Negócios

A nova investida do Grupo SEB: escolas para as classes B e C

Chaim e Thamila Zaher criam uma nova rede de escolas com mensalidades mais acessíveis para avançar nas classes B e C

Crédito: Gabriel Reis

Dinastia Zaher: Thamila Zaher, 30 anos, assume o protagonismo por trás dos novos negócios do Grupo SEB, criado por seu pai Chaim (Crédito: Gabriel Reis)

Fundador do Sistema Educacional Brasileiro (SEB), o empresário libanês Chaim Zaher, 64 anos, criou, pouco a pouco, um império na educação brasileira. Com uma receita de R$ 800 milhões, o grupo tem uma rede com 50 mil alunos, além de mais de cem mil em escolas parceiras, que utilizam seus sistemas de ensino. Na operação da empresa, o leque de modelos é amplo. Ele passa por bandeiras como a Concept, colégio bilíngue com metodologia baseada em conceitos como criatividade, para quem alcançou o topo da pirâmide social, e pela Pueri Domus, tamém focada em estudantes de maior poder aquisitivo, mas com uma abordagem mais tradicional. Na terça-feira 4, esse portfólio ganhou uma nova oferta. O SEB lançou a Luminova, rede de educação básica voltada às classes B e C. “Há uma lacuna de aprendizado muito forte no Brasil”, afirma Thamila Zaher, filha do fundador e diretora do grupo. “Temos escolas que atendem a todos os tipos de públicos. A Luminova era a peça que faltava”, diz Chaim, presidente do SEB.

A nova bandeira nasce com a proposta de ser acessível, com mensalidades entre R$ 470 e R$ 560. O movimento acontece em um momento em que rivais como a Estácio e a Kroton, por meio da Saber Educação, voltam seus olhos para o ensino básico, mas com maior ênfase nos colégios de alta renda. O foco do SEB com a Luminova é alcançar dois públicos: os estudantes habituais de escolas públicas, e aqueles cujas famílias não tiveram condições de manter em colégios particulares, a partir da recessão.

No primeiro ano, o aporte na Luminova será de R$ 50 milhões e envolve a abertura de uma unidade em Sorocaba (SP), além de três unidades na capital paulista, nos bairros da Barra Funda, Vila Prudente e Bom Retiro. “Cada escola deve ter entre 1 mil e 1,5 mil alunos”, afirma Thamila. Para 2020, a ideia é inaugurar outras cinco escolas e estender o projeto para regiões como o Nordeste, com pelo menos uma unidade em Salvador, e também para o Sul, em Curitiba. Em cinco anos, a expectativa é chegar a 25 unidades, com uma receita total de R$ 200 milhões.

Para todos os bolsos: o portfólio do grupo SEB inclui entre suas bandeiras escolas premium, como a tradicional Pueri Domus (acima, à esq.), a Concept (à esq.), que aposta em conceitos como criatividade e a rede carioca O Colégio de A a Z, adquirida no início do ano

O segmento, de fato, apresenta boas perspectivas de crescimento. Juntas, as classes B e C representam cerca de 37 milhões de alunos, o equivalente a 61,4% da população em idade escolar no Brasil. “O SEB está dando início a uma nova corrida em busca do ouro”, diz Carlos Monteiro, presidente da CM Consultoria. Para o especialista, a Saber Educação deve competir com o SEB nesse mercado. “Mas tenho quase certeza que outros concorrentes, como Eleva e Lumiar, já estão fazendo estudos para também investir nessa faixa.”

O que irá garantir mensalidade acessível e o avanço em larga escala da nova rede é o baixo custo com infraestrutura. As iniciativas incluem a locação de espaços que já abrigaram escolas e que são remodelados pelo grupo. Outra medida é a adoção de tecnologia para padronizar processos de avaliação, tal como o ensino por meio de plataformas digitais, como portais e aplicativos. Em disciplinas como inglês e música, o método também inclui a formação das turmas seguindo critérios como o nível de conhecimento do aluno e não por faixa etária. “Vamos alugar todos os espaços e usar a nossa estrutura para viabilizar o projeto”, diz Chaim.

À parte da nova bandeira, o SEB, acostumado a um ritmo frenético de aquisições, segue com planos de expansão em outras frentes. Mas sente o impacto da compra da Somos Educação pela Kroton, em abril, que deu origem à Saber Educação. O alto valor da negociação, R$ 4,6 bilhões, inflacionou o mercado, atrapalhando os planos de expansão da rede. “Tínhamos quatro aquisições engatilhadas nesse ano, mas já desistimos de duas”, diz Chaim. Ele conta que o grupo mantinha conversas com duas redes de educação básica e outras duas de ensino superior. “Depois que a Kroton pagou aquele valor, as redes dobraram a pedida.”

O empresário afirma que novas negociações só devem avançar depois das eleições. Recentemente, o grupo adquiriu o Colégio de A a Z, do Rio de Janeiro, e o Colégio Visão, de Goiás. Agora, a empresa quer dobrar o número de franqueados da rede de escolas bilíngues Maple Bear, no prazo de dois anos, expandindo o projeto para países da América Latina. Hoje, a bandeira conta com 102 escolas no Brasil, 25 mil alunos e um faturamento de R$ 69 milhões. Os planos de expansão passam ainda pelo crescimento da Concept. O próximo ponto no mapa da marca deve ser o Rio de Janeiro. A Luminova, no entanto, ocupa um espaço singular na estratégia. “A rede é um complemento social do projeto de educação da nossa família”, diz Chaim. “É óbvio que visamos o resultado lá na frente. Mas não estamos só buscando o lucro.”