Edição nº 1096 15.11 Ver ediçõs anteriores

A principal agenda eleitoral

A principal agenda eleitoral

Não há como fugir do óbvio, os presidenciáveis terão de apresentar logo ideias e alternativas para enfrentar a fragilidade econômica que se acentua. O simples congelamento das reformas por tempo além do suportável — por motivos alheios ao mercado e muito mais ligados aos caprichos de uma classe política que só enxerga o próprio umbigo — já foi capaz de provocar um recuo nas conquistas até aqui após o longo período recessivo. A maior demanda para quem assumir o Planalto a partir de 2019 será, inevitavelmente, o crescimento. Robusto e consistente no curto prazo. Tarefa difícil. A dívida brasileira não para de crescer.

Os investimentos públicos estão temporariamente estagnados. A crise de expectativas voltou a assombrar empreendedores. Com o PIB em ritmo lento, os índices constantemente sendo revistos para baixo antes do final do ano, muitos voltaram a adiar projetos de expansão. Dados do Relatório Focus apontam projeções de especialistas de uma retomada mais vigorosa apenas em 2020, já na metade do próximo mandato. Não dá para esperar. O postulante a mandatário terá de traçar um plano mais eficiente e crível para já e convencer o público de eleitores de que é capaz de implementá-lo o quanto antes. O Brasil escapou do pior até aqui, até por conta de um cenário externo mais favorável. As perspectivas nesse sentido estão sendo revistas.

A guerra dos EUA com a China tende a gerar consequências, indiscriminadamente, para todo mundo. O quadro de insegurança jurídica interna também trava o movimento de recuperação e deixa empresas em alerta. Nada disso é bom para a economia. No momento, com o risco eleitoral, a indefinição das propostas dos candidatos, o desemprego e desencanto dos consumidores e a apatia geral, boa parte das companhias estão mais preocupadas em quitar suas dívidas e arrumar o caixa. O que significa cortes e paralisia na produção. O estado do caixa da União é outro motivo de preocupação. Levantamento do Ipea mostrou que o governo desperdiça ao menos R$ 173 bilhões todos os anos em programas sem retorno, subsídios federais e projetos que não avançam, sucateiam e são esquecidos. É dinheiro pelo ralo.

O Congresso, com a sucessão de pautas bombas, também tem dado generosa contribuição para o problema. Como o futuro mandatário espera contornar esses desafios? Que políticas, promessas concretas, ele vai apresentar para rever os entraves? É isso que precisa se discutir. Até aqui estão aparecendo ideias esporádicas, a maioria delas no caminho de mais impostos para engordar o butim da arrecadação. É mais do mesmo. A proposta de taxar os dividendos, por exemplo, agrada muitos dos postulantes. Enquanto isso, temas relevantes como o das privatizações são escanteados por temor de resistência. Se perde um tempo enorme negociando alianças enquanto o País está interessado mesmo na futura agenda.

(Nota publicada na Edição 1080 da Revista Dinheiro)


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