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“A grande maioria dos criptoativos é porcaria ou foi criada com má-fé”, diz Roberta Antunes, da Hashdex

“A grande maioria dos criptoativos é porcaria ou foi criada com má-fé”, diz Roberta Antunes, da Hashdex

Especialista diz que é importante entender o projeto de cada criptoativo e sua chance real de crescimento. Ao todo, existem mais de 10 mil disponíveis no mercado

A convidada do novo episódio do MoneyPlay Podcast, programa voltado para o mundo das finanças, apresentado pelo educador financeiro Fabrício Duarte, é Roberta Antunes, diretora de Crescimento da Hashdex, maior gestora de criptoativos da América Latina. 

Formada em Marketing, foi CEO da Endless, empresa de sistema operacional do Vale do Silício e co-fundadora do Hotel Urbano. No programa, ela fala sobre os principais produtos regulados do mercado de criptomoedas, riscos e cuidados para quem quer investir em moedas digitais.

>>> Assista aqui o vídeo na íntegra.

Roberta sempre fez carreira com empreendedorismo e tecnologia. Até 2019, trabalhou na Endless com o co-fundador da Hashdex, Marcelo Sampaio, que a convidou para trabalharem juntos novamente quando ela retornasse ao Brasil. 

“Foi um desafio enorme, pois eu não era do mercado financeiro, mas entendia de tecnologia e fiquei impressionada com a descentralização do blockchain”, conta. “Topei o desafio de trabalhar com tecnologia, agora voltada para investidores.”

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Mercado de criptomoedas

A executiva acredita que, hoje, há pessoas com perfis muito variados investindo em moedas digitais. O que varia é o tamanho da alocação – há quem invista R$ 500 e até grandes fundos. Só o HASH11, ETF (cota de fundo vendida como ação na bolsa) da Hashdex, tem 150 mil investidores e aproximadamente R$ 2,6 bilhões sob gestão. 

Com a regulamentação do mercado, o acesso a criptoativos com proteção foi facilitado. Hoje, há desde fundos disponíveis em plataformas a ETFs regulados pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima). Isso significa que os ativos seguem processos e critérios de segurança que garantem a sua proteção.

Outro ponto importante é diferenciar a compra direta de criptomoedas em corretoras da compra de cripotoativos, já que estes contam com um especialista que faz sua gestão. “Mesmo que você aprenda muito, a chance de bater o resultado de um gestor é muito pequena”, alerta Roberta.  

Contar com a expertise de um gestor experiente é importante, pois esse é um mercado muito volátil. Estudos recentes, conta Roberta, mostraram que acertar o timing de quando comprar ou vender é muito difícil: a volatilidade é de até 70% no mês a mês. “Acertar o dia então, é ainda mais arriscado”, alerta a diretora. “Já em cinco anos, a chance de retornos muito positivos é bem maior. É um investimento de longo prazo.”

Cuidados

A especialista indica alguns pontos importantes para observar antes de investir nesse mercado. O primeiro é como escolher em qual investir, pois existem mais de 10 mil criptoativos disponíveis no mercado. “A grande maioria é porcaria ou foi criada com má-fé”, alerta. “Por isso, é importante entender o projeto de cada um e a chance de eles realmente crescerem.”

Também é importante cuidar da custódia (armazenamento) da criptomoeda, seja a corretora contratada ou o próprio investidor. Isso é fundamental, pois se o “dono” da moeda digital perder sua chave por conta de hackers ou por descuido, não há uma entidade a recorrer, é irrecuperável. Daí a importância de escolher bem a corretora que irá contratar. 

Outro ponto é que, quando você compra diretamente a criptomoeda, você é responsável pelo cálculo e pagamento dos impostos. Mas se contrata uma gestora, esse processo é bem mais simples.

Uma questão que demanda atenção, mas que pouca gente aborda, é o processo sucessório de chaves privadas. “Quando o dono morre, não é como no banco, que vai automaticamente para os herdeiros”, compara Roberta.” É preciso deixar um “mapa da mina” da chave sem expor o acesso.” 

Por último, é preciso ficar atento ao tamanho da alocação em criptomoedas. “Como são ativos com maior risco, é preciso que ele seja uma parcela pequena do total da sua carteira”, aponta. Além disso, o investidor nunca deve acreditar em promessas de retorno garantido. “Isso não existe em qualquer investimento. Só invista naquilo que estiver confortável.”

>>> Confira aqui todos os episódios do programa.