A guerra pelos salários públicos

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Esquentou de vez a disputa por aumentos no funcionalismo. O aceno do presidente Bolsonaro de que deverá mesmo
conceder reajuste às categorias policiais, pedindo paciência às demais, acirrou os ânimos. O recado direto na última segunda (21) demonstrou a falta de compromisso do Planalto, que havia prometido voltar atrás no assunto. O presidente foi aconselhado a ser mais salomônico na proposta, com a divisão da verba já aprovada, de R$ 1,9 bilhão, entre todas as áreas. Existe a ideia de um bônus linear da ordem de R$ 400, o que custaria, no total, mais de R$ 5 bilhões aos cofres da União. Técnicos consideram baixo o valor de R$ 400, comparativamente ao percentual dos salários médios, e não descartam a reação negativa dos policiais, que contavam com um aceno de revisão maior do soldo. No Ministério da Economia a pressão é total para resolver o imbróglio. O ministro Paulo Guedes chegou a receber carta de 400 servidores do Tesouro exigindo aumento com a ameaça de paralisação e de “entrega generalizada de cargos”, em caso contrário. Os signatários se queixam do que chamam de “reajuste salarial seletivo envolvendo carreiras específicas do Poder Executivo”. O recado foi claro. Ninguém no universo brasiliense está satisfeito com o tratamento especial dado pelo mandatário aos seus colegas de farda. Funcionários reclamam de o capitão, ao se comportar de maneira corporativa, estar agindo como um verdadeiro sindicalista. Técnicos e auditores federais da área de Finanças e Controle querem o cumprimento da isonomia prevista em Lei. É grande o clima de frustração e ele se estende por toda a Esplanada dos Ministérios, podendo comprometer seriamente o apoio desse eleitorado fiel ao projeto de reeleição. Aliados do Messias já o avisaram do risco em curso. No Congresso, muitos acreditam que servidores possam vir a entrar com pedido de “remuneração equiparada”, caso o benefício aos policiais seja de fato confirmado. Enquanto isso, também no Banco Central, as coisas não andam nada bem. O presidente da Instituição, Roberto Campos Neto, chegou a se reunir com representantes dos trabalhadores para dissuadi-los da ideia de uma greve. Foi em vão. Os servidores se mostraram irredutíveis. A mobilização se deu por falta de uma reestruturação de carreira e também por reajustes. Na verdade, o populismo dirigido de Bolsonaro acabou por desencadear uma revolta generalizada. Não há nada de concreto na mesa para os demais servidores. Em conversa com Campos, sindicalistas disseram estar cientes de que “o gargalo das negociações não se encontra no BC e sim no governo federal”. Na Receita, a impressão não é diferente e muitas das atividades por ali entraram no modo de “operação padrão”. O presidente dá sinais de não perceber o tamanho da enrascada em que se meteu. Para se ter uma ideia das graves consequências em jogo, além dos problemas nos portos, aeroportos e postos de fronteira, com os auditores fiscais parcialmente parados em protesto, no Banco Central o funcionamento de alguns setores teve de ser completamente alterado devido ao risco em curso para toda a atividade financeira. O monitoramento do Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB), por exemplo, de responsabilidade da mesa do BC em São Paulo, teve de ser transferido temporariamente para Brasília. O temor de um colapso em diversas áreas está no ar.


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