Finanças

A maquininha que paga o dobro

TrustPay chega ao mercado com oferta arrojada de linha de crédito para pequenos lojistas e planos de conquistar 7% de market share

Crédito: Gabriel Reis

O diretor Alexandre Góes (à esq) e CEO Marcos Mansur, da SRM: análise de crédito com base em algoritmos e liberação em apenas três segundos (Crédito: Gabriel Reis)

No começo do século 20, a família Mansur saiu do Oriente Médio e desembarcou no Brasil em busca de uma vida melhor. Começaram como mascates, vendendo mercadorias de porta em porta. Cem anos mais tarde, os herdeiros Marcos e Salim estão à frente de uma ferramenta de vendas que teria facilitado bastante a vida dos Mansur do passado. Na primeira quinzena de abril chega ao mercado brasileiro a TrustPay, mais nova maquininha de adquirência para auxiliar os lojistas a transacionar as compras dos clientes. A troca do dinheiro físico pelos meios eletrônicos de pagamento tem permitido ao setor crescer bem acima do Produto Intero Bruto (PIB). Com isso, setor está aquecido — e disputado — como nunca (confira os quadros).

Para lucrar nessa indústria, claro, é preciso se diferenciar dos concorrentes. E a principal estratégia da Trustpay é a oferta “Crédito em dobro”. Isso mesmo. “Por meio do serviço, o grande, mas principalmente o micro e pequeno empresário, que não tem acesso a esse tipo de produto, poderá receber duas vezes o volume comercializado com a TrustPay”, afirma Marcos Mansur. Ele e o irmão Salim estão à frente da SRM, controladora da TrustPay e gestora de fundos de recebíveis que gerou R$ 8 bilhões em créditos em 2018. Para este ano, o volume deve chegar a R$ 12 bilhões. A empresa conta com R$ 400 milhões em caixa para financiar a nova operação. O montante deve saltar para R$ 3 bilhões no curto prazo, de modo a acompanhar o aumento da base de clientes e a demanda pelo serviço. Os recursos virão dos fundos geridos pela SRM.

Para o primeiro ano de operação da TrustPay, a expectativa aponta para R$ 35 bilhões em operações de crédito por meio de 90 mil maquininhas. A partir de 2020, a meta é comercializar 120 mil máquinas por ano. A despeito do coração corintiano de Mansur, as cores da nova maquininha são azul e verde, como o rival Palmeiras. O objetivo da TrustPay é conquistar de 5% a 7% de participação de mercado nos próximos anos. Isso se as reformas andarem, claro. Caso o cenário não se concretize, a pretensão cai para 3% a 4%. Além do Brasil, a maquininha também será lançada no Peru ainda no segundo semestre de 2019.

A análise de risco dos tomadores será feita com base em uma plataforma de algoritmos desenvolvida internamente. Isso permitirá que a aprovação e liberação do crédito, após análise do CNPJ, ocorra em três segundos. As estimativas indicam uma taxa de aprovação de até 50% do total de solicitações. Além da maquininha, a TrustPay ofereceá o “bank in a box”, que substitui computadores. Com ele, o lojista terá um software de gestão do negócio com o qual poderá fazer, além da cobrança, controle do caixa e administrar uma conta digital para empréstimos e transferências. Mansur pretende subsidiar as aquisições desses terminais para facilitar sua disseminação.


O que motiva a “guerra das máquinas”?

A alteração normativa do BC para aumentar a concorrência jogou País numa “guerra das máquinas”, com novas empresas aparecendo praticamente todo mês. Elas chegam com a intenção de roubar um pedaço desse mercado, onde os grandes bancos ainda mantêm elevada concentração, com quase 85% do total. Sem eles, a Cielo lidera o segmento com 38,1%, seguida pela Rede ( 28,7%) e GetNet (12,3%). Dados da Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs) mostram que em 2018 as compras com cartões bateram R$ 1,55 trilhão, crescimento de 14,5% ante 2017, o maior desde 2014. Para 2019 a expectativa é por uma evolução de 16%, chegando a R$ 1,8 trilhão. “A substituição do dinheiro pelos meio eletrônicos, e a maior inclusão financeira da população sustentam o crescimento do setor”, afirma Ricardo Vieira, diretor executivo da Abecs.