Investidores

A disparada do Banco Inter

Aporte do Softbank faz units subirem 23% enquanto iBovespa caía 1,2%

Crédito: Felipe Gabriel

João Vitor Menin: tecnologia e mercado imobiliário (Crédito: Felipe Gabriel)

Em uma semana extremamente turbulenta para os pregões, as units do Banco Inter chamaram a atenção dos investidores. Lançadas no dia 19 de julho, quando o banco anunciou uma reorganização societária para facilitar o acesso do Novo Mercado, esses papéis (que são formados por duas ações preferenciais e uma ação ordinária) valorizaram-se cerca de 23%. No mesmo período, o Índice Bovespa amargou uma desvalorização de 1,2%. O movimento de alta acentuou-se a partir do início de agosto, com a expectativa de que o fundo de private equity internacional Softbank faria um aporte no banco, algo que foi confirmado na terça-feira 6. A empresa liderada por Masayoshi Son associou-se ao banco presidido por João Vitor Menin, comprando 8,1% do capital total. A alta das cotações e o ingresso do Softbank – que ganhou muito dinheiro ao apostar precocemente em empresas como Alibaba e Uber – chamaram a atenção do mercado para o Banco Inter.

Ao listar suas ações na bolsa em abril de 2018, ele se apresentou como o único banco digital presente nos pregões. No entanto, o alicerce do Inter está solidamente fincado nos tijolos e no cimento. Fundado em 1994 em Belo Horizonte como Banco Intermedium, a instituição financeira nasceu a partir da incorporadora MRV, da família Menin. Desde o início, a vocação foi para os empréstimos imobiliários, algo que ainda perdura. Mesmo exibindo suas credenciais digitais, cerca de 50% dos R$ 3,5 bilhões de crédito contabilizados nos livros do Inter referem-se a este tipo de financiamento. Ao se apresentar como um banco digital, o Inter ofereceu a possibilidade de uma operação mais ágil e barata do que as dos bancos tradicionais.

Masayoshi Son, do Softbank: dono de 8,1% do capital do banco (Crédito:AP Photo/Eugene Hoshiko, File)

Analistas acreditam que fatores externos são mais importantes para explicar a valorização recente. “A chegada Softbank influenciou no valor das units, especialmente ao trazer investidores de fora. Mas há no Brasil um movimento favorável às fintechs, como o Nubank, que levantou US$ 400 milhões com o fundo americano TCV em julho”, diz Rafael Passos, analista da Guide Investimento. Segundo Passos, o mercado hoje tem apetite para investir em empresas de base tecnológica – e o Banco Inter tem a vantagem de ser a única fintech listada em bolsa. “Fintechs têm modelos de negócios mais escaláveis por não contar com estrutura física”, diz ele. Segundo levantamento da Business Insider, fintechs da América do Sul receberam US$ 600 milhões apenas no segundo trimestre deste ano. Para comparar, ao longo dos 12 meses de 2018 o total de aportes foi de US$ 545 milhões.

COTAÇÕES Apesar do apetite dos investidores, os analistas acreditam que o Inter ainda vai demorar para pagar dividendos tão polpudos quantos seus concorrentes mais tradicionais. Para começar, alguns dos múltiplos do papel estão desalinhados em relação à média do mercado. Segundo Passos, da Guide, a relação preço/lucro do Inter está em 120, ao passo que a média para as ações do Índice Bovespa está muito abaixo disso. Os profissionais do mercado estimam que essa relação esteja ao redor de 14. Assim, por esse indicador, o Inter estaria cerca de 750% acima da média do mercado. “O Inter hoje gira em torno de uma PL de 120 vezes, então ficamos receosos de indicar o papel, principalmente com outras boas ações no setor, como Banco do Brasil e Bradesco”, diz Passos.