Edição nº 1096 15.11 Ver ediçõs anteriores

A economia respira

A economia respira

Nas derradeiras semanas antes da eleição, já prevendo a volta à normalidade do mercado, muitas empresas passaram a falar em investimentos, encaminhamentos de projetos de expansão e abertura de novas frentes nos negócios. Várias consultas de associações e entidades setoriais apontam que cerca de 80% do universo de empreendedores desejam desengavetar o quanto antes seus planos para pular na frente da concorrência. Acreditam que a transição de governo e o temor de instabilidade estão perto do fim e manifestam algum otimismo com o futuro – a depender, naturalmente, do ritmo a ser empreendido pelo novo mandatário.

O ambiente de calmaria é reforçado pelos indicadores de inflação que mostraram a primeira taxa negativa, de efetivo recuo da carestia, em mais de uma década. A chamada deflação, de 0,09% em agosto último, sinaliza as chances de uma política de taxas de juros ainda mais contida o que, em um ciclo virtuoso, deve ajudar na retomada. Naturalmente, o País ainda vive a ressaca da crise. A conta é alta para ser coberta. Só no campo da infraestrutura, o Brasil perdeu, em dois anos, o equivalente a R$ 40 bilhões na depreciação da malha existente. Faltam vultosos recursos para recompor o patamar de dez anos atrás.

É muito campo a percorrer e em várias áreas. Do transporte à energia, das telecomunicações ao saneamento básico, tudo está em vias de sucateamento. Uma gigantesca tarefa para o próximo governo. Há quem aponte que nesse período, em meio à turbulência internacional, o Brasil se descuidou do básico. Excedeu em medidas de incentivo com forte impacto fiscal, comprometeu os resultados do orçamento público e acabou por criar a sua própria crise. O que o ex-presidente Lula chamou de “marolinha”, ao tratar da hecatombe financeira que abateu o mundo, veio aos poucos cobrando seu preço por aqui.

A libertinagem de seguidas administrações petistas, que fizeram a farra com o dinheiro de bancos públicos, cortaram impostos e congelaram irresponsavelmente tarifas de combustível e energia, está na origem do problema. Em outras palavras: foi a política econômica insana e esbanjadora dessa turma que comprometeu as conquistas trazidas antes pelo Plano Real. Não fosse assim, o País poderia estar nos trilhos e em vantagem competitiva frente aos demais mercados, em um ritmo de expansão que não deixaria nada a dever ao de países desenvolvidos. Vítima dos próprios erros, o Brasil precisa agora se consertar. Tem chances para isso. Se as reformas forem aprovadas e os ajustes feitos, a resposta empresarial será imediata. Os empreendedores estão torcendo e prontos para a nova fase.

(Nota publicada na Edição 1087 da Revista Dinheiro)


Mais posts

A ajuda de quem conhece

Um grupo formado por mais de 200 economistas, analistas e especialistas de mercado resolveu se reunir com um propósito comum: [...]

Os investimentos após as eleições

Preparem os motores! A temporada de investimentos está aberta. E ela vem movida a grandes levas de recursos, de várias partes do mundo [...]

As maquinações de Guedes

Decolou o Boeing de reformadores liberais que vai ditar os rumos da economia a partir de janeiro, quando assume o governo de Jair [...]

A lucrativa desinformação na rede

Uma nova indústria, por vezes mal instrumentada e sorrateiramente manipulada, despontou no horizonte e está ganhando força acelerada [...]

O refugo do mercado

Nem tudo são flores na lua de mel do mercado com o presidenciável de ultradireita Jair Bolsonaro. A fala dele, dias atrás, avisando [...]
Ver mais
X

Copyright © 2018 - Editora Três
Todos os direitos reservados.

Nota de esclarecimento A Três Comércio de Publicaçõs Ltda. (EDITORA TRÊS) vem informar aos seus consumidores que não realiza cobranças por telefone e que também não oferece cancelamento do contrato de assinatura de revistas mediante o pagamento de qualquer valor. Tampouco autoriza terceiros a fazê-lo. A Editora Três é vítima e não se responsabiliza por tais mensagens e cobranças, informando aos seus clientes que todas as medidas cabíveis foram tomadas, inclusive criminais, para apuração das responsabilidades.