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A jogada ensaiada da NBA no Brasil

Ao comemorar 75 anos, a liga de basquete americana celebra a alta do número de fãs e a liderança de audiência no País, o segundo maior mercado fora dos Estados Unidos. Ações como a NBA House e a Jr. NBA servem de bandeira para expansão dos negócios.

Crédito: Claudio Gatti

"Estrategicamente, o mercado no Brasil hoje é o segundo prioritário da NBA fora dos EUA, atrás apenas do chinês” Rodrigo Vicentini, Head da NBA no Brasil. (Crédito: Claudio Gatti )

Os números não mentem. Principalmente os relacionados à NBA, a liga de basquete americana. São 75 anos de existência celebrados em 2022 e uma legião de fãs pelo mundo. No Brasil, o segundo maior mercado internacional e onde completa dez anos de operação este ano, a idolatria também é fervorosa. O volume de aficionados pela bandeira subiu de 31 milhões, em 2019, para os 45 milhões atuais (45% deles mulheres), segundo pesquisa do Ibope Repucom. Mesmo em meio à pandemia. Além disso, o País ocupa a liderança no total de assinaturas de streaming fora dos Estados Unidos. “Em números gerais, o nosso crescimento no Brasil supera mais de 50%”, disse à DINHEIRO Rodrigo Vicentini, head de operações da NBA no País. “Estrategicamente, o mercado brasileiro hoje é o segundo prioritário da NBA no mundo, atrás apenas da China. E a NBA, apesar dos 75 anos de existência, segue crescendo e quase engatinhando. Tem muito a se desenvolver ainda.”

O sucesso da marca no País tem quatro importantes impulsionadores, de acordo com o executivo: o amor e o costume do brasileiro em praticar esportes, além da intensa competitividade; o treino do basquete desde a escola; a cobrança dos consumidores por bom tratamento; e a condição aspiracional da NBA para o cidadão do País. “Você mistura todos esses fatores e tem uma combinação quase explosiva”, disse Vicentini, ao destacar a possibilidade de um crescimento ainda “gigantesco” do mercado brasileiro. “Fizemos uma construção muito sólida nos últimos dez anos para o negócio continuar se desenvolvendo.”

Todas as frentes e as atuações de negócios no Brasil têm uma característica comum da NBA no mundo: focar no fã. No Brasil, tradicionalmente conhecido como o ‘País do futebol’, a liga e as suas principais estrelas, como os jogadores LeBron James, Stephen Curry e Kevin Durant, despertam o interesse principalmente de jovens entre 14 e 18 anos, que acompanham a nova geração do basquete, e de adultos acima dos 40 anos, que curtiam a lenda Michael Jordan, hexacampeão Chicago Bulls nos anos 1990, e que ainda seguem a NBA.

A estratégia da liga para incrementar os números no Brasil e ampliar a relação com os admiradores tem sido o desenvolvimento de ações, dentro e fora das quadras. Neste ano, o destaque será o retorno presencial da NBA House, entre 2 e 19 de junho, em São Paulo. Os visitantes terão a oportunidade de participar de um evento interativo com jogos ao vivo, realidade virtual, competições, além de shows. “É o nosso principal cartão de visita. Esperamos mais de 30 mil pessoas durante essa ação. A ideia é que os fãs se sintam mergulhados no universo da NBA”, afirmou o executivo.

Atender os desejos dos fãs é regra para a liga, que tem como principais atrativos os produtos associados às franquias, aos jogadores e à própria NBA. No Brasil são comercializados mais de 2 mil itens oficiais em 19 lojas, sendo 18 físicas e a on-line. A principal delas foi inaugurada em 2021 no Morumbi Town Shopping, na capital paulista. A NBA Store Arena, com 1,5 mil m², é a maior da América Latina e a quarta no mundo. “O cliente não vai lá para entrar e sair”, disse Vicentini, em comparação a uma loja tradicional de varejo. “Ele vive uma experiência imersiva. Pode comparar a mão dele com a do Shaquille O’Neal, ver o tênis autografado pelo Durant, arremessar uma bola na tabela. E, em algum momento, vai comprar alguma coisa.” Os espaços vendem das tradicionais regatas e jaquetas, a chinelos e almofadas, por exemplo. Um milhão de pessoas visitam as lojas anualmente.

A experiência com este tipo de ambiente tem sido tão satisfatória que a NBA prepara o lançamento de um espaço ainda maior em Gramado, no Sul. Sem dar muitos detalhes, Vicentini afirmou que será um “parque temático gigantesco”, com diversas experiências aos consumidores. “Um investimento importante que a liga vai fazer e, ao mesmo tempo, um espaço que vai ficar na cidade.” Segundo reportagem do Jornal de Gramado, a arena terá 4 mil m², com modernos vestiários, quadra com dimensões oficiais, área de aquecimento, restaurantes, além de outras atrações. A inauguração está prevista ainda para este ano.

AULAS A expansão dos negócios se estende ao lado social com projetos que visam fomentar o basquete no Brasil. Em 2021, a NBA lançou o programa Jr. NBA, que visa auxiliar na preparação de professores para o desenvolvimento da modalidade. Até agora, já foram capacitados mais de 10 mil profissionais na rede pública nas cidades de São Paulo, Joinville, Canoas e Caruaru, além dos Estados de Pernambuco e Espírito Santo. “O programa é gratuito, com 40 horas de duração e já impactou 2 milhões de alunos”, disse o executivo, ao destacar que o objetivo é atingir 10 milhões de crianças em dez anos. As aulas com metodologia NBA têm embaixadores de primeira linha, como os brasileiros Anderson Varejão, Hortência, Magic Paula e Janeth.

A atenção disponibilizada pela NBA aos fãs não se limita a eventos e a produtos. É fundamental que eles possam acompanhar as partidas da liga pelo canal que preferirem. Na TV aberta, a Bandeirantes é a detentora dos direitos de transmissão, enquanto que na fechada estão em poder do SporTV e da ESPN. Plataformas digitais, como o YouTube e o Twitch, também são opções.

O NBA League Pass, aplicativo próprio da Liga, também tem sido um importante impulsionador ao disponibilizar todos os jogos da temporada e os playoffs. O Brasil é o número 1 no mundo em assinantes, com alta de 44%, ano a ano. Além disso, a NBA inovou em 2021 ao exibir uma partida pelo streaming Twitch tendo como atração Alexandre ‘Gaulês’ Borba, o maior streamer brasileiro, com cerca de 3 milhões de seguidores.

Com uma linguagem diferenciada, Gaulês cumpriu o objetivo da bandeira de atrair a atenção da geração Z (pessoas nascidas entre 1995 e 2010). Segundo Vicentini, 90% desse público se conecta à NBA por meio dos jogos e não necessariamente do esporte em si. “Daí visualizamos espaço para trabalhar com um dos maiores streamers do mundo.” Outro arremesso certeiro que tem garantido vitórias à NBA no Brasil, seja dentro ou fora das quatro linhas.