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“A gente busca os melhores investimentos em qualquer lugar do mundo”, diz Daniel Mathias, CIO da O3 Capital

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Daniel Mathias, da O3: “Abilio Diniz é um grande mentor e os pilares da cultura da Península permeiam a governança do nosso negócio, mas somos completamente independentes na gestão de recursos” (Crédito: Divulgação)

Daniel Mathias, Chief Investment Officer (CIO) da O3 Capital, gestora que tem como sócio  Abilio Diniz, é o convidado do novo episódio do MoneyPlay Podcast, programa voltado para o mundo das finanças, apresentado pelo educador financeiro Fabrício Duarte.

Mathias, mais conhecido como Poli, é formado em Administração de Empresas, com Mestrado em Finanças e Economia. Passou pelos bancos BNP Paribas, Itaú e Original, além da área financeira da Eldorado Celulose e da Rede Bandeirantes. No programa, ele conta como foi sua entrada no mundo financeiro, os aprendizados da atuação na economia real e como, desde 2014, ajuda no crescimento e performance da O3.

>>> Assista aqui o vídeo na íntegra.

Na família do administrador de empresas Daniel Mathias, dinheiro sempre foi coisa séria. Desde cedo seu pai deixou claro que não deixaria herança para os filhos, mas apenas um cheque em branco para educação. Dali em diante, cada um teria que trabalhar para ganhar o seu dinheiro. 

Ele seguiu o exemplo dos dois irmãos mais velhos e também entrou no mercado financeiro como estagiário do investing banking do BNP Paribas. Na sequência, passou pela Tesouraria do Itaú e pelo Banco Original.

+As pessoas gastam mais tempo comparando geladeira do que decidindo onde investir seu dinheiro

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+Não é difícil juntar R$ 1 milhão, as pessoas que colocam travas na cabeça

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Do outro lado do balcão

Depois de 10 anos no mercado financeiro, Mathias aceitou uma proposta para ajudar na estruturação financeira do projeto Greenfield na Eldorado Celulose. “O mundo real é muito diferente do mundo financeiro”, afirma. “Na empresa, você vê como as informações são levantadas, acompanha as dificuldades.”

Para o executivo, a experiência foi gratificante, mas serviu para ter certeza que ele queria mesmo era atuar no mercado financeiro. Então, aceitou a proposta de trabalhar na O3 Capital. Na época, a família Diniz estava deixando de ser um family office para profissionalizar a gestão de seus investimentos líquidos. 

Antes de entrar na O3, Mathias era especialista em investimentos no Brasil. Na gestora, teve a oportunidade de conhecer ativos nos Estados Unidos, Europa e China. “Precisei aprender coisas novas e mudar minha maneira de montar portfólio”, relata. “Hoje, buscamos os melhores investimentos em qualquer lugar do mundo.”

Atualmente, a gestora investe em empresas de tecnologia nos EUA, e de consumo na Europa. Já na China, enxergam diversas oportunidades já que o país vem se tornando a segunda potência mundial. “Nesses lugares estão as melhores empresas do mundo: elas estão na vanguarda do conhecimento, têm mercado forte, histórico de ganho muito grande.”

Outra vantagem, aponta Mathias, é que no exterior há muitas “teses” que não existem no Brasil, referindo-se às opções de investimentos. Mas quando o aporte é em renda fixa, o time da O3 busca oportunidades em mercados em desenvolvimento. “O Brasil, por exemplo, tem juros sempre bons para receber”, diz. 

Novos investidores

Em maio deste ano, a O3 Capital abriu o seu fundo multimercado (O3 Retorno Global) para investidores qualificados, de acordo com regras da  Comissão de Valores Mobiliários (mínimo de R$ 5 mil de aporte inicial), e para investidores gerais (mínimo de R$ 1 mil) por meio das principais plataformas do mercado.

Mathias explica que o fundo para investidores qualificados tem mais liberdade, como mandar até 40% do patrimônio para o exterior. Já o segundo, menos flexível, só pode mandar 20% do patrimônio. Até o fim de julho – sete meses após a abertura – a rentabilidade dos fundos foi de 2,62% e 2,65%, respectivamente. 

“Em 2019, o time estava mais maduro e conversamos com a Península para crescermos. Eles toparam e sugeriram sociedade no negócio aberto a terceiros”, relata Mathias. “O momento atual de juros baixos e o aumento no número de gestoras foi propício à decisão.”

Hoje, o patrimônio sob a gestão da O3 é de quase R$ 1,8 bilhão. Desse total, R$ 1,5 bilhão é da Península e o restante de outros investidores. E, apesar da Península ser a detentora da maior parte do capital, Abilio Diniz e sua família não participam da gestão dos recursos.

“O Abilio é um grande mentor e os pilares da cultura da Península permeiam a governança do nosso negócio, mas somos completamente independentes na gestão de recursos”, explica o CIO da gestora. “Sempre foi assim, mesmo antes da abertura.”

Desafios

O primeiro semestre depois da abertura da O3 foi dedicado a colocar a casa em ordem, segundo o executivo. O objetivo era estruturar a entrada do fundo nas plataformas do mercado e torná-lo conhecido do público. “Agora, precisamos apresentar uma performance com consistência e contribuir para a educação financeira dos brasileiros”, diz Mathias.

Outro grande desafio na lista da O3 é não ficar parado no tempo. “A gente tem um método que funciona, mas, como todas as outras empresas, estamos buscando coisas novas”, afirma o administrador. “Por isso, sempre olhamos a tecnologia para ver como ela vai nos ajudar na tomada de decisão.”

Recentemente, a O3 contratou cientistas de dados para auxiliar na empreitada. “A capacidade humana de juntar dados e tomar decisões é limitada, então eles podem programar os robôs para nos ajudar”, justifica. “Para entregar uma boa performance preciso de humanos tomando decisões, não robôs. Eles vão dar um sinal, mas alguém precisa decidir.”

Mathias diz que, mesmo com  a pressão por resultado, na O3 há uma cultura com uma visão bem humana, “O portfolio manager não pode estar acuado a ponto de tomar decisões ruins. Ele precisa ter tranquilidade para olhar para as posições com consciência do seu viés para tomar as melhores decisões.”

Ele acredita que, em momentos de estresse, o ser humano precisa ter suporte para não  congelar, fugir ou atacar. “A pessoa precisa saber que vai errar, mas que isso faz parte de processos inovadores. Caso contrário, o erro vira um ponto cego no retrovisor”, diz. “O importante é cometer erros novos.”

Confira aqui todos os episódios do programa.