Investidores

À espera dos lucros

Prévia de balanços das instituições financeiras aponta elevação expressiva nos resultados do terceiro trimestre de 2019, na comparação com igual período do ano passado, impulsionado por receitas com crédito e redução de despesas administrativas

Crédito: Ricardo Lisboa  |  Solange Macedo  |  Divulgação

Os analistas esperam bons resultados dos principais bancos brasileiros listados na bolsa de valores nos balanços do terceiro trimestre de 2019 a serem divulgados a partir de 29 de outubro. De acordo com a prévia divulgada pelo analista-chefe do BTG Pactual, Carlos Sequeira, o aumento do lucro líquido deve avançar entre 12% no Itaú Unibanco (R$ 7,228 bilhões) até 41% no Banco do Brasil (R$ 4,463 bilhões) em comparação com o igual trimestre do ano passado. Nas estimativas dele, o ganho do Bradesco evolui 15% (R$ 6,275 bilhões), ao passo que o do Santander caminha para uma alta de 23% (R$ 3,728 bilhões). Nas instituições menores, o reportado pelo Banrisul cresce 12% (R$ 326 milhões) e do Banco ABC Brasil aumenta 11%, para R$ 128 milhões.

Já entre as instituições financeiras não bancárias, a expectativa do BTG Pactual é
de queda de 51% nos resultados da Cielo (R$ 397 milhões) e evolução de 61% no lucro da B3 (R$ 749 milhões). Nas demais, o IRB deve registrar alta de 32% nos ganhos, para R$ 402 milhões; a BB Seguridade para R$ 978 milhões (+12%), SulAmérica Seguros alcança R$ 247 milhões (+5%) e Porto Seguro irá para R$ 325 milhões (+3%), em relação ao obtido em idêntico período de 2018.

Nas previsões do Credit Suisse para os bancos privados, o resultado do Itaú deve avançar 16,2% para R$ 7,262 bilhões no trimestre a ser reportado, enquanto o lucro do Bradesco pode saltar 32,2%, para R$ 6,622 bilhões, e os ganhos do Santander Brasil vão subir 15,6% e atingir R$ 3,513 bilhões entre julho e setembro.

Para Luís Sales, analista da Guide Investimentos, o crescimento dos lucros dos bancos será puxado pelo aumento das receitas de crédito para pessoas físicas e pequenos negócios. “A carteira imobiliária terá um avanço importante”, diz Sales, que prevê pressão nas receitas de serviços por causa da concorrência de bancos digitais e de fintechs. “Itaú, Bradesco e Banco do Brasil são muito conservadores no crédito, preocupados com o controle da inadimplência. O Santander parece um pouco mais agressivo”, afirma. Numa visão por instituição, Sales comentou que o Bradesco ainda deve apresentar receitas menores com gestão de fundos de investimentos por conta do ambiente muito competitivo das plataformas financeiras, ao passo que o Itaú e o BTG Pactual estão mais estruturados nessa área. “Mas apesar da queda das receitas com fundos, o Bradesco terá um impacto positivo da área de seguros”, diz.

Sales resume que todo o setor financeiro, com exceção de Cielo, apresentará bons resultados, e ressalta que possui uma visão mais positiva para o balanço do Banco do Brasil, ao lembrar que a instituição passou por uma reestruturação que resultará em custos administrativos menores. Vale lembrar que o BB fechou agências sobrepostas em todo o País e realizou um programa de demissão voluntária (PDV) no seu quadro de funcionários em seu esforço para se aproximar do retorno obtido pelos bancos privados.

Em linha semelhante, o especialista em ações da Levante Ideias de Investimento, Eduardo Guimarães, diz que a forte competição no segmento de credenciadoras (adquirência) diminuirá as receitas da Cielo (com impacto para seus acionistas Bradesco e Banco do Brasil), e da Rede, essa última incluída diretamente nos reportes do Itaú. “Cielo e Rede nunca mais serão as mesmas, estão muito pressionadas em receitas com tarifas”, afirma. Em outras palavras, as credenciadoras mais antigas são impactadas pela abertura do mercado de cartões e por novas tecnologias, a chamada “guerra das maquininhas”, que fez proliferar uma centena de startups: fintechs e plataformas digitais de pagamentos.

Guimarães cita que o pagamento de R$ 8 bilhões de dividendos extraordinários do Bradesco — anunciado em 7 de outubro último — ajudará o banco a melhorar seu retorno sobre o patrimônio líquido (ROE). “O Bradesco vai dar um retorno maior e ficar próximo do Itaú”, diz. Guimarães ainda aponta que a Bradesco Seguros irá contribuir com cerca de 30% do resultado do Banco Bradesco. “A BB Seguridade também reduziu seu capital e deve pagar mais dividendos aos seus acionistas, entre eles, o BB”, afirma.

HORIZONTE MAIS COMPETITIVO Na visão do diretor do Sistema de Análise de Balanços Empresariais (SABE), Luiz Guilherme Dias, os balanços dos bancos virão melhores neste segundo semestre, mas para o horizonte de médio prazo o cenário é de muita competição. “Olhando para frente, não creio em melhores resultados. As fintechs e outras plataformas digitais vão morder pelas bordas, ofertando custos bem menores aos clientes que os grandes bancos”, diz.

Dias calcula que o retorno sobre o patrimônio líquido das instituições listadas deve diminuir. “Já esteve em 23%, está na faixa entre 15% e 20%, e ficará entre 15% e 17%, no máximo”, afirma. Ele sugere que os bancos de varejo terão que se reinventar e voltar a contribuir para o crescimento da economia por meio da expansão do crédito. “Até o ano passado, o crédito estava muito restrito, os controles estavam muito rigorosos; agora, se percebe alguma flexibilidade. A expectativa é de que haja uma melhora no crédito para pessoas físicas, pois o desemprego começa a ceder”, afirma.