Negócios

A Kiabi sorri para o Brasil

Loja francesa de fast-fashion entra no País com plano de abrir 40 lojas em cinco anos para competir com Renner, Riachuelo e C&A

Crédito: Gabriel Reis

Otimismo: Marcos Miranda, vice-presidente da Kiabi no Brasil, e Aurelie Vergues, diretora da primeira loja da marca no País, planejam conquistar o mercado local aos poucos (Crédito: Gabriel Reis)

A rede francesa de fast-fashion Kiabi tem uma maneira peculiar de contratar funcionários. Para selecioná-los, a empresa, que pertence ao Grupo Mulliez, dono da loja de materiais de construção Leroy Merlin, convida todos que se inscreveram no processo seletivo para uma festa e escolhe os mais descolados. A estratégia, diz François Haimez, CEO da Kiabi no Brasil, ajuda a encontrar pessoas felizes (o lema da marca é “vestir felicidade”) e que tenham facilidade em se relacionar. “A maneira com que tratamos as pessoas faz com que tenhamos 75% dos funcionários trabalhando na Kiabi por pelo menos cinco anos”, afirma ele.

Esse estilo inusitado de contratar chega ao Brasil em agosto, quando a marca inaugura sua primeira loja de 1,5 mil metros quadrados no Shopping Ibirapuera, em São Paulo. Em cinco anos, o plano é abrir 40 unidades. A importância dessa estreia no País é tão grande para a Kiabi que a executiva Aurelie Vergues, que era a responsável pela unidade de maior faturamento na Europa, foi deslocada para cuidar do projeto. A vice-líder de vestuário na França, com receita anual de € 2 bilhões, planeja surfar a próxima onda de consumo dos brasileiros.

A marca vende cerca de 275 milhões de peças por ano em suas 500 lojas espalhadas em 15 países e tem como carro-chefe as categorias baby, plus size e os jeans de baixo custo (é líder de venda na categoria no mercado francês). É possível encontrar peças pelo preço equivalente a R$ 15 nas lojas da Europa. “Nesses três primeiros anos no Brasil, o grande desafio da marca vai ser adaptar as coleções, manter o preço baixo praticado nos outros países e atrair o consumidor brasileiro a essa modelagem europeia”, diz Katherine Braun, professora do núcleo de estudos Retail Lab da ESPM.

A concorrência será um desafio para a Kiabi em um mercado que movimentou R$ 144 bilhões, em 2017. A grife inglesa TopShop, que chegou ao Brasil em 2012 com a proposta de concorrer de igual para igual com Renner, Riachuelo e C&A, encerrou suas atividades no ano passado. A estimativa é de que a marca investirá cerca de R$ 200 milhões para concretizar seus planos. É um aporte modesto. Só a Renner anunciou investimento de R$ 620 milhões neste ano para a abertura de 70 lojas. “A família Mulliez não investe para perder e eu só entro em projeto para ganhar”, diz Marcos Miranda, vice-presidente da marca no Brasil. O otimismo da Kiabi indica que a festa brasileira está no início.