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A incerta recuperação da economia mundial após o impacto da covid-19

Crédito: AFP

Passageiros de máscara no metrô de Moscou, em 2 de dezembro de 2020 - (Crédito: AFP)

O aparecimento da pandemia de covid-19, há um ano, provocou uma crise econômica sem precedentes, e devolveu aos Estados Unidos um papel de destaque, mas também amplificou várias tendências da globalização, entre o apogeu da China e a afirmação do poder das gigantes tecnológicas.

– Uma crise sem precedentes –

Se fosse possível destacar um número, seria a dos 20,5 milhões de empregos destruídos em abril nos Estados Unidos.

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Em 1929, a catástrofe foi provocada por uma queda no mercado de valores; em 2008, por uma crise financeira; em 2020, o impacto é exógeno, mas paralisa, da noite para o dia, o conjunto de setores econômicos “físicos”.

As medidas de confinamento, que afetaram em abril metade da humanidade, representam uma comoção incomparável para uma economia mundial que funciona com uma produção ajustada, sem reservas, com cadeias de produção divididas.

Os aviões, que costumam transportar 4,3 bilhões de pessoas ao ano, ficam em terra. O turismo de massa, que representa 10,5% do PIB mundial, paralisa. Os navios de carga permanecem atracados, assim como milhares de tripulantes. Transportes e fábricas funcionam a meia capacidade, os pequenos comércios e restaurantes fecham e os teatros baixam as cortinas.

Ao contrário, as novas tecnologias, as telecomunicações, a distribuição pela internet e as farmácias tiram proveito desta crise, às vezes qualificada de “darwiniana”, que acelera a transição para um mundo digital.

Diferentemente de 2008, os países emergentes sofrem em cheio com a crise desde o começo. Suas exportações caem, assim como os preços das matérias-primas. Em 2020, o Fundo Monetário Internacional (FMI) prevê uma recessão mundial de 4,4%.

A esperança de uma recuperação rápida em V foi fugar, com os novos confinamentos do outono no hemisfério norte, antecipando um ano de 2021 ainda muito perturbado. Os avanços na frente das vacinas deixam entrever, no entanto, uma saída para a crise.

– “Custe o que custar” –

Outra diferença com as crises precedentes: a resposta dos governos foi imediata e maciça, “custe o que custar”, nas palavras do presidente francês, Emmanuel Macron.

Mas nada teria sido possível sem o Federal Reserve (banco central dos Estados Unidos), o Banco Central Europeu, o Banco da Inglaterra ou o Banco do Japão, que abriram as comportas para adquirir maciçamente títulos da dívida, principalmente dos Estados.

Os países deixam correr os déficits para evitar falências em série e desemprego em massa: embora a dívida da zona do euro deva superar 100% do PIB em 2020, o desemprego se estabilizou em 8,3% em setembro.

Os governos do G20 gastaram 11 trilhões de dólares para ajudar pessoas lares e empresas. O que não impediu ondas de demissões.

Os Estados Unidos representam um quarto destes gastos. A União Europeia lançou um plano de recuperação de 750 bilhões de euros (895 bilhões de dólares), financiado por um empréstimo comum, que ainda deve ser implementado.

– China, o X da questão –

Origem da pandemia, a China é inicialmente debilitada por este vírus, que a arrasta para uma recessão histórica (- 6,8% no primeiro trimestre). Acusado de ter demorado em informar a Organização Mundial da Saúde (OMS), o governo de Pequim é apontado. No entanto, o planeta se lança sobre as máscaras “made in China”.

Em 2020, a China será, ao contrário, a única grande economia a mostrar crescimento, estimado em 1,9% pelo FMI. Aumentou, inclusive, sua cota de mercado no comércio global, graças a suas exportações de produtos médicos e equipamentos para trabalho remoto, segundo a seguradora de crédito Euler Hermes.

E, enquanto os Estados Unidos estão mergulhados na pandemia e em uma difícil transição presidencial, o “Império do centro” continua mexendo suas fichas. Em meados de novembro, assinou um acordo comercial que reúne 15 países da Ásia e do Pacífico, o mais vasto do mundo.

A China também tem, em grande parte, a chave do problema crescente da dívida dos países pobres, dos quais detêm 63%.

– Os ‘Gafa’ ainda mais fortes –

Google, Amazon, Facebook e Apple (GAFA) se beneficiaram dos confinamentos, que multiplicaram os usuários das redes sociais, assim como as compras pela internet. O volume de negócios da Amazon aumentou 37% no terceiro trimestre, a 96 bilhões de dólares.

“Os grupos fortes ficam ainda mais fortes”, resume o analista Daniel Ives, da Wedbush Securities. E suas ações disparam na bolsa: +31% para a Google, +34% para o Facebook, +36% para a Microsoft, +58% para a Apple e +72% para a Amazon desde 1º de janeiro.

Mas esta hegemonia não está isenta de críticas. Abuso de posição dominante, difusão de conteúdo de ódio, desinformação, uso de dados pessoais, otimização fiscal, distribuição injusta de receita em detrimento dos meios, condições de trabalho: as ações e os processos se acumulam dos dois lados do Atlântico contra estas gigantes da internet, que são verdadeiros “adversários dos Estados”, segundo o ministro francês da Economia, Bruno Le Maire.

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