Tecnologia

A cara e necessária joia da SAP

A gigante alemã dos softwares compra a startup americana Qualtrics por € 7 bilhões e acirra a disputa contra a Salesforce

A cara e necessária joia da SAP

Bill McDermott, da SAP: “Pagamos um belo preço. Mas foi merecido”

A joia da coroa. Foi a expressão utilizada por Bill McDermott, CEO da
desenvolvedora de softwares alemã SAP, para definir a compra da empresa americana de pesquisa de mercado Qualtrics. Faz sentido. Não apenas pelo valor, digno de realezas endinheiradas, pago no negócio: € 7 bilhões. Com foco em serviços de pesquisa de marcas e produtos, a startup, fundada em 2002 pelos irmãos Ryan e Jared Smith e por Stuart Orgill, é mais uma tentativa da SAP de sair da sombra da rival americana Salesforce no mercado de gestão de relacionamento com clientes (CRM, na sigla em inglês). “Pagamos um belo preço”, disse McDermott à revista americana Fortune. “Mas foi merecido.” Foi a segunda maior aquisição da SAP, atrás apenas da compra da Concur Technologies, em 2014, por US$ 8,3 bilhões.

CEO visionário: em 2012, Ryan Smith não quis vender a Qualtrics por US$ 500 milhões

O mercado, no entanto, não se mostrou muito otimista. A Qualtrics estava
pronta para abrir seu capital na Nasdaq. “Tivemos conversas com investidores
a semana inteira”, disse Ryan Smith. “Iríamos tocar o sino na quinta-feira 15.” A expectativa era de que a companhia conseguisse uma avaliação pública de US$ 4,8 bilhões – valor bem inferior ao desembolsado pelos alemães. Como era de se esperar, Wall Street reagiu. Na segunda-feira 12, as ações da SAP na Nyse caíram 4,7%, o que fez o valor de mercado da empresa passar de US$ 133 bilhões para US$ 124,5 bilhões. Na lógica dos investidores, a quantia paga no negócio foi excessiva, já que supera em mais de 20 vezes as receitas obtidas pela Qualtrics no ano passado. “Foi um plano caro para comprar crescimento”, disse Neil Campling, analista do grupo bancário suíço Mirabaud, à agência de notícias americana Bloomberg. “É um número extremamente alto.”

São valores que parecem pouco importar para a SAP, que tem seus olhos voltados para outros dados. Mais especificamente, para o crescimento do mercado de CRM. De acordo com a consultoria americana Gartner, a companhia, com sede em Frankfurt, detém 8,5% de um mercado avaliado em US$ 46 bilhões. Na liderança do setor está a Salesforce, concorrente americana que tem 18,8% de share. “O segmento de CRM vai apresentar o maior crescimento no mercado de softwares”, avalia Julian Poulter, diretor de pesquisa da Gartner. “As organizações estão mais dispostas a obter uma visão em 360 graus de seus clientes.”

Com faturamento de US$ 289,9 milhões em 2017 e previsão de US$ 400 milhões neste ano, a Qualtrics se destaca por fornecer uma plataforma simples para a análise automatizada de dados – segmento conhecido como XM, de gerenciamento de experiências. Foi o que atraiu a rede de supermercados americana Whole Foods, da Amazon. A rede passou a coletar informações para qualificar seus funcionários. Já a loja de departamentos americana Saks Fifth Avenue contratou a companhia para obter melhores feedbacks sobre suas marcas. Gigantes da tecnologia, como Microsoft e Yahoo, também já utilizaram serviços da Qualtrics. “É um negócio que define os novos caminhos de CRM”, afirma Davi Bertoncello, CEO da agência de pesquisas de mercado Hello Research. “É um processo de transformação digital, que pode gerar negócios disruptivos.” E lucrativos, espera a SAP.