A economia respira

A economia respira

Nas derradeiras semanas antes da eleição, já prevendo a volta à normalidade do mercado, muitas empresas passaram a falar em investimentos, encaminhamentos de projetos de expansão e abertura de novas frentes nos negócios. Várias consultas de associações e entidades setoriais apontam que cerca de 80% do universo de empreendedores desejam desengavetar o quanto antes seus planos para pular na frente da concorrência. Acreditam que a transição de governo e o temor de instabilidade estão perto do fim e manifestam algum otimismo com o futuro – a depender, naturalmente, do ritmo a ser empreendido pelo novo mandatário.

O ambiente de calmaria é reforçado pelos indicadores de inflação que mostraram a primeira taxa negativa, de efetivo recuo da carestia, em mais de uma década. A chamada deflação, de 0,09% em agosto último, sinaliza as chances de uma política de taxas de juros ainda mais contida o que, em um ciclo virtuoso, deve ajudar na retomada. Naturalmente, o País ainda vive a ressaca da crise. A conta é alta para ser coberta. Só no campo da infraestrutura, o Brasil perdeu, em dois anos, o equivalente a R$ 40 bilhões na depreciação da malha existente. Faltam vultosos recursos para recompor o patamar de dez anos atrás.

É muito campo a percorrer e em várias áreas. Do transporte à energia, das telecomunicações ao saneamento básico, tudo está em vias de sucateamento. Uma gigantesca tarefa para o próximo governo. Há quem aponte que nesse período, em meio à turbulência internacional, o Brasil se descuidou do básico. Excedeu em medidas de incentivo com forte impacto fiscal, comprometeu os resultados do orçamento público e acabou por criar a sua própria crise. O que o ex-presidente Lula chamou de “marolinha”, ao tratar da hecatombe financeira que abateu o mundo, veio aos poucos cobrando seu preço por aqui.

A libertinagem de seguidas administrações petistas, que fizeram a farra com o dinheiro de bancos públicos, cortaram impostos e congelaram irresponsavelmente tarifas de combustível e energia, está na origem do problema. Em outras palavras: foi a política econômica insana e esbanjadora dessa turma que comprometeu as conquistas trazidas antes pelo Plano Real. Não fosse assim, o País poderia estar nos trilhos e em vantagem competitiva frente aos demais mercados, em um ritmo de expansão que não deixaria nada a dever ao de países desenvolvidos. Vítima dos próprios erros, o Brasil precisa agora se consertar. Tem chances para isso. Se as reformas forem aprovadas e os ajustes feitos, a resposta empresarial será imediata. Os empreendedores estão torcendo e prontos para a nova fase.

(Nota publicada na Edição 1087 da Revista Dinheiro)

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Sobre o autor

Carlos José Marques é diretor editorial da Editora Três e escreve semanalmente os editoriais da revista DINHEIRO


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