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A musculatura da Bluefit

Com três anos de existência, rede de academias cresce com um modelo que prioriza a prestação de serviços. Meta é chegar a 200 unidades em dois anos e desbravar o mercado internacional

Crédito: Claudio Gatti

Largada: Fernando Nero, CEO da BlueFit, negocia novo aporte de R$ 140 milhões com fundos (Crédito: Claudio Gatti)

O número de academias de ginástica cresceu 13,3% no Brasil nos últimos três anos. Parte dessa expansão aconteceu com a chegada de uma novata ao mercado. Em um segmento ainda pulverizado, a BlueFit, criada em 2015, desponta como a terceira maior rede do País, com 44 unidades em funcionamento e 120 mil alunos matriculados. Neste ano, a empresa vai ganhar ainda mais musculatura, com a projeção de encerrar o ano com 72 pontos – a expectativa é chegar a 200 até o fim de 2020. A captação de R$ 40 milhões com fundos de investimentos ligados aos empresários James Oliveira, ex-sócio do BTG, e Marcelo Sanovicz, ex-CEO da Rextur Advance e acionista do Grupo CVC, dará fôlego a essa expansão, antes de passos mais ousados: a inauguração de cinco unidades na Colômbia, em 2019. “Escolhemos a Colômbia para essa primeira fase da expansão. Depois, iremos organicamente para outros países”, diz Fernando Nero, CEO e fundador da BlueFit, que negocia um aporte de R$ 140 milhões com investidores estrangeiros. “Estudamos entrar nos EUA em 2020.”

O segredo da escalada da BlueFit em curto espaço de tempo foi a conquista de um público que sentia carência de serviços, seja porque não se adaptou ao modelo low cost, da SmartFit, ou por não ter condições para treinar em locais de alto custo, como as redes Bio Ritmo e Bodytech. “Ao estudar um mercado maduro como o americano, observei uma janela de oportunidade no Brasil”, afirma Nero. “O nosso modelo possui preço baixo e boa entrega de serviço, sem que seja necessariamente o preço mais baixo do mercado.” Na BlueFit, cada aluno paga, em média, R$ 100 por mês, entre mensalidade e taxas. Nas concorrentes, os preços mensais são a partir de R$ 59,90 na SmartFit e de R$ 305 na Bodytech. “Trazer modelos que são sucesso no mundo está em alta”, diz o ex-nadador Gustavo Borges, presidente da Associação Brasileira de Academias. “Isso é muito bom para o nosso mercado.”

A BlueFit tenta repetir o caminho da SmartFit, mas ainda está distante das quase 500 unidades e dos quase 2 milhões de alunos. Nero sabe que a caminhada é difícil para um empreendedor, mas consegue tirar lições dos obstáculos. Após inaugurar a segunda unidade, em 2015, ele teve a ideia de contratar uma moto-som para atrair a clientela no bairro Sacomã, em São Paulo. A chamada no alto-falante fez a academia conquistar 400 matrículas em um mês. Mas, o fundador da academia identificou um problema ligado à marca do negócio que, na época, chamava-se Health Place. “Precisei de dez edições para o locutor gravar a pronúncia e o melhor que consegui foi ‘venham para academia Health Play’”, afirma Nero. “Foi quando entendi que o nome não tinha apelo popular.” Assim como um instrutor adapta o treino ao aluno, ele mudou sua marca para BlueFit. Com ela, espera não ter erros para crescer no Brasil e desbravar o mercado internacional.