Finanças

A Fintech que fabrica bancos

Com o suporte de um fundo de investimento que administra ativos de R$ 2 bilhões e um grupo de profissionais gabaritados em tecnologia, a BTX Digital desenvolve instituições bancárias sob medida para empresas que faturam acima de R$ 100 milhões por ano.

Crédito: Divulgação

O negócio parece promissor. Parte da premissa de aglutinar, em um só produto, o que diversas fintechs oferecem de maneira segmentada. Em resumo: um banco completo, com aplicativo, open banking, cashback, recompensas, autorização legal, SAC com inteligência artificial, cartão de crédito, rede de ATM própria, conexão multidispositivos, remessa internacional, marketplace, correspondente de conta digital e pagamento instantâneo. “Tudo com a marca que o cliente desejar. Se um time de futebol quiser, ele pode ter um banco só dele com todos esses produtos”, afirma Rafael Pimenta, co-CEO da BTX Digital, fintech que recebeu um aporte inicial de R$ 20 milhões para se tornar a primeira “fábrica de bancos” do País. “A BTX Digital é uma empresa que cria banktechs, espécie de junção de várias fintechs. Cada banco digital pode contar com outras empresas que vão lidar com um aspecto diferente da operação financeira. Tudo depende do modelo de negócio que o cliente quer”, diz Pimenta.
+ Linx fecha compra da fintech PinPag por R$ 135 milhões
+ A gestão de crise no mundo das fintechs

A inovadora proposta de desenvolver bancos digitais customizados bastou para convencer o fundo de investimento RedLions Capital a bancar o desenvolvimento da BTX. Dos R$ 20 milhões do aporte recebido, metade foi destinada só para a criação da nova empresa. Na prática, o que ela faz é prover um conjunto de soluções que permitam a empresas de qualquer segmento operar como instituição financeira. O serviço oferecido para o cliente é o de um banco tradicional, com possibilidade de pagamento de contas, realização de transferências, conta-corrente e até recompensas. A BTX é responsável por todo o investimento nos bancos criados. “Nós financiamos a entrada desses bancos no mercado e damos o funding”, explica Fernando Oliveira, board member da RedLions e também co-CEO da BTX Digital. “As empresas contratantes não entram com dinheiro. Em troca, o controle oficial do banco será dividido: metade dos clientes e metade da BTX”. Segundo Pimenta, o retorno de investimento chegará em até um ano e meio, impulsionado pela alta tecnologia que já está presente no negócio que foi personalizado para aquele cliente.

A BTX já tem hoje operações para nove bancos: Caras Bank, FunBank, TV Bank, Iron Bank, FT Bank, eNovaBank, Venture Bank, Secret Bank e até Fecomercio Bank. Cada um tem as suas particularidades. Se o cliente quiser todas, A BTX oferece e operacionaliza qualquer ferramenta. “Estamos bem otimistas e crescendo: a expectativa é fechar 2020 com 18 bancos”, diz Fernando Oliveira.

CONCORRÊNCIA A expectativa tem fundamento. Além dos bancos digitais que já atraíram milhões de correntistas no País (caso de Nubank, Original, Inter e Next, entre outros), a oferta de serviços financeiros também se tornou uma aposta de grandes varejistas. No ano passado, a Via Varejo, que controla as redes Casas Bahia e Ponto Frio, lançou o banQi, de olho nos clientes que todo mês pagam suas prestações por meio de carnê. Princípio semelhante foi adotado no lançamento da Conta Digital Pernambucanas, também em 2019.

De acordo com Rafael Pimenta, o grande diferencial da BTX é que o consumidor vai poder unir a praticidade dos bancos digitais com algumas vantagens exclusivas. “Como a BTX controlará muitos bancos, terá mais moeda de troca nas negociações com outros agentes. Os consumidores controlarão as suas contas nesses bancos por meio de aplicativos, que vão estar disponíveis em iOS, Android e WindowsPhone”, afirma.



FERNANDO OLIVEIRA e RAFAEL PIMENTA, da BTX Digital Pacote que condensa todos os produtos e serviços bancários já é adotado por nove empresas e entidades. Abaixo, os cartões de cada uma.

Para Diogo Carneiro, pesquisador e professor da Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras (Fipecafi), ligado à Universidade de São Paulo, a estrutura da BTX Digital traz uma complexidade inédita. “A empresa precisa se atentar à segurança da informação, inadimplência e questões regulatórias. Coisas que os bancos fazem para o público misto que atendem. Com diversos bancos diferentes, a BTX terá de administrar de maneira que a atuação não seja prejudicada e o cliente acabe lesado”, diz o professor. Em termos de regulação, o open banking, apesar de ser uma modalidade nova, já está sendo muito bem observado pelos governos e bancos centrais em todo o mundo. E o Brasil não está atrás nesse cenário. “É tudo muito novo”, afirma Carneiro. “Acredito que em no máximo quatro anos as coisas estarão diferentes tanto para bancos quanto para fintechs, já que o movimento segmentado mexeu muito com o sistema das instituições bancárias dominantes no Brasil”.

Em um setor de alta concentração, a BTX Digital se apresenta como pioneira em um segmento que tem tudo para prosperar. Novas bancktechs deverão atrair um nicho que tende a ser cada vez mais explorado: o da afinidade. A vantagem desse modelo é reunir clientes que têm gostos em comum, caso dos torcedores de um mesmo time de futebol. E quanto maior o público que uma marca atinge, mais clientes em potencial seu banco personalizado terá.

Veja também
+ Como podcasts podem ajudar na educação financeira do brasileiro
+ Mistério: mulher descobre que não é a mãe biológica de seus próprios filhos
+ Truque para espremer limões vira mania nas redes sociais
+ Chef playmate cria receita afrodisíaca para o Dia do Orgasmo
+ Mercedes-Benz Sprinter ganha versão motorhome
+ Anorexia, um transtorno alimentar que pode levar à morte
+ Agência dos EUA alerta: nunca lave carne de frango crua
+ Yasmin Brunet quebra o silêncio
+ Tubarão é capturado no MA com restos de jovens desaparecidos no estômago
+ Veja quanto custa comer nos restaurantes dos jurados do MasterChef
+ Leilão de carros e motos tem desde Kombi a Nissan Frontier 0km