Tecnologia

A magia por trás do Pix

A RED HAT, Empresa americana nascida no Open Source, detalha soluções aplicadas ao Pix que garantem velocidade, segurança e escalabilidade nos pagamentos instantâneos.

Crédito: Claudio Gatti

“O produto como um todo já escalou e nas próximas fases vai atingir toda a sociedade” Gilson Magalhães presidente da Red Hat no Brasil. (Crédito: Claudio Gatti )

O Pix, pagamento instantâneo gerido pelo Banco Central, completou três meses de operação na terça-feira (16). Os números mostram que o sistema tem caído nas graças do brasileiro. Apenas neste ano, foram 286 milhões de operações realizadas, com movimentação de R$ 225 bilhões. Significa que oito em cada dez transações financeiras foram realizadas por meio do Pix. Para efeito de comparação, as TEDs (Transferências Eletrônicas Disponíveis) foram responsáveis por 52 milhões de transações em 2021, ou 18,5% em relação ao Pix em 90 dias. Porém, com valores totais mais elevados, na casa dos R$ 2,7 trilhões. Isso ocorre porque o Pix ainda trafega mais entre pessoas físicas e as TEDs, entre empresas. Todos esses dados são consultados e analisados a todo momento, por ser um sistema novo em que muitas corporações, bancos, especialistas e clientes acompanham pari passu.

O que não era de conhecimento público até agora são os sistemas e estruturas tecnológicas envolvidas no Pix feitas pela Red Hat, companhia americana líder mundial no fornecimento de soluções de software open source que ganhou o edital de licitação do Banco Central para montar o arcabouço computacional dos pagamentos instantâneos efetivados sete dias por semana, 24 horas por dia. A empresa e as soluções eram mantidas sob sigilo contratual. Com exclusividade à DINHEIRO, Gilson Magalhães, presidente da Red Hat no Brasil, explica o trabalho realizado junto ao BC. “É uma superevolução. Podemos chegar, progressivamente, a abrir mão do papel moeda um dia. Esse é o caminho”, afirmou o executivo da empresa comprada pela IBM em meados de 2019 por US$ 34 bilhões.

A arquitetura escolhida pelo Banco Central é baseada no Apache Kafka, uma plataforma open source de processamento de streams, escrita em Scala e Java. Tem baixa latência e alta capacidade para tratamento de dados em tempo real. A Red Hat entrou com um pacote de soluções. A AMQ Streams, parte do Red Hat Integration, que oferece streaming de dados distribuídos com alta produtividade e rapidez na operação em ambiente nativo em nuvem. A Ansible Automation Platform, para criar e oferecer funcionalidades de automação de infraestrutura que integram o Pix a outras soluções e permite centralizar o gerenciamento. O OpenShift, para hospedar aplicações de lógica de negócios. O Red Hat Consulting e o Red Hat Training, para familiarização das equipes à nova infraestrutura de serviços em todos os níveis. E com o Technical Account Manager, para suporte contínuo e monitoramento, identificando potenciais problemas de maneira proativa.

Durante os testes, houve volume de 2 mil transações por segundo, sendo 99% do total em menos de quatro segundos. “O produto como um todo já escalou e nas próximas fases vai atingir toda a sociedade”, disse Gilson Magalhães. “Isso gera segurança, controle, escalabilidade, visibilidade e gestão contra fraude.” Entre as novidades do pagamento instantâneo que devem ser colocadas em funcionamento pelo Banco Central nos próximos meses estão o Pix Garantido, para parcelar os pagamentos feitos pela plataforma, e o Pix Débito Automático, para pagamentos feitos com frequência. Vicente Fernandes, chefe da Divisão de Arquitetura de Servidores, Armazenamento e Software Básico do Banco Central, afirmou que a intenção foi criar uma solução que oferecesse transferências financeiras seguras e flexíveis, melhorando a experiência do cliente. “Enquanto reduzíamos custos por transação e promovíamos a diversidade financeira”.



SEGURANÇA Agora, cada uma das 737 instituições financeiras cadastradas para realizar o Pix tem sua própria plataforma. Boa parte delas também tem na sua base tecnológica as soluções da Red Hat. Todas as transações feitas passam pelo Banco Central e são registradas. O que requer estrutura de segurança robusta. Para evitar fraudes, são várias camadas de proteção, com criptografia e a autenticação. Mais efetivos e criteriosos do que para TEDs, DOCs e cartões de crédito, por exemplo. Renata Alba, gerente de Risco e Compliance e Jurídico da fintech Juno, disse que o foi um processo bastante longo. “Envolveu áreas de tecnologia, integrações, testes, e também a parte regulatória. Tudo isso para garantir a segurança do usuário e do comerciante que vai receber pagamentos por Pix.”

Até o momento, a segurança do Pix tem se mostrado eficaz. As maiores polêmicas envolvendo o pagamento instantâneo são no campo amoroso, com pessoas deixando recados aos pretendentes no momento da transferência. Enquanto isso, o casamento da Red Hat com o Banco Central continua, com aperfeiçoamento e manutenção do sistema.

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