Finanças

A Faria Lima chega à B3

Abertura de capital do BR Partners inaugura presença dos bancos de investimento entre as companhias abertas.

Crédito: Divulgação

A abertura de capital do banco de investimentos BR Partners na segunda-feira (21) inaugura uma nova fase no mercado brasileiro. Em praças maduras, como Estados Unidos e Europa, é comum que bancos de investimento sejam listados nos pregões. Aqui, isso não tinha ocorrido até agora. Por isso, o lançamento das units – que incluem uma ação ordinária e duas preferenciais do banco – e seu sucesso na abertura são momentos importantes do mercado de capitais.

Não foi a primeira tentativa. O BR Partners havia tentado abrir capital em 2020, mas as condições adversas do mercado frustraram as expectativas. Para agilizar o processo, o BR Partners fez uma oferta restrita. Essas ofertas se valem de regras específicas da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), e permitem a participação apenas de investidores institucionais, como fundos de investimento, o que torna o processo mais ágil.

Neste ano, ao retomar a operação, decidiu em fazer a oferta destinada para investidores institucionais, como fundos de investimentos. As units foram listadas no Nível 2 de governança corporativa na B3.

R$ 31mi foi o lucro do banco de investimentos no primeiro trimestre deste ano

A BR Partners é um banco de investimento independente fundado em 2009 — sua atuação vai desde a estruturação de produtos de renda fixa à assessoria financeira para operações de fusão e aquisição. No primeiro trimestre, teve lucro de R$ 31 milhões, alta de 43,4% em um ano. Sua rentabilidade no primeiro trimestre chegou a 40% no critério do retorno sobre o patrimônio líquido; o índice estava em 29,9% no mesmo período de 2020.

Dos recursos que estão indo para o caixa, o banco mira crescimento, com reforço da estrutura de capital e o fortalecimento de balanço da companhia, permitindo a expansão dos seus negócios nas áreas de crédito estruturado, mercado de capitais e tesouraria.

Os investidores gostaram da proposta apresentada pelo Banco. No lançamento, as units foram precificadas em R$ 16,00, e fecharam com alta de 3,45%, a R$ 16,55 no primeiro dia. Nos pregões subsequentes, as cotações continuaram subindo e fecharam a R$ 18,78 na quarta-feira (23), alta de 13,7% nos três primeiros dias de negociação. Com esse lançamento, é bastante provável que gestoras de recursos e outras empresas ligadas ao mercado de capitais usem a B3 para captar recursos e alavancar seus negócios.