Economia

A fábrica de Nobéis de Chicago

?Entre os economistas, Chicago não é o nome de uma cidade, nem mesmo de uma universidade, mas sim o de uma escola.? As palavras de Milton Friedman, Prêmio Nobel de Economia de 1976, ilustram a reputação e o orgulho da escola de Economia mais respeitada do mundo, a da Universidade de Chicago. Berço de 21 prêmios Nobel desde 1968, seis deles apenas na última década, a escola nunca ficou mais de três anos sem colher um deles. O último Nobel veio este ano para James Heckman, que usa a modelagem matemática para prever o comportamento dos agentes econômicos. Junto com Friedman, Gary Becker, Merton Miller e Robert Mundel, Heckman forma um dos times acadêmicos mais respeitados do mundo, bastião dos princípios do livre mercado e templo do controle férreo da emissão de moeda. ?Chicago é um lugar onde as análises econômicas têm conseqüências reais, não são apenas teoria?, diz Heckman. Será esse o segredo da usina de idéias econômicas mais influente do planeta?



Um dos fatos a se ter em conta sobre o departamento de Economia da Universidade de Chicago é que ele não é um oásis de inteligência. Dois blocos ao lado, no mesmo câmpus de Hyde Park, a poucos minutos do lago Michigan, está a escola de Física, que já recebeu um número ainda maior de prêmios Nobel ? exatos 24. ?O departamento de Física recebeu o primeiro prêmio da Academia sueca para os Estados Unidos?, conta Gale Johnson, professor emérito de Economia, que está na escola há 54 anos. Numa sala onde se acumulam livros de uma vida inteira, esse senhor de mais de 80 anos conta um pouco da história do lugar. ?Na primeira década do século, 15% dos PhD dos Estados Unidos saíram de Chicago? diz ele. Já se vê, desde logo, que o sucesso não é recente, e há quem acredite que ele tem a ver com o clima. ?De novembro a maio, fazia frio demais. Eu só estudava?, diz Claudio Haddad, PhD por Chicago em 1974 e ex-sócio do Garantia. ?No primeiro ano?, diz ele, ?acho que saí três vezes para me divertir à noite.? Outros acreditam que a localização geográfica da cidade ? no meio-oeste americano, distante do mercado de Nova York e da política de Washington ? ajuda a entender por que a carreira estritamente acadêmica é levada mais a sério em Chicago do que em outras instituições. ?A universidade não fica disputando clientes no governo ou nas empresas privadas?, explica José Alexandre Scheinkman, o brasileiro que chefiou por anos o famoso departamento de Economia. ?Os professores não fazem consultorias para o governo ou empresas. Eles se concentram na produção intelectual?, diz Scheinkman, que agora ensina na Universidade de Princeton.

A excelência da pesquisa não significa que os oriundos de Chicago se eternizam na vida acadêmica. Bancos centrais e grandes instituições financeiras privadas serão o destino mais comum dos 600 alunos da Economia ? 150 na pós-graduação ? que freqüentam a escola neste momento. Instalado no prédio gótico da Ciências Sociais, o celeiro de Nobéis é de uma espantosa austeridade. Professores-gênios e candidatos a gênio se espalham por salas minúsculas, todas decoradas com livros e lousas.

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No elevador antigo e pelos corredores forrados de quadros com fotos de ex-alunos circulam jovens das mais diferentes nacionalidades. Na semana passada havia lá 15 brasileiros ? e, assim como os demais, eles estão dando duro. ?A competição intelectual é fortíssima. Pelo menos um terço dos alunos é reprovado no primeiro ano?, afirma André de Castro Silva, um dos doutorandos brasileiros. Haddad confirma: ?Estudava doze horas por dia, a semana toda?. O ex-aluno Paulo Leme, hoje um dos diretores do banco Goldman Sachs, em Nova York, lembra que o curso era tão puxado que a solução era formar grupos e trocar conhecimento. Aliás, discutir tudo, o tempo todo, é uma das marcas registradas do lugar. A outra é o foco na vida real. ?Aqui, os números devem dizer algo sobre o funcionamento do mundo?, afirma Johnson.

O que os faz com que essas mentes poderosas e bem treinadas abram mão de empregos milionários no mercado para dedicar-se ao ensino? (Contrariando a idéia difundida pela Escola de Chicago de que o grande motor da vida econômica é a luta por dinheiro). Certamente não são os salários da universidade: bons professores recebem, em média, US$ 250 mil anuais. É menos do que receberiam em alguns meses de trabalho num banco de investimentos. ?Quando o departamento foi criado, em 1892, os salários chegavam a ser o dobro ou o triplo do que em outras universidades?, conta Johnson. ?Mas isso durou só na primeira metade do século?. Hoje em dia, o grande atrativo de Chicago é a possibilidade de conviver com algumas das melhores cabeças do mundo ? e, a partir disso, produzir com brilho e originalidade. Sim, porque o departamento não cobra quantidade. ?Aqui o que importa, mais do que tudo, é a qualidade?, diz Pierre-André Chiappori, um francês que há três anos leciona em Chicago. ?Você pode publicar um único artigo na vida, mas ele terá de ser o melhor já escrito sobre aquele assunto.? Quem está ali tem de ser o melhor na sua especialidade. ?Aqui a crítica é forte, não tem aquela cultura de que o professor tem sempre a razão?, conta Heckman. ?Todo santo dia você tem de provar de novo que está certo.?


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