Finanças

A Getnet quer briga

Empresa de adquirência ligada ao banco Santander Brasil lança a portabilidade das maquininhas para disputar o mercado das pequenas empresas

Crédito: Claudio Belli/Valor

Exemplo da telefonia: Pedro Coutinho, presidente da Getnet, quer reproduzir a portabilidade dos telefones celulares (Crédito: Claudio Belli/Valor)

Pedro Coutinho, presidente da Getnet, empresa de adquirência controlada pelo Banco Santander, passou parte da manhã da quinta-feira, dia 1º de agosto, conversando com os vendedores ambulantes que batalham diariamente ao lado da sede do Santander, na zona Sul de São Paulo. Não, ele não se tornou um aficionado das tapiocas vendidas no local. “Eu estava conferindo com esses empresários o que os leva a trocar a maquininha de crédito e débito que usam”, diz ele. “Confirmei que o preço do aparelho e a taxa cobrada pela prestação dos serviços são determinantes na escolha do equipamento.” Se as conclusões tivessem sido outras, o executivo teria um problema. Naquele dia, a Getnet anunciou que está partindo para a briga com as concorrentes que miram os microempreendedores individuais e os pequenos empresários, segmento liderado por nomes como PagSeguro e Stone.

Para isso, a Getnet vai oferecer aos clientes a possibilidade de processarem as transações de suas maquininhas por meio do aplicativo do Santander. “Estamos oferecendo uma taxa de 2% e o pagamento em dois dias úteis, que são condições melhores do que as da concorrência”, diz Coutinho. “O cliente só terá de baixar nosso aplicativo no celular, emparelhar o equipamento de qualquer operadora e cadastrar a conta, que pode ser de qualquer banco.”

A meta da empresa é crescer no segmento mais aquecido do mercado de adquirência. Após duas décadas de letargia, há quatro anos o setor acordou para o imenso potencial dos microempreendedores. Para driblar a informalidade e o faturamento baixo, a solução foi vender as maquininhas, em vez de alugá-las, e vincular os equipamentos a cartões pré-pagos ou a contas sem tarifa. As adquirentes tradicionais, como Cielo, Rede e a própria Getnet, chegaram tarde nesse mercado. Agora, a empresa presidida por Coutinho quer tirar o atraso.

Segundo o executivo, a Getnet tem 40 mil dessas máquinas “pareáveis” (ou seja, que dependem de um smartphone para funcionar), em um mercado estimado em 3,5 milhões de equipamentos desse tipo. “Queremos chegar a cerca de 350 mil maquininhas até o fim de 2020”, diz ele.