Negócios

À espera do auxílio

Sem dinheiro para estender o benefício, governo condiciona liberação a contrapartidas. Para o Congresso, País depende do pagamento. Enquanto isso, o mercado segue indefinido.

Crédito: Luis Lima Jr

libera auxílio, reduz auxílio, corta auxílio. Essa síntese da trama econômica brasileira no ano passado deverá ganhar, em 2021, nova versão. Por enquanto, os coros mais proeminentes dizem “veta auxílio” e “negocia auxílio”. Nas últimas semanas, o governo deu sinais confusos sobre o que estaria por vir, sensação agravada pela indefinição sobre como serão conduzidas as medidas de combate à pandemia, tanto na economia quanto na saúde. Enquanto Paulo Guedes conta moedas para liberar o benefício, Jair Bolsonaro precisa do programa para tentar recuperar parte do apoio popular. Na saúde, Eduardo Pazuello é investigado por uso indevido de recursos públicos ao mandar para cidades remédios comprovadamente ineficazes no combate à Covid-19. Tudo isso enquanto o mundo comprova que vacinar a população é a melhor forma de ativar a eAconomia e diminuir perdas econômicas.

A decisão sobre o auxílio deve sair na próxima semana, após a escolha dos presidentes da Câmara e do Senado. Em ambas as casas, os candidatos já afirmaram que trarão o tema para pauta. A decisão é delicada tanto para quem espera receber quanto para quem terá, cedo ou tarde, que pagar por ele. A dívida bruta brasileira atualmente é de quase 90% do Produto Interno Bruto (PIB). “Se o governo não agir, haverá uma queda abrupta no consumo, em um cenário no qual o benefício está sendo substituído por um mercado de trabalho enfraquecido”, disse José Roberto Mendonça de Barros, economista e sócio da MB Associados.

Professora do Ibmec RJ, a economista Vivian Almeida entende que o auxílio é fundamental, mas não descarta o risco fiscal embutido. “No atual cenário, a volta do beneficio é a tábua de salvação para o País, especialmente para os mais pobres que dependem de ajuda até para comer”, afirmou. “Porém, a manutenção do programa esbarra no descontrole fiscal e na corrosão das contas públicas.”

É justamente o descontrole de despesas que preocupa o ministro Paulo Guedes. Economista-chefe do Banco Ourinvest, Fernanda Consorte afirmou haver um esforço da parte de Guedes para não romper o teto de gastos. Mas, segundo ela, “o recrudescimento da doença torna o auxílio emergencial essencial.” Por isso mesmo, o ministro sabe que negar o benefício pode gerar desgaste. E até ser em vão. Se o Congresso decidir aprovar o auxílio por mais tempo e para mais gente do que a equipe econômica planeja, a conta será bem maior para os cofres públicos.



Na terça-feira (26), Guedes afirmou que o governo pode retomar o programa se o número de mortes por Covid-19 ficar em um patamar acima de 1 mil por dia e a vacinação fracassar.

Mateus Bonomi

“Precisamos pensar na volta do benefício. Ele faz sentido se o número de mortes subir, ou a vacinação fracassar” Paulo Guedes, Ministro da Economia.

JÁ DEU ERRADO Um estudo encomendado pela Fundação de Pesquisa da Câmara de Comércio Internacional (ICC) estima que a economia global pode perder até US$ 9,2 trilhões se os governos não garantirem o acesso às vacinas. Porém, todo o gasto com a vacinação em massa seria recompensado em uma proporção 166 vezes maior conforme a economia volte a crescer.

Professor de economia e finanças da Universidade de Maryland e um dos autores do estudo, Sebnem Kalemli-Özcan entende que nenhuma economia do mundo irá se recuperar totalmente sem a vacinação em massa. “O caminho em que estamos leva a menos crescimento, mais mortes e a uma recuperação econômica mais longa.” Por aqui, a imunização tem enfrentado mais obstáculos do que se previa. Para Fernanda Consorte, do Ourinvest, “na lentidão que está, a vacina já deu errado para a economia”.

“Alô, caminhoneiro, não para, não”

Istock

Pressionado por motoristas de caminhão, Jair Bolsonaro resolveu fazer um apelo para que os profissionais não levem adiante a ameaça de greve. Segundo a categoria, a alta no preço do diesel inviabiliza a atividade. “Reconhecemos o valor dos caminhoneiros para a economia do Brasil. Apelamos para eles que não façam greve, que todos nós vamos perder. Todos, sem exceção. Agora, a solução não é fácil. Estamos buscando uma maneira de não ter mais este reajuste”, afirmou Bolsonaro ao sair do Ministério da Economia na quarta-feira (27). Na véspera, a Petrobras havia aumentado o preço médio do diesel nas refinarias em 4,4%. A pasta estuda agora formas de reduzir as alíquotas de PIS/Cofins sobre o diesel. Segundo Bolsonaro, os governadores deveriam fazer o mesmo com o ICMS. “Para cada centavo no preço do diesel que porventura nós queremos diminuir, no caso, PIS/Cofins, equivale buscarmos em outro local R$ 800 milhões. Então, não é uma conta fácil de ser feita”, disse Bolsonaro.

Quem também esteve em Brasília para falar sobre benefícios foi o presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), Paulo Solmucci. O objetivo era negociar com o ministro Paulo Guedes a prorrogação da carência para pagar os empréstimos no âmbito do Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Pronampe), criado em meio à pandemia. “Pedimos ajuda com a questão do Simples e a revisão do BEM, que é aquela medida que nos permite reduzir jornada e suspender contrato. Porque, se nós estamos com as portas fechadas, como é que vamos garantir empregos se não há como pagá-los?” Após criticar o fechamento de bares em São Paulo e Minas Gerais, Bolsonaro disse que as medidas serão estudadas e anunciadas em até 15 dias.

Veja também
+ Até 2019, havia mais gente nas prisões do que na bolsa de valores do Brasil
+ Gel de babosa na bebida: veja os benefícios
+ Truque para espremer limões vira mania nas redes sociais
+ Chef playmate cria receita afrodisíaca para o Dia do Orgasmo
+ Mercedes-Benz Sprinter ganha versão motorhome
+ Anorexia, um transtorno alimentar que pode levar à morte
+ Agência dos EUA alerta: nunca lave carne de frango crua
+ Yasmin Brunet quebra o silêncio
+ Tubarão é capturado no MA com restos de jovens desaparecidos no estômago
+ Veja quanto custa comer nos restaurantes dos jurados do MasterChef
+ Leilão de carros e motos tem desde Kombi a Nissan Frontier 0km