Negócios

A multiplicação dos pães

Divisão brasileira da mexicana Bimbo, dona das marcas Pullman e Ana Maria, cresce 9,2% no ano da crise, aumenta participação no mercado e planeja receita de R$ 2 bilhões em cinco anos.

Crédito: Claudio Gatti

MÃO NA MASSA Presidente da Bimbo no Brasil, o mexicano Alfonso Argudín projeta crescimento de 15% na receita em 2021. (Crédito: Claudio Gatti )

A massa do pão do grupo Bimbo no Brasil – dona das marcas Pullman, Ana Maria e Rap 10 – cresceu bastante no ano da crise. O isolamento social provocado pela pandemia da Covid-19 contribuiu muito para que a divisão brasileira da companhia mexicana aumentasse 9,2% a receita de 2020 em relação a 2019, bem mais do que os 2% de alta global, quando a empresa alcançou receita mundial de US$ 15,4 bilhões. A companhia não revelou o faturamento no País, mas está nos planos chegar a R$ 1,6 bilhão no ano que vem e R$ 2 bilhões em cinco anos. “Precisamos ter dois anos de muito crescimento para chegar no resultado. Com os planos que temos, estamos confiantes”, disse o mexicano Alfonso Argudín, presidente da Bimbo Brasil.

A confiança está justamente no bom resultado do último ano, quando, literalmente, as fatias aumentaram. De pão de forma e de participação. Líder no mercado de panificados e bolinhos, a empresa registrou crescimento de dois pontos percentuais no share e fechou 2020 com 27,4%. No segmento de pães brancos, a alta foi de 21,5 %, com acréscimo de 1 ponto percentual no share. Em volume, somando todas as categorias, a alta foi de 15%. Por mês, a companhia, que tem seis fábricas no País e conta com 4,5 mil funcionários, produz 120 toneladas de pães.

Ainda assim, a companhia enfrentou dificuldades no ano passado, principalmente em vendas de pães para lanchonetes, tanto de grandes redes como pequenos comércios. “Essas lojas tiveram que fechar por um tempo e não é tão rápido que o consumo volte a índices normais”, afirmou o executivo. A queda nesse segmento chegou a 35%, retomou 90% e agora ensaia uma pequena retração. Uma parte desse consumo migrou para dentro das casas. Em compensação, vendas em mercados, que respondem por 60% da receita da companhia, cresceram 12% em 2020.

CONSUMO EM CASA Pães brancos tiveram alta de 21,4%. Fechamento de lanchonetes afetou resultado de vendas de pães de hambúrguer. (Crédito:Lucas Ismael)

A empresa também sentiu o impacto na rentabilidade, especialmente na compra da principal matéria-prima do pão, o trigo, que é uma commodity, por causa da alta do dólar. Segundo o presidente, as ações para redução de custos surtiram efeito. “Sem esse trabalho, seria da ordem de 30%. Mas conseguimos fechar com algo em torno de 10%”, disse. Também avançou em soluções com mais eficiência, como a distribuição. Antes, o modelo era de pronta entrega, com o vendedor fazendo pedidos e entregas. Hoje, esse serviço foi separado, com pedido feito por um vendedor e a entrega feita no dia seguinte por outro funcionário, garantindo mais eficiência na logística e a possibilidade de atender a mais clientes.

O maior crescimento registrado na Bimbo em 2020 foi no e-commerce, que acumulou alta de 418% mesmo ainda representando fatia pequena da receita, em torno de 2%. “Esse canal desenvolveu-se muito a partir da pandemia. Temos um modelo B2B estruturado, para que as plataformas das redes possam garantir o produto ao cliente em sua cesta virtual”, afirmou o presidente da companhia.

27,4% é o market share da empresa no BRASIL, que EM 2020 SUBIU DOIS PONTOS 

A alta da Bimbo no segmento de panificados foi superior ao registrado pelo mercado nacional. Segundo dados da Associação Brasileira das Indústrias de Biscoitos, Massas Alimentícias e Pães & Bolos Industrializados (Abimapi), o setor de pães alcançou em 2020 receita de R$ 9,2 bilhões, 11% acima do registrado no ano anterior. Em volume, a alta foi de 12%. Para o presidente-executivo da entidade, Cláudio Zanão, a praticidade na compra do produto, em pleno isolamento social, fez com que ganhasse mais espaço. “O pão de forma representa 10% do volume de consumo de pães e, durante a pandemia, tem sido alternativa a fechamento de padarias e comércios que vendem pão francês. Além disso, tem vida útil maior”.

Para este ano, a perspectiva é de mais pão na prateleira. O horizonte da Bimbo é aumentar em 15% a receita em 2021. O plano de crescimento da Bimbo passa também por inovação. Estão projetados para este ano o desenvolvimento de 10 novos produtos. Um dos mais recentes lançamentos foi o pão de forma artesanal no sabor pão na chapa, como uma lembrança daquele consumido em lanchonetes e padarias. Recentemente, a companhia trouxe para o Brasil uma marca de biscoitos saudáveis.

No cenário global da companhia, o Brasil tem um papel relevante. A América Latina, que representa 9% da receita (com execeção do México), é dividida em três blocos: região norte, região Sul e Brasil. “Isso mostra a importância do País e do potencial no futuro”, disse o presidente da Bimbo.

Plano é de investir 20% do faturamento em inovação

Argudín revela que a intenção é de, em dois anos, investir 20% do faturamento em novos produtos. Isso significa que se em 2026 a Bimbo alcançar a receita prevista de R$ 2 bilhões, serão aportados R$ 400 milhões somente na área de inovação. A companhia considera novo produto aquele lançado nos últimos 24 meses. “Hoje esses itens representam 12%. Queremos avançar muito” A estratégia para multiplicar ainda mais os pães está traçada.