peguei todas as últimas crises, incluindo recessão, impeachment, greve dos caminhoneiros e outros eventos inusitados. Tudo isso é difícil de explicar aos que estão lá fora porque são eventos que geram variação de PIB, de câmbio e inflação. De uma forma direta, impacta no resultado da companhia. Meu grande desafio foi explicar o que estava acontecendo no Brasil e manter a corporação com planos de investimento no País. Deu certo. A IBM está no Brasil há 102 anos e também já passou por tudo que se possa imaginar na economia moderna no Brasil. Mesmo assim, nunca abandonou o País, e nem pensa nisso. Pelo contrário, a companhia faz vários investimentos aqui. Temos laboratório de tecnologia e está indo muito bem graças à transformação digital que está ocorrendo nas empresas. Nossa percepção é que a recuperação vai acontecer em 2020.

(Nota publicada na Edição 1129 da Revista Dinheiro)

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