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A GUERRA VIRTUAL DE BUSH

Os Estados Unidos se orgulham de um conjunto de regras usadas para combater inimigos internos e externos. É a doutrina de segurança nacional que justifica o comportamento do país em períodos de guerra ou mesmo ataques terroristas. Há duas semanas esse universo de leis ganhou mais um item com a descoberta de uma ordem secreta assinada pelo presidente George W. Bush em julho do ano passado. Esse documento determina que todas as agências de inteligência americanas, incluindo a CIA e a polícia federal do país, o FBI, estudem
formas de desenvolver armas para uma guerra virtual, via internet, onde não haverá alvos concretos e o inimigo poderá estar em qualquer parte do planeta. Não satisfeito em se envolver numa guerra convencional com homens e máquinas, Bush quer declarar a primeira e-war da história mundial.

A ciberguerra é um tema que acompanha os americanos desde a explosão tecnológica no país. Hollywood produziu filmes sobre o assunto, como Jogos de Guerra de 1983. Livros foram escritos e o debate ficou mais intenso no final dos anos 90 com o crescimento da internet e o mundo dos computadores conectados. A ordem presidencial foi descoberta pelo jornal The Washington Post, o mesmo do escândalo Watergate que levou à renúncia do ex-presidente Richard Nixon. A decisão é mais que uma figura de retórica. Com o papel em mãos, as agências terão autonomia para desenvolver armas de combate para uma guerra onde os soldados estarão sentados à frente de computadores. Até um general quatro estrelas, James David Bryan, que trabalhava no programa espacial americano, foi recrutado para coordenar todas as operações nesse novo cenário. Analistas encontram muitas semelhanças dessa ansiedade bélica-computacional com os primeiros estudos sobre a bomba atômica nos anos 40. Antes da decisão de produzir arma de destruição em massa, os Estados Unidos também começaram a fazer estudos sem uma direção definida. Mais uma vez havia um inimigo que deveria ser combatido a qualquer custo e era necessário uma arma de alcance maior que as existentes na época. Como antes, os militares americanos não sabem quantificar os efeitos reais de uma investida contra sistemas de computadores.



Bush ficou mais preocupado com o assunto após os ataques terroristas ao World Trade Center, em setembro de 2001, que se somaram aos sucessivos vírus de computador espalhados na
internet capazes de gerar prejuízos para empresas americanas. A paranóia em alguns setores do governo chega ao ponto de responsabilizar grupos terroristas pela criação das pragas virtuais. Até agora, nada nesse sentido foi provado. Nenhum grupo identificado, mas o presidente americano e seus assessores mais diretos têm a certeza que Saddam Hussein pode ser o último inimigo tradicional dos Estados Unidos.



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