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A dança das cadeiras na JBS

A maior empresa privada do país e líder global no setor de carnes terá o herdeiro Wesley Batista Filho à frente das operações no Hemisfério Sul.

A dança das cadeiras na JBS

OS DONOS DA CARNE Da esquerda à direita, os executivos André Nogueira (JBS USA), João Campos (Seara), Wesley Filho, Alexandre Almeida (ex-Itambé), o CEO Gilberto Tomazoni (em pé) e Gilberto Xandó, que assume a JBS no Brasil.

Maior produtora de carnes do mundo, a brasileira JBS vai promover uma reestruturação em sua cúpula. O CEO Gilberto Tomazoni, homem de confiança da família Batista, desenhou um novo organograma nos cargos de comando, com destaque para a promoção do jovem Wesley Batista Filho. Aos 30 anos, o herdeiro da companhia com receita anual de R$ 330 bilhões vai assumir como presidente global de operações para Hemisfério Sul. Assim, além de comandar as operações da América do Sul, ele passa a responder também pelos ativos da JBS na Austrália, que antes estavam sob o controle da JBS nos Estados Unidos.

A dança das cadeiras, às vésperas da aguardada listagem de ações nos Estados Unidos em 2022, inclui uma nova função para o CEO da JBS USA, André Nogueira, que vai para um cargo menos operacional e mais estratégico. Ao lado de Wesley Filho, Nogueira assume a posição de presidente global de operações, com foco na América do Norte. Nogueira foi que orquestrou a reestruturação da americana Swift, adquirida pela JBS em 2007. Ex-executivo do Banco do Brasil, ele já foi CFO do JBS USA e também conduziu as operações na Austrália. “Essa nova estrutura busca garantir nosso foco na excelência operacional, nas pessoas, na cultura e, ao mesmo tempo, nos deixa mais preparado para executar nossa estratégia de sustentabilidade de crescimento preservando autonomia e velocidade na tomada de decisões dos negócios”, disse Tomazoni, durante teleconferência de resultados sobre a presidência global de operações, em 11 de novembro. O CEO, desde o ano passado, decidiu o destino de quase R$ 20 bilhões em aquisições.

A presidência da JBS Brasil passará a ser ocupada por Gilberto Xandó, e a presidência da Seara será assumida por João Campos. A JBS USA ficará a cargo do Tim Schellpeper, e Steve Chron vai assumir a JBS USA Fed Beef. No Brasil, a promoção de Wesley Filho mexe na Seara, que vinha sendo comandada por ele há dois anos, um período marcado por um agressivo plano de expansão fabril e contínuo ganho de market sobre a rival BRF.

R$ 330 bilhões será a receita global da JBS neste ano, resultado que vai consolidar o grupo como maior produtor de proteína do mundo

Em janeiro de 2022, João Campos assumirá como CEO da Seara. O executivo chegou à empresa no ano passado, como diretor-executivo de alimentos preparados. Campos chefiava a PepsiCo no Brasil. No lugar de Campos, a JBS trouxe um velho conhecido da família Batista. Alexandre Almeida, que comandou o laticínio Itambé quando pertencia à J&F e teve uma curta passagem pela BRF em 2018, fica com a posição de diretor de alimentos preparados da Seara.

Segundo Tomazoni, as mudanças integram um plano de ação mais amplo e de longo prazo para a companhia. A JBS, de acordo com ele, tem duas urgências a enfrentar. A primeira, frear o aquecimento global, com iniciativas mais agressivas de redução de carbono. Segundo, garantir a segurança alimentar da crescente população mundial. “Somente a transição para uma produção agropecuária mais sustentável e de baixo carbono vai nos permitir perenizar o nosso negócio, garantir a segurança alimentar e a preservação do planeta como um todo”, afirmou Tomazoni. “Já existe caminho para isso. A questão é dar escala a ele.”

GLOBAL Apesar da cidadania brasileira, a JBS depende cada vez menos do Brasil. Atualmente, o Brasil responde por 25% do faturamento da empresa, e vem caindo balanço após balanço. No terceiro trimestre deste ano, a companhia dos irmãos Batista registrou um dos melhores resultados da história. Graças ao bom desempenho no mercado americano, a JBS lucrou R$ 7,6 bilhões no período, mais que o dobro do resultado do terceiro trimestre do ano passado, quando a companhia teve um lucro de R$ 3,1 bilhões. No mesmo período de comparação, a receita líquida aumentou 32,2%, alcançando R$ 92,6 bilhões. “Com os bons resultados alcançados no presente, temos também nos dedicado a garantir as condições necessárias para continuar prosperando no futuro”, afirmou Tomazoni.