Estilo

A casa de R$ 40 milhões

Shoteby’s negocia no Brasil mansão de 2.565m² de área construída. Mercado do luxo cresce acima da média do segmento e tem variação de 142% em um ano

Crédito: Duda

Pela renda per capita nacional seria preciso juntar o dinheiro de um ano de 1 mil brasileiros para comprar a mansão de 2.565m² de área construída à venda no Residencial Tamboré 2, região à oeste da Grande São Paulo, por R$ 40 milhões. E nem será preciso se preocupar com móveis. A não ser que não sejam do seu gosto, porque a casa está totalmente mobiliada – os eletrodomésticos são todos da marca Viking. São três pavimentos (incluindo o subterrâneo), sete suítes, cinema privativo, duas salas home theater, três escritórios, sala de dança, academia, quadra de squash, salão de beleza, campinho indoor de futebol, brinquedoteca, salão de jogos, sala de reunião, quadra de tênis, sauna, piscina, piscina coberta, piscina adulta, piscina infantil e área gourmet.

CINEMA EXCLUSIVO Sala particular com capacidade para 20 lugares (Crédito:Duda)

Fora o que pode ser considerado mais básico, como sala de jantar privativa, sala de almoço, três cozinhas, copa e garagem coberta para dez veículos. Para os funcionários, são três quartos e banheiros exclusivos. Essa orgia de cômodos e os R$ 40 milhões pedidos pela mansão refletem um segmento anticrise, o de casas de luxo. A alta rentabilidade desse tipo de investimento coloca o mercado entre os mais seguros e menos voláteis, crescendo 20% ao ano. Os lançamentos de imóveis com valores superiores a R$ 1,5 milhão foram os que registraram maior aumento em 2018, com variação de 142% em relação a 2017. Já as vendas cresceram 92% nesse mesmo período.

COZINHA DE LUXO Todos os móveis equipados com eletrodomésticos viking (Crédito:Duda)

Os dados são da análise anual realizada pelo Sindicato da Habitação de São Paulo (Secovi-SP). Não é por acaso que a Sotheby’s International Realty (SIR) veio ao mercado brasileiro. Marca da tradicional casa de leilões Sotheby’s (fundada em 1744), a SIR nasceu em 1976 e está presente em 70 países, com 900 escritórios e mais de 22 mil corretores. No Brasil, a Bossa Nova Sotheby’s International Realty (BNSIR) é a representante da marca, desde 2015. Segundo a diretora de vendas da BNSIR, Renata Victorino, dos 100 homens mais ricos do mundo, 70 são da carteira da Sotheby’s. “Os clientes no Brasil seguem o mesmo perfil e, em comum, são todos aqueles que buscam um serviço completo de curadoria e consultoria imobiliária antes de fechar um negócio”, afirma.

SALÃO DE BELEZA Espaço completo e equipado para atender até duas pessoas (Crédito:Duda)

Vender uma propriedade desse perfil envolve outro tipo de approach em relação ao padrão do mundo da corretagem imobiliária. O principal é o atendimento chamado de consultivo. Quem compra, por qualquer finalidade – morar ou locar –, deseja estar seguro do tamanho do investimento. Por isso a SIR no Brasil oferece assessoria de um escritório de advocacia especializado em direito imobiliário e consultoria financeira.

Uma das perguntas mais comuns entre os interessados é quem coloca à venda uma casa de R$ 40 milhões. Por questões de segurança, a BNSIR não revela por nada o perfil do vendedor do imóvel – sabe-se que se trata de um empresário do mundo esportivo. A diretora de vendas diz que cada cliente é único, e por isso são diversos motivos que podem levar à venda de um imóvel. “Pode ser pela valorização, por mudança de país, por mudança do perfil familiar, enfim, cada um tem uma situação específica por trás, e o nosso trabalho é auxiliar da melhor maneira possível.” No portfólio da BNSIR somente constam propriedades com preços a partir de R$1,2 milhão. “Fazemos a fase de captação dos imóveis e identificamos oportunidades que julgamos excelentes para nossos clientes e investidores”, diz Victorino.

SUÍTE MASTER Design de interiores por Nilza Alves e Rita Diniz. Suíte com closet e banheiro Ele e Ela (Crédito:Duda)

TECNOLOGIA Essa busca, evidentemente, se concentra nos melhores endereços de Rio de Janeiro e São Paulo. Marcello Romero, CEO da BNSIR, diz que a empresa está consolidada nos principais bairros de alto padrão das duas cidades e agora “expande a atuação”. No Brasil, a empresa realizou investimentos em diversas áreas, mas não exclusivamente na seleção e capacitação de seus corretores, mas também na área de tecnologia. Foram investidos R$ 2 milhões em uma plataforma (chamada Cidade Virtual) para oferecer um serviço mais assertivo e ajudar o cliente a tomar uma decisão mais estruturada. “A ideia é usar tecnologia para vender mais, melhor e mais rápido”, diz Victorino. A expectativa com a plataforma é chegar a um índice de conversão em vendas de 60% até o fim de 2019. A Bossa Nova Sotheby’s prevê fechar o ano com R$ 1 bilhão em vendas, o dobro de 2018.

Salão de jogos e mini campo Fliperamas, mesa profissional de sinuca e tabela de basquete (Crédito:Duda)

A economia no Brasil poderá contribuir ainda mais para o mercado imobiliário de luxo à medida que a taxa de juro permanecer baixa (ver reportagem à página 36), estimulando o financiamento. A diretora da BNSIR enxerga uma perspectiva de melhora para os próximos meses. “Estamos saindo de uma crise e muitos investidores ainda estão receosos. Mas a expectativa é de gradativo aumento nas vendas, principalmente nos lançamentos de alto padrão e nos projetos de segunda residência.”

Academia com mini spa integrado: equipamentos da fabricante italiana TechnoGym (Crédito:Duda)

Outro fator que pode dar impulso é geracional. A pesquisa americana A Look at Wealth 2019 – Millenial Millionaires mostra que a chamada geração Y (millenial) – pessoas nascidas entre o começo dos anos 80 e a metade dos anos 90 (entre 23 e 37 anos) – terá daqui dez anos cinco vezes mais riqueza que hoje. E um dos bens mais valorizados por eles é o imóvel. O investimento imobiliário médio de um milionário americano é de US$ 919 mil. O de um millenial é 52% maior: US$ 1,4 milhão. É nessa onda que a BNSIR pretende surfar ainda mais.