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A carga elétrica da Volkswagen

Montadora cria a estrutura para viabilizar produção e venda de caminhões elétricos em série, dentro de um ciclo de R$ 1,5 bilhão de investimento

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ECOSSISTEMA Para Roberto Cortes, da VW Caminhões, o custo operacional dos elétricos urbanos é 50% menor que dos movidos a diesel (Crédito: Divulgação)

Acordos internacionais para reduzir as emissões de poluentes obrigam empresas de todos os setores a mudar seus conceitos e a buscar mais eficiência. Países como Holanda, França, Inglaterra e nações escandinavas estudam o fim dos automóveis movidos a combustão dentro de duas décadas. Os caminhões serão os próximos da lista, à medida que novas tecnologias sejam aperfeiçoadas. A Califórnia, nos Estados Unidos, discute a possibilidade de banir caminhões a diesel até 2050.

Esse movimento ajuda a explicar uma iniciativa adotada por gigantes do setor na última semana. A Volkswagen Caminhões anunciou uma solução para viabilizar a venda de veículos elétricos de carga no Brasil: um consórcio com oito companhias, batizado de e-Delivery, para participar de todo o processo produtivo, do desenvolvimento ao pós-venda do caminhão elétrico. Formado por Siemens, CATL, Moura, Semcon, Bosch, WEG, Meritor e Eletra, o consórcio implantará dentro das companhias clientes a infraestrutura necessária para manutenção e recarga das baterias da frota elétrica. “Estamos criando o ecossistema necessário para viabilizar esse mercado”, disse à DINHEIRO o presidente da Volkswagen Caminhões, Roberto Cortes. “Caminhões de entregas urbanas trafegam por pequenas distâncias, não precisam recarregar na rua, ao contrário dos pesados. O modelo que estamos implantando vale também para ônibus”, afirmou.

O e-Delivery já foi testado pela Ambev, que acertou a aquisição de 1,6 mil unidades em razão dos bons resultados obtidos. Apesar de ser um pouco mais caro que os modelos a diesel, em uso nas vias urbanas ele apresentou custo operacional e de manutenção 50% menores. Trânsito intenso, semáforos, lombadas e o segue e para constantes contribuem para o bom desempenho, pois as frenagens geram energia e ajudam a manter a bateria carregada.

PRODUÇÃO EM SÉRIE O caminhão elétrico apresenta outras vantagens como precisar de infraestrutura mais simples e ter menos peças de reposição, o que reduz a necessidade de manutenção. “Para efeito de comparação, os caminhões de entrega da Ambev circulam de 80 a 100 quilômetros por dia. A autonomia do e-Delivery é de 200 quilômetros. Ou seja, abastece antes de sair, roda o dia todo e só retorna para a garagem no fim do expediente, quando volta a abastecer”, afirma Cortes.

Segundo ele, a produção em série terá início no segundo semestre de 2020 e as entregas serão feitas aos poucos para a Ambev até 2023. O objetivo da fabricante de bebidas é que um terço da frota seja de caminhões elétricos no prazo de quatro anos. Os modelos a serem produzidos têm capacidade para 11 e 14 toneladas. Está previsto para 2021 o início dos testes com o ônibus elétrico da Volkswagen. Por enquanto, o presidente não revela cifras, mas garante que o consórcio e a frota elétrica integram o atual ciclo de investimentos de R$ 1,5 bilhão pelos próximos dois anos.