Economia

A CRISE DO MINISTRO TÁPIAS

O empresário Alcides Tápias é o maior inimigo do ministro do Desenvolvimento, Alcides Tápias. Na semana passada, insatisfeito com o desempenho do Tápias ministro, o empresário Tápias confidenciou a um grupo de jornalistas que o ministro Tápias estava mesmo preocupado com a boataria em torno da sua saída do governo. Lembrou que era diabético, que o jogo bruto do poder acaba abalando até mesmo os familiares, embora estivesse no governo por gosto. Disse que pretendia permanecer no governo, mas que tinha propostas para voltar a trabalhar na iniciativa privada. Ele fez a ressalva de que não estava falando como ministro. O desabafo foi feito pelo empresário Alcides Tápias que, acostumado ao jogo entre financistas, tem dificuldades em desvendar códigos do jogo bruto do poder político. O cargo que já amaldiçoou três antecessores ? Luiz Carlos Mendonça de Barros, Clóvis Carvalho e Celso Lafer ? parece estar cobrando seu preço.



O exemplo da semana passada serve para ilustrar o quanto Tápias tem construído as bases de sua própria instabilidade. É ele que tem sustentado com desabafos informais as informações de que estaria insatisfeito com o governo e que sua permanência estaria por um fio. Tem dito isto não apenas a jornalistas. Mas também a assessores, a empresários e colegas de ministério, tudo como se não fosse ministro. Depois, mostra-se irritadiço com a repercussão, atribuindo a outros, como o secretário da Receita Federal, Everardo Maciel, a plantação da sua instabilidade. O problema é que Tápias, com a falta de traquejo político, reacende sempre que pode os sinais de intranqüilidade, a ponto de um de seus subordinados ter pedido ao chefe que não falasse mais em deixar o governo nem sob hipótese, ensinando uma regra básica do jogo de Brasília.

Até agora, contudo, o ministro não passa de uma hipótese. Há mais de um ano à frente do Desenvolvimento, Tápias colecionou mais derrotas que vitórias: quando assumiu a pasta, em setembro do ano passado, o ministro prometeu aos empresários tornar-se o ?guerrilheiro? da Reforma Tributária no Planalto Central. A intenção dele era desonerar o setor produtivo para aumentar a competitividade das exportações brasileiras. O projeto, porém, parou por falta de vontade política do Executivo. Boa parte dos projetos de Tápias depende da reforma, principalmente para acabar com os impostos em cascata.

Engano. Tápias entrou em 2000 cheio de otimismo, certo de que seria possível alcançar um superávit de US$ 5 bilhões na balança comercial. Redondo engano. Doze meses depois ele terá de amargar um resultado negativo estimado, hoje, entre US$ 200 mil e, até, US$ 1 bilhão. ?O ministro gosta de agir sozinho e isso, em Brasília, não funciona?, ensina o deputado Ubiratan Aguiar, do PSDB do Ceará. ?Ele nunca procurou o apoio da bancada do partido do governo. Se fizesse isso, descobriria muitos aliados na sua luta contra a política econômica recessiva.?

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As reclamações da equipe de Tápias se multiplicam quando o assunto é o relacionamento com o Ministério da Fazenda. Em público, Malan tenta parecer um apoiador da política de Tápias, como fez na quarta-feira, 29, no Rio de Janeiro. ?Não há dissonância, exceto para aqueles que gostam de viver em dissonância, que eu não sei quem são?, disse Malan sobre seus conflitos com Tápias. ?São muitos, devo dizer?. Na prática, porém, o que o ministro diz desconhecer acontece em seu próprio feudo. Vários projetos de Tápias acabam enredados na rede burocrática do Ministério da Fazenda, onde somente a vontade política do ministro é capaz de fazer papéis transitarem entre mesas e carimbos. No momento, por exemplo, Tápias está empenhado em taxar a exportação de couro tipo wet blue, para atender pedido de fabricantes de calçados, que alegam que isso facilita a importação de sapatos estrangeiros a baixo custo. A proposta foi aprovado um mês e meio atrás na Câmara de Comércio Exterior (Camex), da qual Malan faz parte. Apesar de passado naquela instância, até hoje a Fazenda não elevou a alíquota de exportação do couro. Em compensação, numa medida não comunicada a Tápias, Malan foi ágil em taxar em 150% a exportação de armas brasileiras, atendendo a pedido do Ministério da Justiça.

Essa é a maldição do cargo de Tápias. Quem manda é a Fazenda, o Desenvolvimento faz o papel de convidado trapalhão. ?Nunca uma equipe econômica ficou tanto tempo no poder tocando a mesma política. Eles jogam como música e nós somos os desafinados?, compara um auxiliar de Tápias. No Ministério do Desevolvimento, a ordem agora é esperar que o ano termine rapidamente. Avalia-se que, em 2001, a equipe econômica terá de abrir janelas no seu paredão fiscal para alavancar o desenvolvimento, de olho nas eleições presidenciais do ano seguinte. Dizem que, então será a vez de Tápias virar o jogo, se resistir até lá. Sem cintura para o jogo político, Tápias traça seu mapa de apoio na ala empresarial para manter-se no cargo. Na sexta-feira, 1, na sede da Fiesp, em São Paulo, onde reuniu-se com empresários numa cerimônia de divulgação de um programa de exportação da entidade, ele encontrou o alento de que precisava. ?Estou cem por cento com Tápias?, disse o presidente do Grupo Sadia, Luis Furlan. ?Ele quer incentivar as exportações numa linha em que nem todos os setores do governo tem mostrado empenho?.

Caixa d?água. Na véspera, ainda abalado pelo que definiu como ?jogo bruto do poder?, o ministro preferiu cuidar de assuntos pessoais. Na quinta-feira, 30, desembarcou às duas da tarde em São Paulo e foi direto cuidar da reforma da casa que acaba de comprar na Riviera de São Lourenço, litoral norte de São Paulo ? e que no seu patrimônio soma-se agora ao polêmico Porshe, adquirido durante a Feira do Automóvel. Com 600 metros quadrados de área construída, cinco suítes, frente assemelhada à proa de um navio, de onde se avista o mar, a casa passa por uma reforma cujo ponto alto é a instalação de uma caixa d?água. Aí está o problema. A associação dos moradores considera o equipamento fora dos padrões aceitáveis para o local e está em litígio com o proprietário. Em sua fase de inferno astral, até de onde menos poderia esperar o ministro Tápias vai encontrando motivos para dores de cabeça.


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