Tecnologia

A INTEL DENTRO DO CELULAR

Há uma lei inquestionável na fabricação de chips para computadores. Essa regra determina que a capacidade de processamento desses produtos deve dobrar a cada 18 meses. É a conhecida Lei de Moore, que sempre foi levada à risca pelos fabricantes, em especial a líder do setor, a Intel. Agora, é a vez do mercado de telefonia celular experimentar um pouco desse princípio. A Intel reuniu todo o seu conhecimento para disputar espaço nos celulares que serão fabricados nos próximos anos em todo o mundo. Esse projeto começou a sair do papel com a apresentação do chip Manitoba, que reunirá em um único aparelho a capacidade de processamento equivalente a um Pentium II. Pode parecer pouco, mas significa uma pequena revolução em um mercado que nos últimos anos se habituou a evoluções tecnológicas mais tímidas. ?É um mundo que ainda não alcançou a sua maturidade tecnológica e nós queremos colaborar?, afirma Paulo Cunha, gerente geral da Intel no Brasil.

A entrada da Intel nesse mercado acrescenta um novo capítulo ao modelo de negócios da empresa. Líder absoluta no setor de processadores para PCs com 83% das vendas, a companhia trabalha com a perspectiva de desaquecimento nas vendas de computadores. Até o final dos anos 90, o mercado dobrava a cada ano, mas chegará ao final desta década com uma taxa de crescimento de no máximo 10%. No caso dos celulares, a situação é bem diferente porque novas tecnologias estão transformando esses equipamentos em verdadeiros computadores de mão, tudo em nome da convergência. Telefonia celular deixará de ser uma simples comunicação entre dois pontos móveis para se transformar efetivamente em uma grande oportunidade de negócios. É nesse ponto que a Intel aposta.



É um grande desafio para a
empresa de chips. A Intel está entrando muito atrasada nos celulares e vai precisar correr muito para conseguir incomodar as rivais devidamente estabelecidas. Além disso, grandes acordos que envolvem empresas de software e fabricantes já foram costurados. É o caso da operação entre a Microsoft e a Nokia, que busca criar um padrão tecnológico em todo o universo de celulares. Ninguém sabe, por exemplo, se as duas companhias irão escolher o chip da Intel como parceiro nessa estratégia. Conseguindo unir-se ao projeto, a Intel pode recuperar o tempo perdido. Caso contrário, o cenário promete ser difícil. Há concorrentes fortes como a Texas Instruments, que coloca seus chips em 2/3 dos celulares vendidos no mundo graças a acordos com os dois maiores fabricantes, a finlandesa Nokia e a sueca Ericsson. ?Estamos prontos para a briga?, afirma Antônio Motta, diretor comercial da Texas para a América do Sul. ?Respeitamos a Intel, mas em nosso mundo ela é uma novata?, afirma o executivo. A própria Texas lançará no próximo ano um chip que reunirá em um mesmo processador funções que hoje precisam de três chips para operar. Outro obstáculo será o preço dos equipamentos ?Intel Inside?, que deverão custar US$ 250 ? bem acima da média dos modelos atuais. A Intel justifica que esses celulares terão funções que hoje não existem.

A pretensão da Intel é transformar o Manitoba, cujo nome técnico é PXA800F, em um canivete suíço dos fabricantes. ?Queremos que os nossos clientes se preocupem em criar apenas serviços para os consumidores?, afirma Paulo Cunha. A lógica é a mesma do início do mercado de PCs. Quando a Intel apresentou o seu primeiro chip também existiam outros concorrentes. O mérito da empresa foi criar um padrão que isolou os adversários e tornou-se comum em qualquer PC. Alguns mais entusiastas apostam que a revolução por trás do chip pode ser comparada à transição do rádio para a televisão. Exagero à parte, o novo chip é capaz de colocar dentro do celular alguns recursos hoje restritos aos computadores. Por exemplo, os aparelhos com esse produto poderão fazer captura de vídeo simultânea com a execução de uma música em formato MP3.

A telefonia celular é apenas parte do plano de crescimento
da Intel para os próximos anos. Em março, a companhia lançará outro chip batizado de Centrino. Desenvolvido para computadores portáteis, o Centrino tem embutido um dispositivo de comunicação sem fio. Outra novidade que deve aparecer ainda este ano é o novo processador da família Itanium, de 64 bits. Diferentemente dos chips dos computadores pessoais que usam uma arquitetura de 32 bits, os de 64 bits estão ganhando uma fatia cada vez maior dos servidores corporativos, que lidam com grandes volumes de informação numa empresa. A Intel quer colocar seus chips em todos os lugares . Esse é o seu novo desafio.

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