Negócios

A Locaweb vai às compras

Uma das principais empresas de serviços digitais do País já adquiriu seis empresas e negocia a incorporação de outras para crescer e aumentar o portfólio de serviços

Crédito: Claudio Gatti

DE OLHO NO MERCADO Fernando Cirne, CEO da Locaweb. "Até desenvolver soluções complexas levaria de dois a três anos. Saiu mais barato e rápido comprar empresas" (Crédito: Claudio Gatti)

No concorrido e promissor mercado de tecnologia, a Locaweb parece estar com apetite para crescer e a diversificar seu portfólio de produtos e serviços. E tem pressa. Tanta pressa que sua principal estratégia para ampliar a participação no mercado é comprar outras empresas. Tem sido assim desde 2012 quando fez sua primeira aquisição ao incorporar a Tray, uma plataforma de e-commerce. De lá para cá, foram seis incorporações e o lançamento de duas marcas. Segundo o CEO da companhia, Fernando Cirne, a estratégia é ir às compras nos próximos anos porque é uma forma mais ágil de entrar em novos segmentos. “A gente entendeu que até desenvolver soluções complexas demoraria de dois a três anos, fora o alto investimento. Saiu mais barato e rápido comprar empresas, até porque elas trazem junto uma base de clientes formada e a expertise do segmento”, afirma.

Um ano depois de comprar a Tray, a Locaweb entrou no mercado de gestão de cloud e e-mail marketing para grandes varejistas com a aquisição da All iN. Em 2017 comprou a FBITS, incorporada à Tray por ser do mesmo segmento de atuação e, em 2018, absorveu a Cluster2Go (gestão de nuvem). Neste ano, mais duas incorporações: a gaúcha KingHost (hospedagem de sites) e a Delivery Direto, do ramo de aplicativos de delivery e gestão completa para restaurantes. Também houve lançamentos próprios como da Yapay, em 2017, marca que atua no setor de meios de pagamento, e a Locaweb Pro, focada em desenvolvedores, agências digitais e revendedores.

Além de facilitar o crescimento, a estratégia de aquisiçoes também é um mecanismo de sobrevivência em função da alta velocidade da evoluçao no setor de tecnologia. “Aquisições e fusões são comuns neste setor porque é a forma que as empresas têm de acompanhar as mudanças. Por mais que uma companhia tenha capacidade de inovar, sempre aparece alguém com algo novo. O jeito mais rápido de não perder o ‘timing’ é incorporando essa empresa”, afirma Pietro Delai executivo de Nuvem e Software da consultoria IDC.

A Locaweb surgiu há 21 anos oferecendo serviços de hospedagem de sites. Começou com investimento inicial de R$ 30 mil e em 2018 fechou com faturamento de R$ 371 milhões com Ebtida (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) de R$ 83 milhões. Atualmente oferece 21 serviços a mais de 400 mil clientes, conta com apoio de 19 mil desenvolvedores parceiros e emprega 1,5 mil funcionários.

A empresa tem um departamento específico para analisar oito diferentes mercados do setor com o objetivo de encontrar oportunidades de compra. São consideradas boas opções companhias que reúnem características convergentes com a linha de atuação da própria Locaweb, como a possibilidade de cross selling (permite a oferta de produtos complementares ao que o cliente já possui ou está adquirindo), sinergia de custos, apresentar bons resultados, entre outros. Ser um business de assinatura é essencial. “Todos os nossos produtos são comercializados no formato de assinatura. Isso traz certa previsibilidade de resultados”.

E-COMMERCE A companhia atua muito na linha do Saas (Software as a Service, que em português significa software como um serviço). Dentro desta linha tem se dado bem no desenvolvimento de Saas para o e-commerce, segmento considerado por Cirne como um dos mais promissores para os próximos anos, o que dá uma pista sobre possíveis novas aquisições. “O comércio eletrônico ainda tem muito a amadurecer no Brasil. Quando a gente compara com países como Estados Unidos e China, dá para perceber que aqui é de três a quatro vezes menor. Ou seja, dá para explorar bastante ainda”.

Cirne tem razão. De acordo com o relatório Webshoppers, elaborado pela Ebit/Nielsen, no ano passado o e-commerce brasileiro cresceu 12% em relação a 2017, apesar da crise econômica. Foram 58 milhões de consumidores que fizeram 123 milhões de pedidos e geraram R$ 53,2 bilhões em faturamento. Parece muito, mas esse valor representa apenas 4,3% da movimentação do comércio varejista. Na Europa Central e Leste Europeu o e-commerce representa 20,6% das vendas, na Ásia e Oceania, 18,3%, na América do Norte, 9,9% e na Europa Ocidental, 9,6%. Além disso, o relatório aponta que 60% das transações são feitas na região sudeste. Ou seja, as demais regiões ainda vão crescer muito. E com a chegada da internet 5G nos próximos anos, os dispositivos móveis terão mais estabilidade operacional e isso deverá inserir mais consumidores na plataforma de e-commerce. “Estamos preparados para atuar dentro deste novo cenário”, garante Cirne.