Estilo

A descolada do luxo

A marca americana de streetwear Supreme, que está entre as preferidas dos adolescentes, conquistou parceiros de prestígio como Louis Vuitton, Rimowa e Lacoste

A descolada do luxo

Nas duas últimas semanas, a marca de roupas de streetwear Supreme anunciou o lançamento de produtos com a fabricante alemã de malas Rimowa e com a francesa Lacoste, que ganhou novas estampas em suas peças mais clássicas, como as camisas polo. Conhecida pela extensa linha de colaboração com outras empresas, como Nike, Timberland e Levi’s, a companhia criada em 1994 pelo estilista americano James Jebbia vem, desde o ano passado, conquistando as marcas de luxo. A primeira a perceber o apelo de se unir à Supreme, que é um fenômeno entre a nova geração, foi a Louis Vuitton, que lançou uma mini coleção no início de 2017.

A anti-arrumadinha da moda: as marcas Rimowa, que acabou de lançar uma coleção de malas com a Supreme (à esq.), e a Louis Vuitton se renderam ao conceito de streetwear

Uma jaqueta com a sigla LV estilizada, usada pelo craque Neymar durante a semana de moda de Londres, é comercializada por R$ 13 mil. “A forma encontrada pelas marcas de luxo de se apropriar do que está sendo desejado e de conversar com o público jovem”, diz Sérgio Silva, professor e especialista de marketing da FAAP. Desde que criou a Supreme, Jebbia estabeleceu como propósito fazer peças autênticas e únicas, que extrapolassem o uso nas pistas de skate. Esse estilo streetwear, que vai na direção contrário do visual arrumadinho, está conquistando cada vez mais adeptos pelo mundo, numa adoração semelhante ao que acontece nos lançamentos da Apple.

Sempre que a marca de roupas americana anuncia uma nova coleção, centenas de jovens ficam horas esperando a abertura das seis lojas, localizadas em países como Estados Unidos, França, Inglaterra e Japão. “Como ela trabalha com produção limitada, isso acaba estimulando as pessoas a sentirem o desejo de tê-las”, diz a consultora Dhora Costa, especialista em moda da Universidade Bellas Artes. Essa estratégia faz com que uma jaqueta de US$ 210 seja vendida por US$ 3 mil em leilões virtuais.

Dono da rua: James Jebbia fundou a marca em 1994 e conseguiu reformular o conceito do streetwear. Sua ideia era fazer roupas que extrapolassem o uso nas pistas de skate

O sucesso da Supreme chamou a atenção dos investidores. No ano passado, a empresa foi avaliada em US$ 1 bilhão e o fundo de private equity Carlyle adquiriu 50% da companhia. O interesse pelas marcas de streetwear tem aparecido como uma tendência da Geração Z (nascidos entre 1990 e 2010). A pesquisa Taking Stock With Teens, conduzida pelo banco americano de investimento Piper Jaffray, mostra que a Supreme subiu da 10ª para a 7ª colocação no ranking das marcas preferidas por eles. A Vans, que tem o skate e o surf como inspiração, é a segunda colocada na lista liderada pela Nike.Pelo jeito, as marcas de luxo terão de ser cada vez mais descoladas para conquistar esse novo público.